Jardim descarta físico e explica queda do Flamengo
O placar terminou em 3 a 0, mas Leonardo Jardim não ignorou um comportamento que voltou a aparecer no Flamengo.
Depois de dominar o Botafogo durante boa parte do primeiro tempo no Maracanã, o Rubro-Negro perdeu intensidade e controle da partida nos primeiros minutos depois do intervalo.
O adversário cresceu, passou a permanecer mais tempo no campo ofensivo e obrigou o Flamengo a defender mais próximo da própria área.
Após o clássico, Jardim reconheceu a oscilação, mas descartou a hipótese de que a queda tenha ocorrido por falta de condição física.
Para o treinador, o problema esteve principalmente na reação do Botafogo e numa sequência de erros técnicos do próprio Flamengo.
Segundo Jardim, o fato de a equipe ter produzido novamente nos minutos finais mostra que o desgaste físico não explica sozinho a mudança de comportamento.
O técnico destacou que, quando o Flamengo começou a errar passes, a insegurança acabou se espalhando pelo time.
Flamengo foi diferente depois do intervalo
A diferença entre os dois períodos da partida também aparece nos números.
No primeiro tempo, o Flamengo finalizou 12 vezes, contra apenas quatro do Botafogo.
Depois do intervalo, o cenário se inverteu parcialmente: o Botafogo chegou a dez finalizações, enquanto o Flamengo teve seis.
Isso não impediu a vitória.
Pelo contrário.
Quando o Botafogo avançou suas linhas em busca do empate, o Flamengo encontrou espaços para atacar em velocidade e resolveu o clássico na reta final.
Samuel Lino marcou seu segundo gol na partida e Carrascal fechou o placar em uma bela jogada coletiva.
Mas o período de pressão botafoguense não passou despercebido.
Jardim reconheceu que o adversário reagiu e que o Flamengo começou a perder bolas que normalmente controla.
Jardim vê efeito dos erros
A explicação do treinador chama atenção porque afasta uma das hipóteses mais imediatas.
Não seria, segundo ele, simplesmente uma questão de cansaço.
Jardim lembrou que alguns dos melhores momentos do Flamengo aconteceram justamente perto do fim do jogo. Para o português, uma reação natural do adversário somada aos erros de passe fez com que o time perdesse confiança durante alguns minutos.
O treinador também apontou um fator psicológico dentro da própria dinâmica da partida.
Quando um adversário passa boa parte do primeiro tempo sendo pressionado, mas chega ao intervalo perdendo apenas por 1 a 0, ainda enxerga possibilidades de reação.
Foi exatamente o que aconteceu com o Botafogo.
O Flamengo criou muito, mas não transformou toda a superioridade em gols.
A vantagem mínima manteve o clássico aberto.
Substituições devolveram controle
Jardim também valorizou a força do elenco para explicar a retomada do Flamengo.
O treinador afirmou que as substituições ajudaram a equipe a recuperar o controle da partida.
Além disso, revelou uma dificuldade específica durante o segundo tempo: a falta de uma alternativa experiente para Pedro no banco.
Jardim disse que gostaria de ter retirado o centroavante cerca de dez ou 15 minutos antes, mas não tinha outro jogador da posição com experiência suficiente para entrar naquele momento de um clássico ainda vencido apenas por 1 a 0.
Quando Pedro deixou o campo, Samuel Lino passou a ocupar uma posição mais central e ofereceu profundidade.
O Flamengo encontrou espaço nas costas da defesa botafoguense e matou a partida.
Problema começa a se repetir
A preocupação existe porque a queda depois do intervalo não apareceu somente diante do Botafogo.
O Flamengo já havia apresentado oscilações semelhantes nos confrontos recentes contra o Cruzeiro.
O roteiro começa a chamar atenção: períodos de forte domínio seguidos por momentos em que a equipe perde capacidade de pressão e permite que o adversário cresça.
Contra o Botafogo, o talento individual e a qualidade do elenco resolveram.
Em partidas mais equilibradas, principalmente em mata-matas, alguns minutos de perda de controle podem custar caro.




