O Flamengo vai passar a Data Fifa olhando o restante do Campeonato Brasileiro de cima.
E não apenas na liderança.
A vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, neste domingo (20), no Maracanã, levou o Rubro-Negro aos 60 pontos e abriu três de vantagem sobre o Palmeiras, que ficou no 0 a 0 com o Grêmio em Porto Alegre. O time paulista terminou a rodada com 57 pontos. Além da diferença na pontuação, o Flamengo também tem duas vitórias a mais, primeiro critério de desempate do Brasileirão.
Foi uma vitória construída com domínio, superioridade técnica e longos períodos de controle.
Mas também com um velho problema aparecendo novamente.
O Flamengo teve bola, ocupou o campo ofensivo, criou as melhores oportunidades e poderia ter decidido a partida muito antes. Não decidiu.
E quando o Bragantino descontou aos 40 minutos do segundo tempo, um jogo que deveria estar encerrado virou mais uma sequência de minutos tensos no Maracanã.
Flamengo toma conta do jogo
O Bragantino até assustou primeiro, logo aos três minutos, em chegada de Rodriguinho.
Depois disso, porém, o jogo começou a ganhar a cara que teria durante praticamente todo o primeiro tempo.
O Flamengo tomou a bola.
Com Jorginho e Saúl comandando a circulação no meio e Arrascaeta se aproximando dos homens de frente, o Rubro-Negro passou a empurrar o Bragantino para trás. Carrascal e Plata davam amplitude, enquanto os laterais apareciam constantemente como opção.
Os números ajudam a mostrar o tamanho desse domínio.
No intervalo, o Flamengo tinha 70% de posse de bola contra 30% do Bragantino. Havia finalizado oito vezes contra cinco do adversário e criado três grandes chances, enquanto o time paulista não havia produzido nenhuma.
O controle da bola também era enorme: foram 315 passes certos em 349 tentativas, 90% de aproveitamento, contra 106 passes certos em 144 do Bragantino.
Só havia um problema.
O placar mostrava apenas 1 a 0.
Varela aparece como elemento surpresa
O gol saiu aos 13 minutos.
Carrascal recebeu pela esquerda, trouxe para o pé direito e colocou a bola na área. Varela apareceu por trás da marcação como um verdadeiro elemento surpresa e desviou para marcar.
Foi o prêmio para um Flamengo que já começava a encurralar o Bragantino.
E poderia ter vindo muito mais.
Arrascaeta acertou a trave depois de cruzamento rasteiro de Alex Sandro. Plata pegou a sobra e obrigou Tiago Volpi a trabalhar.
Em outra chegada, Arrascaeta colocou Pedro praticamente de frente para o gol, mas Volpi conseguiu evitar a conclusão.
Carrascal também ficou cara a cara com o goleiro e perdeu outra grande oportunidade.
Pouco antes do intervalo, Arrascaeta ainda cobrou falta rente à trave.
O UOL resumiu o primeiro tempo dizendo que o Flamengo só não desceu para o vestiário com uma vantagem muito maior por causa das intervenções de Tiago Volpi.
Era domínio praticamente absoluto.
Mas novamente faltava transformar domínio em placar.
O número que mostra a diferença
A superioridade do Flamengo não esteve apenas na posse.
Na atualização estatística da reta final da partida, os dados da Opta apresentados pelo FotMob apontavam 70% de posse, contra 30% do Bragantino.
O Flamengo tinha acumulado 2,68 gols esperados (xG), enquanto o adversário aparecia com apenas 0,54.
Outro número chama ainda mais atenção: 31 toques do Flamengo dentro da área adversária contra apenas nove do Bragantino na área rubro-negra.
É praticamente um retrato da partida.
O Flamengo passou muito mais tempo perto do gol adversário.
Chegou mais.
Construiu situações melhores.
Mas não foi suficientemente letal para transformar essa superioridade em uma vitória tranquila.
Segundo tempo perde intensidade
O Flamengo voltou do intervalo ainda encontrando espaços.
Logo no começo da segunda etapa, Carrascal apareceu novamente cara a cara com Tiago Volpi e parou no goleiro. Arrascaeta pegou a sobra e mandou para fora.
Era outra oportunidade para matar o jogo.
Não matou.
A intensidade começou a cair.
O Flamengo continuou com a bola, mas passou a criar menos. O Bragantino, mesmo sem controlar a partida, percebeu que permanecia vivo.
E futebol tem esse problema: enquanto o adversário estiver a apenas um gol de distância, nenhuma superioridade estatística garante tranquilidade.
Foi então que Pedro apareceu.
Pedro encerra jejum e faz o segundo
Aos 26 minutos da segunda etapa, o Flamengo finalmente ampliou.
Depois da cobrança de escanteio, Jorginho desviou na primeira trave e Pedro apareceu para empurrar a bola para o gol.
2 a 0.
O Flamengo finalmente tinha no placar uma vantagem mais próxima daquilo que havia produzido durante a partida.
O gol também colocou o Flamengo em uma marca simbólica: o clube chegou aos 100 gols na temporada de 2026, sendo o primeiro time brasileiro a atingir o número neste ano.
Pouco depois, Pedro deixou o campo.
Bruno Henrique já estava preparado para entrar antes mesmo do gol, e Leonardo Jardim manteve a substituição. O camisa 9 demonstrou irritação ao sair, embora tenha cumprimentado o treinador.
Mas o assunto principal ainda estava dentro de campo.
Um jogo ganho que voltou a ficar perigoso
Com 2 a 0 no placar e domínio durante quase toda a partida, o cenário parecia resolvido.
Não estava.
Aos 40 minutos, Ignacio Sosa recebeu após sobra de escanteio, tentou colocar a bola no meio da área e viu o passe desviar no joelho de Bruno Henrique antes de entrar.
Gol contra.
2 a 1.
E o Flamengo mudou.
O time que havia controlado a partida durante praticamente toda a noite começou a demonstrar nervosismo.
O Bragantino avançou suas linhas.
O Flamengo começou a se desfazer da bola com maior velocidade e passou a permitir um tipo de jogo que não havia existido durante grande parte dos 90 minutos.
O adversário acreditou.
O Maracanã ficou tenso.
E uma partida em que o Flamengo havia construído enorme superioridade técnica acabou novamente sendo decidida com sofrimento até o apito final.
Vitória vale liderança mais confortável
Apesar do susto, o resultado não mudou.
Flamengo 2, Bragantino 1.
A quinta vitória consecutiva do Rubro-Negro no Campeonato Brasileiro coloca o time nos 60 pontos e aumenta a vantagem na liderança.
O Palmeiras, que começou a rodada apenas um ponto atrás, empatou sem gols com o Grêmio e chegou aos 57.
Agora vem a pausa.
O Flamengo só volta a campo pelo Brasileiro no dia 8 de outubro, contra o Santos, fora de casa.
E vai para a Data Fifa com aquilo que desejava: liderança, vantagem ampliada e controle do próprio destino na competição.
Mas também com uma questão para Leonardo Jardim corrigir.




