O Flamengo chega ao jogo contra o Mirassol com uma decisão importante a tomar: até que ponto Leonardo Jardim deve rodar o elenco pensando na volta contra o Cruzeiro pela Libertadores? A tendência, porém, é que o treinador mantenha uma base forte para o compromisso deste domingo, no Maião, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A escolha ganha peso pelo momento da competição. O Flamengo ocupa a vice-liderança com 42 pontos, seis atrás do Palmeiras, mas ainda possui um jogo a menos e terá um confronto direto com o líder mais adiante. Depois da vitória sobre o Vitória e do tropeço palmeirense, o Rubro-Negro voltou a depender apenas dos próprios resultados para buscar o título.

Por isso, Mirassol x Flamengo está longe de ser apenas uma partida colocada entre dois compromissos de Libertadores.

Há três pontos importantes em disputa e pouca margem para tratar o Campeonato Brasileiro como uma competição secundária.

Jardim trabalha com mais de 11 titulares

Leonardo Jardim já deixou claro que não enxerga o Flamengo limitado a uma equipa de 11 jogadores. O treinador afirmou possuir um grupo de “15 ou 16 titulares”, escolhidos de acordo com adversário, momento e estratégia de cada partida.

Essa ideia ajuda a entender algumas mudanças que vêm aparecendo entre Campeonato Brasileiro e Libertadores.

Na lateral direita, Varela tem recebido espaço no Brasileiro, enquanto Emerson Royal cresceu e vem sendo utilizado em jogos importantes de copa. No ataque, Pedro segue como referência e artilheiro da equipa, enquanto Bruno Henrique também aparece como alternativa para o comando ofensivo.

Contra o Mirassol, portanto, algumas alterações não significam necessariamente um Flamengo reserva.

O ponto central será manter uma estrutura competitiva.

A provável escalação trabalhada antes do último treino tem Rossi; Varela, Léo Pereira, Léo Ortiz ou Danilo e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta ou Paquetá; Plata ou Carrascal, Pedro e Samuel Lino.

Alex Sandro continua fora por dores na panturrilha direita. Bruno Henrique, por sua vez, ainda sente o tornozelo esquerdo e precisa ser reavaliado antes da viagem. Luiz Araújo pode voltar aos relacionados.

Administrar é diferente de poupar todo mundo

Esse talvez seja o principal desafio de Jardim neste momento da temporada.

O Flamengo precisa administrar desgaste físico sem transformar gestão de elenco em perda de competitividade.

Existe uma diferença importante entre preservar um jogador que apresenta dores, controlar minutos de alguém desgastado e montar um “mistão” pensando exclusivamente no próximo compromisso.

Com um grupo que o próprio treinador define como tendo 15 ou 16 jogadores de nível titular, existe margem para trocar peças mantendo uma base forte.

É justamente para isso que serve um elenco numeroso e qualificado.

O calendário é apertado. O Flamengo joga contra o Mirassol no domingo e, três dias depois, volta ao Maracanã para decidir a classificação contra o Cruzeiro, depois do empate por 1 a 1 no Mineirão.

Mas a proximidade da Libertadores não elimina a situação no Brasileiro.

A diferença para o Palmeiras é de seis pontos. O Flamengo tem uma partida a menos e ainda enfrentará o rival diretamente na reta final. Pelas contas atuais, a equipa voltou a depender de si para alcançar a liderança.

Cada rodada, portanto, tem peso.

Mirassol não pode ser tratado como jogo simples

Também seria perigoso olhar apenas para a posição do Mirassol na tabela e imaginar um compromisso tranquilo.

O clube paulista entra na rodada com 23 pontos e luta para se afastar da zona de rebaixamento. A comissão técnica de Rafael Guanaes sinalizou que a prioridade é justamente o Campeonato Brasileiro e pretende colocar em campo aquilo que tem de melhor, mesmo com a decisão contra a LDU pela Libertadores na sequência.

O Maião também merece respeito.

Em 2025, o Mirassol terminou o Brasileirão invicto como mandante e encerrou aquela campanha justamente num empate por 3 a 3 diante do Flamengo.

A realidade de 2026 não é a mesma, mas o histórico ajuda a mostrar que jogar no interior paulista exige atenção.

Do outro lado, o Flamengo chega com números fortes fora de casa: é dono da segunda melhor campanha como visitante do campeonato, com seis vitórias, três empates e duas derrotas em 11 partidas. A equipa marcou 20 gols nesses jogos e sofreu dez.

Ou seja, há argumentos para confiar na força do Flamengo, mas nenhum para subestimar o adversário.

O tamanho do elenco precisa aparecer agora

A sequência entre Brasileiro e Libertadores também coloca à prova uma das principais características deste Flamengo: a quantidade de opções disponíveis para Leonardo Jardim.

Se Varela começa no Brasileiro e Royal é utilizado numa partida de Libertadores, o nível competitivo precisa continuar alto.

Se Alex Sandro está fora, Ayrton Lucas entra naturalmente.

Se Bruno Henrique não tiver condições físicas, Pedro pode iniciar.

Paquetá, Arrascaeta, Carrascal e Plata também permitem diferentes desenhos no setor ofensivo.

É esse tipo de alternativa que possibilita controlar jogadores sem necessariamente enfraquecer a equipa.

O Flamengo não precisa utilizar exatamente os mesmos 11 atletas a cada três dias.

Mas também não precisa escolher qual campeonato deseja disputar.