O Flamengo começa o segundo semestre de uma temporada completamente diferente das anteriores. Por causa da pausa para a Copa do Mundo de 2026, o clube cedeu nove jogadores às suas seleções, concedeu férias ao restante do elenco e realizou uma intertemporada em Portugal.

Foram três partidas em território português, contra River Plate, Lausanne e Benfica, além do amistoso diante do Olimpia, em Brasília. O objetivo desse período era claro: recuperar fisicamente os jogadores, dar ritmo ao elenco e permitir que Leonardo Jardim corrigisse os problemas apresentados pelo time antes da pausa.

O treinador teve tempo para preparar a equipe para a sequência do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. Porém, até agora, o Flamengo mostrou pouca evolução.

O time continua cometendo erros defensivos, apresentando dificuldades na saída de bola e sofrendo com falhas individuais. Em vários momentos, a equipe demonstrou desorganização e permitiu que os adversários criassem oportunidades com relativa facilidade.

É claro que existe uma ressalva importante: alguns dos principais jogadores do elenco ainda não estavam disponíveis. Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro, Varela, Arrascaeta, Lucas Paquetá, De la Cruz, Carrascal e Plata estiveram envolvidos com suas seleções na Copa do Mundo.

O retorno desses atletas certamente aumentará a qualidade do time. Mesmo assim, não é possível ignorar que muitos dos problemas apresentados antes da pausa continuam visíveis.

A intertemporada deveria servir justamente para corrigir o posicionamento defensivo, melhorar a construção das jogadas e dar mais segurança ao Flamengo na saída de bola. Leonardo Jardim teve um período raro de preparação dentro do calendário brasileiro.

Por isso, era natural esperar uma equipe mais organizada e com sinais mais claros de evolução.

O alerta também está fora de campo

As preocupações não estão apenas dentro das quatro linhas.

Nos últimos dias, o Flamengo comunicou a agentes que pretende renegociar e adiar para 2027 pagamentos de comissões que estavam previstos para 2026.

O clube alega que precisa reorganizar o seu fluxo de caixa. A situação chama atenção porque acontece após o Flamengo realizar um dos maiores investimentos da sua história na contratação de Lucas Paquetá.

Segundo os valores divulgados, a operação teve um custo total de aproximadamente R$ 315,7 milhões, sendo cerca de R$ 155 milhões pagos à vista.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: o Flamengo comprometeu excessivamente as suas finanças para contratar Paquetá?

Não existe qualquer questionamento sobre a qualidade técnica do jogador. Lucas Paquetá é um excelente atleta, conhece o clube, possui identificação com a torcida e tem todas as condições de ser protagonista com a camisa do Flamengo.

A discussão não é sobre a capacidade de Paquetá. A discussão é sobre o tamanho do investimento.

Gastar mais de R$ 300 milhões em apenas um jogador sempre envolve riscos, independentemente da força financeira do clube. Uma contratação dessa dimensão afeta o caixa, interfere no planejamento e pode reduzir a margem para outros investimentos.

Quando o Flamengo adia pagamentos de comissões a agentes e admite a necessidade de reorganizar o fluxo financeiro depois de uma contratação tão cara, o sinal de alerta precisa ser ligado.

Isso não significa afirmar que o Flamengo esteja endividado ou que tenha perdido o controle das suas contas. Mas é legítimo questionar até que ponto o investimento em Paquetá pressionou o planejamento financeiro para o restante da temporada.

E ainda existe o interesse em Thiago Almada

Ao mesmo tempo, o Flamengo continua sendo ligado a uma possível contratação de Thiago Almada.

Os valores mencionados para uma proposta pelo jogador ficam entre 20 milhões e 25 milhões de euros. Seria mais uma negociação de enorme impacto financeiro.

Assim como Paquetá, Almada é um jogador de qualidade e poderia fortalecer muito o elenco. O problema, novamente, não é o nível técnico do atleta, mas o tamanho do gasto.

O Flamengo possui receitas elevadas, uma torcida gigantesca e uma condição financeira superior à maioria dos clubes brasileiros. Porém, isso não significa que possa investir sem limites ou assumir compromissos sem avaliar as consequências futuras.

Montar um elenco forte é fundamental. Preservar o equilíbrio financeiro também.

O Flamengo passou anos reconstruindo as suas contas e se tornando uma referência de organização no futebol brasileiro. Colocar essa estabilidade em risco por uma sequência de contratações milionárias seria um erro grave.

Leonardo Jardim e a diretoria estão sob observação

Dentro de campo, Leonardo Jardim precisa mostrar que o período de preparação foi bem aproveitado. O Flamengo ainda apresenta falhas que deveriam ter sido corrigidas durante a intertemporada.

Fora de campo, a diretoria precisa demonstrar que o adiamento das comissões representa apenas uma reorganização momentânea e não o início de uma pressão maior sobre o caixa.

Paquetá tem qualidade para ser protagonista e ajudar o Flamengo a conquistar títulos. Thiago Almada também seria um reforço de alto nível.

Mas nenhuma contratação pode ser maior do que a segurança financeira do clube.

O Flamengo volta para a segunda metade da temporada cercado por duas grandes dúvidas: o time realmente evoluiu com Leonardo Jardim e o clube possui condições de continuar realizando investimentos tão elevados sem colocar as suas contas em risco?

Por enquanto, tanto dentro quanto fora de campo, o sinal de alerta está ligado.