Joaquín Freitas e Anthony Valencia chegaram ao Flamengo praticamente no mesmo pacote, como duas apostas para o presente e, principalmente, para o futuro.
Os dois reforços foram contratados na reta final da janela, dentro de uma mudança de rota do clube no mercado: além de nomes prontos e de impacto imediato, o Flamengo voltou a investir em jogadores jovens, com margem de evolução e potencial de valorização. ge
Poucas semanas depois, porém, os dois vivem realidades diferentes dentro do elenco de Leonardo Jardim.
Freitas começou a receber oportunidades, ganhou minutos e já conseguiu produzir uma resposta importante.
Valencia, por outro lado, ainda praticamente não entrou no time.
A diferença chama atenção justamente porque os dois chegaram com um status semelhante: jovens, estrangeiros, observados pelo scout e tratados como projetos de médio e longo prazo.
Freitas aproveitou a primeira brecha
Joaquín Freitas começou a ganhar espaço de forma gradual.
O argentino teve oportunidade em jogos do Brasileirão e conseguiu acelerar seu processo de adaptação ao participar diretamente de uma jogada decisiva.
Contra o Corinthians, Freitas saiu do banco e deu a assistência para o gol de Bruno Henrique, uma participação importante num momento em que ainda tentava conquistar confiança dentro do elenco.
Desde então, seu nome passou a aparecer com mais frequência entre as alternativas de Jardim.
O treinador, porém, não trata o processo como concluído.
Jardim já explicou que Freitas ainda precisa evoluir em aspectos defensivos, principalmente quando precisa fechar corredor, ocupar espaço e responder a momentos de maior pressão do adversário.
A utilização do jovem, portanto, continua sendo controlada.
Mas existe uma diferença importante:
Freitas já começou a mostrar em campo por que foi contratado.
Valencia segue praticamente sem espaço
Anthony Valencia vive uma situação diferente.
O equatoriano também chegou ao Flamengo como uma aposta de desenvolvimento, mas ainda teve pouquíssimos minutos.
Segundo o ge, Valencia entrou apenas uma vez desde que chegou ao clube e chegou a ficar fora da lista de relacionados em uma partida recente. Internamente, porém, a situação não é tratada como problema. A avaliação é de que o atacante passa por um processo natural de adaptação. ge
Leonardo Jardim reforçou essa ideia ao afirmar que acredita no jogador.
O treinador também deixou claro que não pretende acelerar o processo apenas porque Valencia é um reforço recém-chegado.
O clube entende que o equatoriano precisa se adaptar ao modelo de jogo, ao ritmo do futebol brasileiro e à concorrência dentro de um elenco que já possui várias opções ofensivas.
Mesmo pacote, exigências diferentes
Freitas e Valencia chegaram juntos, mas suas posições também ajudam a explicar parte da diferença de utilização.
Freitas atua em uma zona do campo em que o Flamengo tem recorrido bastante à rotação de jogadores.
Valencia enfrenta uma concorrência maior no setor ofensivo, especialmente em posições nas quais Jardim já possui atletas mais experientes e consolidados.
Além disso, o treinador tem repetido que não pretende colocar jovens em campo apenas para acelerar uma adaptação.
A lógica parece ser simples:
primeiro o jogador precisa estar preparado para responder às exigências táticas e físicas.
Depois, ganha espaço.
Esse cuidado apareceu também nas declarações de Jardim durante a Data FIFA, quando voltou a destacar o potencial de Freitas e Valencia e reforçou que os dois fazem parte dos planos do Flamengo para o futuro. UOL
O Flamengo voltou a apostar no desenvolvimento
A contratação dos dois também mostra uma mudança interessante no planejamento do clube.
Nos últimos anos, boa parte dos grandes investimentos do Flamengo foi direcionada para jogadores mais prontos, com experiência internacional e capacidade de impacto imediato.
Freitas e Valencia representam outra lógica.
São jogadores contratados antes de atingirem o auge, com espaço para desenvolvimento e valorização.
Esse tipo de aposta pode diminuir custos no longo prazo, mas também exige uma coisa que nem sempre combina com o ambiente rubro-negro:
paciência.
No Flamengo, um reforço costuma chegar cercado de expectativa.
Quando demora a aparecer, o questionamento começa rapidamente.
É justamente aí que o trabalho da comissão técnica passa a ser importante.
Nem todo jogador precisa responder na primeira semana.
Mas também não basta apenas falar em potencial indefinidamente.
Em algum momento, a evolução precisa aparecer dentro de campo.




