O Flamengo ganhou mais uma preocupação para a reta decisiva da temporada de 2026. A expulsão de Jorginho no empate por 2 a 2 com o Santos, na quinta-feira (8), na Vila Belmiro, provocou uma nova ausência do volante justamente quando Leonardo Jardim precisa encontrar estabilidade para disputar o Campeonato Brasileiro e a semifinal da Copa Libertadores.
O camisa 21 está fora do clássico contra o Fluminense, marcado para domingo (11), às 17h30, no Maracanã, pela 30ª rodada do Brasileirão. A ausência se soma à suspensão que já o impedia de participar da partida de ida contra o Estudiantes, na Argentina.
São duas punições em competições diferentes, originadas de expulsões distintas, mas que produzem uma consequência semelhante: o Flamengo terá de reorganizar o meio-campo sem um dos jogadores mais importantes na circulação da bola.
O novo desfalque também chega após uma partida em que o Rubro-Negro deixou escapar uma vantagem de dois gols, aumentando a pressão para recuperar os pontos perdidos.
A expulsão que mudou o cenário contra o Santos
O Flamengo vencia por 2 a 0, com gols de Danilo e Lucas Paquetá, quando uma tentativa de saída curta acabou provocando o lance que alterou o andamento da partida.
Rossi tentou iniciar a construção desde a defesa e passou a bola para Jorginho em uma situação de pressão. O volante perdeu o equilíbrio na disputa com Rony e tocou a bola com o braço durante a sequência da jogada.
Após revisão no VAR, Anderson Daronco marcou pênalti para o Santos e expulsou Jorginho. Neymar converteu a cobrança e diminuiu a vantagem flamenguista.
Pouco depois, o atacante santista marcou novamente, também de pênalti, e decretou o empate por 2 a 2.
A interpretação da arbitragem provocou questionamentos, sobretudo em relação ao contato de Rony com Jorginho antes do toque de mão. O próprio volante criticou a condução do lance, embora também tenha reconhecido sua responsabilidade pela decisão tomada dentro de campo.
Independentemente da controvérsia, a consequência disciplinar imediata é objetiva: Jorginho recebeu o cartão vermelho e não poderá atuar na rodada seguinte do Campeonato Brasileiro.
Fla-Flu exigirá uma nova organização do meio-campo
A ausência acontece em um momento importante da disputa pela liderança.
Depois do empate com o Santos, o Flamengo chegou a 61 pontos, mantendo-se na primeira colocação, mas com o Palmeiras apenas um ponto atrás.
O clássico com o Fluminense, portanto, terá importância direta na tentativa rubro-negra de preservar a liderança e evitar que o resultado da Vila Belmiro provoque uma sequência de tropeços.
Dentro de campo, a ausência de Jorginho vai além da necessidade de escolher outro jogador para ocupar sua posição.
O volante participa da primeira fase de construção, oferece linhas de passe aos zagueiros e procura controlar o ritmo das ações no meio-campo. Sua experiência também permite identificar momentos em que a equipe precisa acelerar ou reduzir a velocidade do jogo.
Contra um adversário como o Fluminense, que possui jogadores capazes de disputar o controle da posse de bola, essas características podem fazer falta.
Leonardo Jardim terá de encontrar outra combinação que preserve a organização coletiva sem comprometer a capacidade ofensiva.
Segunda suspensão atinge também a Libertadores
O problema não terminará no clássico de domingo.
Jorginho já estava suspenso para a primeira partida da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes, em La Plata. O desfalque foi provocado pela expulsão diante do Independiente del Valle, no dia 17 de setembro, na volta das quartas de final.
Naquela partida, o volante recebeu dois cartões amarelos durante o segundo tempo e acabou deixando o Flamengo com um jogador a menos.
Como consequência, terá de cumprir suspensão automática na abertura da semifinal continental.
A situação cria uma particularidade no calendário rubro-negro: Jorginho ficará fora de dois compromissos consecutivos do Flamengo, cada um por uma punição diferente.
A expulsão contra o Santos não representa uma segunda suspensão na Libertadores. Da mesma forma, a punição continental anterior não interfere diretamente na sua situação disciplinar no Campeonato Brasileiro.
São regulamentos e competições distintos, mas com impacto acumulado sobre o planejamento da comissão técnica.
Saúl, Pulgar, De la Cruz e Paquetá entram na discussão
A principal tarefa de Leonardo Jardim será reorganizar a distribuição de funções no meio-campo.
Saúl já demonstrou capacidade para atuar ao lado de Jorginho, especialmente em partidas nas quais o Flamengo procurou controlar a circulação de bola e manter equilíbrio entre defesa e ataque.
Sem o camisa 21, o espanhol pode assumir maior responsabilidade na organização do setor, dependendo da formação escolhida pelo treinador.
Erick Pulgar, quando disponível, oferece características importantes de marcação, posicionamento e proteção à frente dos zagueiros. Também pode participar da construção desde trás.
Nicolás de la Cruz representa uma alternativa para dar mobilidade e intensidade à equipe, enquanto Lucas Paquetá oferece a possibilidade de atuar em uma função mais recuada, aproximando os setores e ajudando na progressão da bola.
Entretanto, cada escolha produz consequências diferentes.
Utilizar Paquetá mais distante do ataque pode aumentar a qualidade na saída, mas também reduzir sua presença nas ações próximas à área adversária. Já uma formação com volantes de características mais defensivas pode exigir maior participação dos jogadores de frente na criação.
A decisão dependerá das condições físicas dos atletas, da estratégia para cada adversário e da intenção de Leonardo Jardim de manter ou modificar a estrutura utilizada nas últimas partidas.
Dois confrontos, necessidades diferentes
A preparação para enfrentar o Fluminense não será necessariamente a mesma utilizada contra o Estudiantes.
No Campeonato Brasileiro, o Flamengo disputará um clássico em que a vitória pode representar a manutenção de sua vantagem na liderança.
Na Libertadores, o compromisso será fora de casa, diante de um adversário argentino que tradicionalmente impõe intensidade e pressão em seu estádio.
Em La Plata, ter jogadores capazes de administrar a posse e evitar perdas perigosas no meio-campo pode ser especialmente importante.
O desafio de Jardim será encontrar soluções para duas situações diferentes sem contar com um jogador que costuma oferecer justamente esse tipo de controle.
A profundidade do elenco rubro-negro permite considerar diferentes alternativas, mas nenhuma substituição deve ser tratada como automática.
O treinador precisará equilibrar características individuais, entrosamento e necessidades específicas de cada confronto.
Flamengo precisa responder dentro de campo
A sequência de suspensões de Jorginho chega em um momento no qual o Flamengo não dispõe de grande margem para perder pontos ou cometer novos erros.
A equipe demonstrou capacidade para construir uma vantagem importante contra o Santos, mas não conseguiu administrá-la até o apito final.
Agora, além de recuperar a confiança após o empate, terá de enfrentar compromissos de grande peso sem uma peça importante do meio-campo.
Jorginho continua sendo um jogador experiente e relevante para a equipe. Entretanto, suas ausências obrigam Leonardo Jardim a acelerar ajustes que talvez fossem realizados de maneira mais gradual em outro momento da temporada.
O Flamengo montou um elenco com alternativas para diferentes posições justamente para enfrentar dificuldades como essa.
A questão deixa de ser apenas quem substituirá Jorginho.
O desafio passa a ser como preservar o equilíbrio da equipe em duas partidas nas quais cada decisão poderá ter consequências importantes para os objetivos rubro-negros em 2026.




