Flamengo tem um dilema nas mãos
Se realmente chegar uma proposta da Real Sociedad por Gonzalo Plata, o Flamengo terá uma decisão importante para tomar. E, na minha visão, essa análise precisa ir muito além da pergunta mais simples: quanto o clube espanhol está disposto a pagar?
Nenhum jogador é inegociável. Sempre defendi isso. Se aparecer uma proposta realmente vantajosa para o Flamengo e para o atleta, ela precisa ser analisada.
Mas existe uma diferença enorme entre estar disposto a negociar um jogador e escolher o momento certo para vendê-lo.
Segundo o jornal espanhol AS, a Real Sociedad colocou Gonzalo Plata entre as opções para esta reta final da janela. O veículo afirma que já aconteceram contatos com o entorno do equatoriano e que o jogador estaria aberto a uma volta ao futebol espanhol. A reportagem também aponta que o Flamengo aceitaria discutir uma saída e que a expectativa financeira teria caído dos €22 milhões inicialmente pretendidos para aproximadamente €10 milhões.
É justamente aí que começa o dilema.
O que o Flamengo compraria com €10 milhões?
Vamos começar pelo dinheiro.
Se o Flamengo receber uma proposta de aproximadamente €10 milhões por Plata, precisa fazer uma pergunta antes de aceitar: quanto custaria encontrar outro jogador com as mesmas características?
Estamos falando de um atacante de 25 anos, jogador da seleção equatoriana, capaz de atuar pelos lados, atacar espaços, driblar e, principalmente, contribuir intensamente sem a bola. O próprio AS destaca o trabalho físico do equatoriano, sua capacidade de desequilíbrio e de atacar espaços dentro do modelo de Leonardo Jardim.
Encontrar no mercado um jogador pronto, internacional, com idade de valorização e essas características por €10 milhões não me parece uma missão simples.
Há ainda outra questão financeira.
Quando Plata chegou ao Flamengo, em 2024, a negociação foi estruturada em etapas. Segundo o ge, a operação pela compra integral dos direitos econômicos poderia chegar a US$ 9,1 milhões, além de o Al-Sadd manter direito a 30% do lucro em uma eventual venda futura.
Portanto, uma venda não pode ser analisada somente pelo número estampado na proposta.
É necessário avaliar quanto efetivamente entraria para o Flamengo e, depois, quanto o clube teria de gastar para repor o jogador.
O momento esportivo pesa ainda mais
Mas, para mim, nem o dinheiro é o principal argumento para segurar Gonzalo Plata.
O principal argumento é o calendário.
O Flamengo está entrando no momento das decisões. Está disputando o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, com jogos que podem definir a temporada.
E é nesse momento que o clube cogitaria abrir mão de uma peça que possui características diferentes dentro do elenco.
Plata já foi tratado como titular absoluto de Leonardo Jardim durante a temporada. Em maio, por exemplo, o ge destacou sua importância no time e lembrou que o Flamengo havia construído uma sequência de dez partidas de invencibilidade antes de o atacante sofrer um problema no joelho.
É verdade que o cenário mudou ao longo do ano e que Plata perdeu protagonismo. O próprio AS registra essa mudança. Mas também ressalta que Jardim continua aproveitando justamente algumas de suas principais características: o drible, o ataque aos espaços e o forte trabalho físico sem a bola.
Na minha leitura, quando falamos naquele grupo de 14 ou 15 jogadores que um treinador considera capazes de começar uma partida importante sem diminuir significativamente o nível da equipe, Plata está nesse grupo.
Isso tem muito valor em agosto.
Vender é fácil. Repor é que é o problema
Existe ainda uma questão prática.
A janela está caminhando para o fim.
Imagine que o Flamengo venda Gonzalo Plata nos próximos dias. O clube teria pouco tempo para identificar outro ponta, negociar com o clube proprietário, acertar salários, realizar exames, registrar o jogador e ainda integrá-lo ao modelo de Leonardo Jardim.
E não basta contratar qualquer jogador.
Precisa chegar alguém pronto.
Porque Flamengo não está em janeiro montando o elenco para uma temporada que ainda vai começar. Está no meio das competições, brigando por títulos.
Uma contratação feita às pressas também tende a diminuir o poder de negociação. Quando o mercado percebe que um clube acabou de vender uma peça importante e precisa urgentemente de reposição, dificilmente oferece facilidade.
Por isso, mesmo que financeiramente existisse algum ganho na operação, esportivamente o risco seria enorme.
E se Plata quiser sair?
Esse é o ponto que mais complica a situação.
Se as informações publicadas pelo AS estiverem corretas e Gonzalo Plata realmente enxergar com bons olhos uma volta para a Espanha, o Flamengo precisa conversar com o jogador.
Manter no elenco alguém completamente decidido a sair nunca é cenário ideal.
Mas também existe contrato.
O Flamengo precisa mostrar ao jogador a importância que ele ainda pode ter nesta reta final e explicar que uma eventual transferência pode ser discutida novamente ao término da temporada.
São poucos meses.
Se Plata continuar participando, disputar títulos, jogar Libertadores e terminar bem o ano, dificilmente ficará menos valorizado por isso.




