O Flamengo entra em campo neste domingo (11), contra o Fluminense, defendendo muito mais do que a liderança do Campeonato Brasileiro. Com 61 pontos, apenas um à frente do Palmeiras, o Rubro-Negro inicia as nove rodadas finais numa disputa em que existe uma vantagem pouco explorada: mesmo com campanhas praticamente iguais em pontuação, os números ofensivos e o saldo de gols apresentam diferenças importantes entre os dois candidatos.
O levantamento do Fla Opina sobre a reta final mostra ainda que a disputa não será necessariamente decidida pelo número de clássicos ou partidas em casa. Os clubes possuem calendários equilibrados em quantidade de mandos, enfrentam três adversários em comum e terão um confronto direto em novembro. Entretanto, as campanhas apresentam características distintas que podem fazer diferença caso a pontuação permaneça apertada.
Flamengo marcou nove gols a mais que o Palmeiras
Depois de 29 partidas, os dois primeiros colocados estão separados por apenas um ponto. Mas o Flamengo apresenta números ofensivos superiores.
O Rubro-Negro marcou 57 gols, contra 48 do Palmeiras. Isso representa médias de 1,97 e 1,66 gol por partida, respectivamente.
A diferença aparece também no saldo: o Flamengo possui 32 gols positivos, enquanto o adversário soma 27.
O Palmeiras apresenta a defesa menos vazada entre os dois, com 21 gols sofridos, contra 25 do Flamengo. São quatro gols de vantagem defensiva para a equipe paulista, insuficientes para compensar a diferença no ataque.
Outra curiosidade é que o Palmeiras perdeu menos partidas: três, contra quatro do Flamengo. Entretanto, empatou nove vezes, enquanto o líder empatou sete.
Isso ajuda a explicar por que uma equipe com menos derrotas está atrás na classificação. O Flamengo venceu 18 jogos, um a mais que o concorrente, transformando uma proporção maior de partidas em três pontos.
O regulamento estabelece o número de vitórias como primeiro critério de desempate, seguido pelo saldo de gols. Portanto, se os clubes terminassem hoje com a mesma pontuação, o Flamengo teria vantagem nos dois critérios.
O calendário é mais equilibrado do que parece
Uma das discussões sobre a reta final envolve a suposta vantagem de calendário de um dos candidatos. O levantamento, porém, identifica semelhanças importantes.
Flamengo e Palmeiras ainda disputarão cinco partidas como mandantes e quatro como visitantes. Ambos enfrentarão dois clássicos estaduais, além do confronto direto entre si.
A dificuldade está distribuída de maneira diferente.
O Flamengo inicia a sequência enfrentando Fluminense, terceiro colocado, e depois terá compromissos com Bahia, Atlético-MG, Vasco e Grêmio antes de encarar Athletico-PR e Palmeiras.
Do outro lado, o Palmeiras começa contra o Corinthians e enfrentará Athletico-PR, Bragantino, Santos, Remo e Cruzeiro antes de receber o Flamengo.
Há um aspecto relevante: três dos adversários restantes são comuns às duas equipes. Athletico-PR, Coritiba e Chapecoense enfrentarão tanto o líder quanto o vice-líder nas nove rodadas finais.
Esses três confrontos representam nove pontos possíveis para cada candidato. O desempenho diante deles poderá ampliar ou reduzir a diferença na classificação, principalmente porque ocorrerão em momentos distintos do campeonato.
Entretanto, a igualdade numérica de mandos e adversários em comum não significa que os caminhos tenham a mesma dificuldade. A posição atual de cada adversário, o momento esportivo e a necessidade de pontuar nas rodadas finais também precisarão ser considerados.
O confronto direto pode mudar a matemática do campeonato
Flamengo e Palmeiras têm encontro previsto para 22 de novembro, pela 36ª rodada, em São Paulo.
A partida acontecerá quando restarão apenas mais duas rodadas para o encerramento da competição. Dependendo da classificação naquele momento, poderá representar uma oportunidade de o Flamengo abrir distância ou de o Palmeiras assumir a liderança.
Mas existe uma particularidade matemática que aumenta a importância desse jogo.
Com 61 pontos, o Flamengo pode alcançar 88. O Palmeiras, com 60, pode chegar a 87. Portanto, o time rubro-negro continua dependendo exclusivamente dos próprios resultados.
O cenário permite uma conclusão importante: se o Flamengo vencer o confronto direto e outras sete partidas, poderá até perder o nono compromisso e ainda assim será campeão.
Nesse exemplo, chegaria aos 85 pontos. Como uma das derrotas do Palmeiras seria justamente para o Flamengo, o clube paulista poderia alcançar no máximo 84.
Existe outra possibilidade: oito vitórias e um empate, desde que o Flamengo não perca para o Palmeiras, levariam o Rubro-Negro aos 86 pontos. O adversário poderia alcançar no máximo 85.
Os cálculos demonstram que o confronto direto tem peso maior do que uma simples partida de três pontos. Seu resultado interfere simultaneamente no limite de pontuação que os dois candidatos podem alcançar.
A rodada deste domingo pode modificar a liderança
O Flamengo enfrenta o Fluminense no Maracanã, enquanto o Palmeiras recebe o Corinthians. Os dois clássicos começam às 17h30, no horário de Brasília.
A simultaneidade coloca os candidatos sob uma pressão incomum para esta fase do campeonato: cada alteração no placar de um estádio pode mudar temporariamente a situação da liderança.
Se o Flamengo vencer, chegará aos 64 pontos. Nesse caso, mesmo uma vitória palmeirense não será suficiente para ultrapassá-lo.
Se empatar, chegará aos 62. Uma vitória do Palmeiras levaria o concorrente aos 63 e provocaria a mudança de líder.
Uma derrota rubro-negra também abriria a possibilidade de ultrapassagem: bastaria ao Palmeiras empatar para igualar os 61 pontos e superá-lo apenas se os critérios de desempate permitissem; com uma vitória, chegaria a 63 e assumiria a primeira posição.
É por isso que o Fla-Flu ganha importância adicional. O Flamengo não enfrenta apenas um rival tradicional e o terceiro colocado da competição. Defende uma vantagem construída ao longo de 29 rodadas, num momento em que o Palmeiras está próximo o suficiente para aproveitar qualquer tropeço.
A disputa segue aberta, mas o levantamento mostra que o Flamengo possui armas concretas: mais vitórias, maior produção ofensiva, melhor saldo de gols e controle matemático do próprio destino.
O desafio agora é preservar essas vantagens até novembro, quando os dois candidatos estarão frente a frente no confronto que poderá determinar o rumo do Brasileirão.




