O Flamengo entra na partida decisiva contra o Estudiantes, nesta quinta-feira (22), no Maracanã, com uma missão que vai além de conquistar a vitória: recuperar a capacidade de criar oportunidades de gol.
No primeiro encontro da semifinal da Libertadores, disputado em La Plata, o Rubro-Negro empatou por 0 a 0 e terminou a partida com apenas cinco finalizações. Nenhuma delas foi na direção do gol defendido por Fernando Muslera.
O resultado manteve a classificação completamente aberta, mas deixou uma preocupação para Leonardo Jardim. Como transformar o controle de bola em situações realmente perigosas contra um adversário que demonstrou capacidade para limitar o ataque brasileiro?
A resposta passa por três ajustes coletivos que podem mudar a dinâmica da partida.
1. Mais movimentação entre as linhas
Um dos principais desafios diante de equipes compactas é encontrar espaço entre os volantes e os defensores adversários.
Na Argentina, o Estudiantes conseguiu dificultar a progressão ofensiva do Flamengo, obrigando a equipe a disputar muitas bolas em zonas congestionadas.
Para o jogo de volta, uma possível solução é aumentar a movimentação dos jogadores de criação, alternando aproximações pelo centro com deslocamentos para os corredores laterais.
Lucas Paquetá pode ser importante nesse mecanismo, especialmente quando recebe a bola orientado para o ataque e encontra companheiros movimentando-se à frente.
Entretanto, não basta que o meia recue para participar da construção. Se todos os jogadores procurarem a bola no mesmo setor, o Flamengo poderá ter mais posse, mas continuar sem profundidade.
A movimentação dos atacantes precisa oferecer alternativas para passes verticais e criar dúvidas na marcação argentina.
2. Utilizar a largura do campo para abrir espaços
Outro caminho é explorar melhor os corredores laterais.
Quando um adversário concentra jogadores no centro, manter amplitude pode obrigar a defesa a deslocar-se horizontalmente, criando espaços para infiltrações.
Isso não significa depender exclusivamente de cruzamentos para a área.
O Flamengo pode utilizar os laterais e os extremos para atrair a marcação, combinar passes curtos e encontrar jogadores entrando na área em melhores condições.
A diferença está no momento da jogada.
Um cruzamento realizado contra uma defesa completamente posicionada tende a encontrar maior resistência. Já uma ação construída após uma troca rápida de corredor pode surpreender os marcadores.
Samuel Lino, Luiz Araújo, Carrascal e os laterais oferecem características diferentes que podem ser utilizadas conforme a formação escolhida por Leonardo Jardim.
A decisão do treinador será encontrar uma combinação capaz de produzir desequilíbrio sem comprometer a proteção defensiva.
3. Recuperar as segundas bolas e pressionar após perder a posse
O Estudiantes demonstrou na primeira partida que sabe transformar o confronto em uma sucessão de disputas físicas.
A equipe argentina utiliza bolas longas, cruzamentos e pressão para levar o adversário a cometer erros e disputar a posse em condições desconfortáveis.
Nesse cenário, vencer a primeira disputa nem sempre resolve o problema.
O Flamengo precisa estar bem posicionado para recuperar as chamadas segundas bolas, aquelas que ficam disponíveis depois de cortes, divididas ou disputas aéreas.
Quando consegue recuperar a posse perto da área adversária, uma equipe encontra a defesa em reorganização e pode criar oportunidades antes que todos os marcadores retornem às suas posições.
Essa estratégia exige coordenação dos meio-campistas, aproximação dos atacantes e atenção dos defensores.
Uma pressão desorganizada também representa riscos, principalmente contra um adversário preparado para explorar espaços deixados às costas dos jogadores.
O papel de Jorginho na organização
O retorno de Jorginho, ausente na ida por suspensão, oferece a Leonardo Jardim uma alternativa importante para o meio-campo.
Sua capacidade de participar da circulação de passes e oferecer apoio à construção pode ajudar o Flamengo a encontrar soluções diante da pressão argentina.
Contudo, o retorno do volante não elimina automaticamente os problemas ofensivos.
A criação depende da movimentação dos companheiros, da ocupação dos espaços e da capacidade de transformar a posse em situações de finalização.
Um meio-campo organizado pode facilitar o processo, mas a eficiência também exige decisões corretas nos últimos metros Flamengo precisa atacar sem perder o equilíbrio
O empate sem gols na Argentina permite que o Flamengo decida a classificação diante de sua torcida.
Uma vitória por qualquer placar garante a presença rubro-negra na final da Libertadores. Outro empate leva a disputa para os pênaltis.
O cenário exige iniciativa, mas não necessariamente precipitação.
Uma equipe que avança com muitos jogadores sem proteger os espaços pode ficar vulnerável às transições do adversário.
Por isso, o principal desafio de Leonardo Jardim será encontrar o equilíbrio entre agressividade ofensiva e segurança defensiva.
O Flamengo não precisa apenas finalizar mais vezes do que na Argentina. Precisa construir oportunidades melhores.
A semifinal será decidida pela capacidade de transformar organização, movimentação e qualidade técnica em ações efetivas perto do gol adversário.








