O Flamengo construiu nos últimos anos uma reputação de revelar jogadores capazes de gerar enorme retorno esportivo e financeiro. Vinícius Júnior, Lucas Paquetá e João Gomes são alguns dos principais exemplos.
Em 2026, porém, três jogadores que passaram pelo Ninho do Urubu e chegaram a ser tratados como nomes de grande potencial seguiram outro caminho.
Lorran, Victor Hugo e Guilherme renderam juntos aproximadamente R$ 22 milhões aos cofres do Flamengo.
O número chama atenção principalmente pelo tamanho financeiro atual do clube e pelo potencial que os três jogadores tiveram em diferentes momentos de suas trajetórias na base rubro-negra.
Lorran saiu após perder espaço
O caso mais emblemático é o de Lorran.
O meia-atacante chegou a ser considerado uma das principais promessas recentes do Flamengo e se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol pelo profissional do clube.
Depois de empréstimo ao Pisa, da Itália, retornou ao Rio de Janeiro, participou da intertemporada e chegou a receber oportunidades novamente.
Com a recuperação de jogadores do elenco principal, porém, voltou a perder espaço.
Em setembro, Lorran foi negociado com o Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, por aproximadamente R$ 7,7 milhões. O Flamengo manteve 30% dos direitos econômicos do jogador.
Victor Hugo também deixou o clube
Victor Hugo viveu trajetória semelhante em relação à expectativa criada no início da carreira.
O meio-campista chegou a receber sequência no profissional, participou de partidas importantes e despertou interesse de clubes do exterior.
Em 2026, acabou negociado com o Atlético-MG.
A operação foi registrada em aproximadamente R$ 13,4 milhões. Como o Santos possuía direito a 10% do negócio, o Flamengo ficou com cerca de R$ 12,1 milhões.
Guilherme completa a lista
Outro jogador formado no Ninho, Guilherme seguiu para o Gil Vicente, de Portugal.
A negociação ficou na casa dos R$ 2,3 milhões.
Somados, os valores destinados ao Flamengo nas três operações ficam próximos de R$ 22 milhões.
O próprio tamanho desse número ajuda a explicar por que a utilização e a valorização da base voltaram a ganhar importância dentro do clube.
Meta de vendas ficou distante
O Flamengo projetou aproximadamente R$ 250 milhões em receitas com negociações de jogadores para 2026.
Até agora, o clube contabiliza cerca de R$ 171,6 milhões.
A principal operação do ano envolveu Ryan Roberto, negociado com o Shakhtar Donetsk por R$ 56,3 milhões. Como o Flamengo possuía 70% dos direitos econômicos, aproximadamente R$ 39,4 milhões ficaram com o Rubro-Negro.
Wallace Yan, Juninho e outros jogadores também ajudaram a aumentar a arrecadação.
Mesmo assim, o clube terminou as principais janelas internacionais distante do valor estabelecido no orçamento.
Base volta ao centro da discussão
O cenário ajuda a explicar por que o Flamengo iniciou mudanças importantes no trabalho realizado nas categorias de base.
O desafio não passa apenas por revelar bons jogadores.
Para transformar a formação em uma fonte relevante de receita, o clube também precisa criar um caminho que permita ao jovem chegar ao profissional, receber oportunidades, ganhar exposição e aumentar seu valor de mercado.
Lorran, Victor Hugo e Guilherme mostram como essa diferença pode ser importante.
Três jogadores que em algum momento tiveram expectativa elevada dentro do Ninho deixaram o Flamengo por um valor combinado que, para a atual realidade financeira rubro-negra, é relativamente pequeno.
E é justamente essa conta que o clube tenta mudar.




