Flamengo e Vasco chegam ao Paraguai nesta quinta-feira (24) sabendo que a disputa pelo Maracanã dificilmente terminará apenas em uma conversa entre dirigentes.
Segundo apuração do Fla Opina, o Flamengo já definiu internamente que não pretende ceder o Maracanã ao Vasco para a partida contra o Boca Juniors, no dia 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana.
E o Vasco também já definiu seu próximo movimento. Caso a negativa seja confirmada, a direção cruz-maltina trabalha com a possibilidade de recorrer à Justiça para tentar garantir o estádio.
Ou seja: os clubes não chegam à discussão começando uma negociação do zero. Cada lado já sabe até onde pretende ir.
Nesta quinta, representantes dos semifinalistas da Libertadores e da Sul-Americana participam de reuniões na sede da Conmebol, em Luque. Os encontros das duas competições serão separados. O Flamengo estará na reunião da Libertadores; o Vasco, na da Sul-Americana. Entre as questões envolvendo o clube cruz-maltino está justamente a definição do estádio para o segundo jogo contra o Boca.
Flamengo quer proteger jogo decisivo
O centro do impasse está no calendário.
Vasco x Boca está marcado para 20 de outubro, às 21h30, enquanto Flamengo x Estudiantes será disputado no Maracanã em 22 de outubro, também pela semifinal continental. A diferença entre as duas partidas seria de apenas 48 horas.
Para o Flamengo, não se trata apenas de disponibilizar ou não o estádio para um rival. O clube considera que colocaria em risco as condições do gramado imediatamente antes de uma partida que pode decidir uma vaga na final da Libertadores.
Essa discussão ganha ainda mais peso porque o acordo firmado entre Flamengo, Fluminense e Vasco não estabelece uso irrestrito do Maracanã.
O próprio Flamengo já informou oficialmente que o entendimento permite ao Vasco utilizar o estádio em até quatro partidas entre 2025 e 2026, desde que exista disponibilidade e condições adequadas para a realização dos jogos.
É justamente nessa condição que o Flamengo sustenta sua posição.
Vasco também tem argumento preparado
O Vasco, porém, não pretende aceitar facilmente uma negativa.
Um dos argumentos que podem ser utilizados pelo clube é o próprio histórico do Maracanã nesta temporada. Levantamento divulgado nesta semana apontou que o estádio já recebeu nove sequências de jogos com intervalo de até 48 horas em 2026.
Na visão vascaína, portanto, o intervalo entre a semifinal da Sul-Americana e o jogo do Flamengo não seria, por si só, suficiente para impedir a utilização do estádio.
É aí que a discussão deixa de ser apenas esportiva.
De um lado, Flamengo e Fluminense, responsáveis pela administração do Maracanã, podem alegar que cada solicitação depende das condições específicas do estádio naquele momento.
Do outro, o Vasco pode questionar por que um intervalo de 48 horas seria inviável agora se situações semelhantes já ocorreram ao longo da temporada.
E é justamente esse choque de interpretações que pode levar novamente a disputa para os tribunais.
Reunião pode não resolver o problema
A Conmebol precisa saber onde será disputada a semifinal da Sul-Americana. O Vasco quer o Maracanã e tem o Nilton Santos como uma alternativa caso não consiga utilizar o estádio.
Mas a reunião desta quinta não necessariamente mudará aquilo que os clubes já decidiram internamente.
O Flamengo chega com a posição de não disponibilizar o Maracanã no dia 20. O Vasco chega sabendo que, diante dessa resposta, poderá buscar uma decisão judicial.
Por isso, mais importante do que saber se haverá uma conversa no Paraguai é acompanhar o que acontecerá depois dela.
Se nenhuma das partes recuar, a definição sobre Vasco x Boca poderá sair das mãos dos dirigentes e acabar novamente diante de um juiz.




