Depois de construir praticamente toda a carreira profissional na Europa, Jorginho tomou em 2025 uma decisão que mudou completamente sua trajetória: deixou o Arsenal e escolheu o Flamengo para viver a primeira experiência no futebol brasileiro.

Mais de um ano depois, o volante voltou a falar sobre essa escolha e revelou que havia um fator fundamental por trás da decisão. Ele não queria retornar ao Brasil apenas para encerrar a carreira. Queria chegar ainda em condições de competir, ajudar e conquistar títulos.

Em entrevista ao The Noite, do SBT, Jorginho explicou que sempre teve curiosidade sobre como seria jogar no país onde nasceu, mas passou praticamente toda a formação esportiva e a carreira profissional na Europa.

“Eu queria voltar bem, voltar para agregar, para conquistar títulos. Senti que era um momento oportuno e cheguei na hora certa”, afirmou.

A frase ajuda a entender por que a transferência para o Flamengo aconteceu naquele momento.

Jorginho havia passado por Hellas Verona, Napoli, Chelsea e Arsenal. Foram anos atuando em algumas das principais ligas do mundo, com participação em decisões de Champions League, Mundial de Clubes e Eurocopa.

Mesmo assim, a experiência no futebol brasileiro ainda faltava.

A ESCOLHA PELO FLAMENGO

O Flamengo anunciou Jorginho oficialmente em junho de 2025. O volante assinou contrato até julho de 2028 e chegou ao clube como uma das principais contratações para a disputa da Copa do Mundo de Clubes.

Na apresentação, ele já havia usado uma expressão semelhante à repetida agora: considerava aquele o “momento certo” para voltar ao Brasil.

A diferença é que, na entrevista mais recente, Jorginho detalhou melhor o que queria evitar.

A ideia não era retornar depois de perder espaço na Europa ou apenas nos últimos meses da carreira. O volante queria viver a experiência ainda em condições de disputar posição e participar diretamente de objetivos importantes.

Pouco tempo depois, o cenário confirmou parte dessa expectativa.

Segundo os números oficiais do Flamengo, Jorginho soma atualmente 33 partidas pelo clube, com três gols e três assistências.

Desde a chegada, participou de um período extremamente vitorioso. O meio-campista integrou o elenco campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2025 e também conquistou o Campeonato Carioca de 2026.

A adaptação ao Brasil também parece ter acontecido fora de campo.

Quando questionado sobre a vida que deixou na Europa, Jorginho respondeu de maneira direta:

“Ainda não me deu saudade nenhuma da Europa.”

A frase chama atenção quando se observa o tamanho da trajetória construída pelo jogador no continente.

QUASE JOGADOR DE GUARDIOLA

A entrevista também trouxe um bastidor importante da carreira europeia.

Antes de defender o Chelsea, Jorginho esteve muito perto de jogar no Manchester City de Pep Guardiola.

Segundo o volante, a negociação estava praticamente concluída.

“Eu estava fechado com o City. Estava tudo certo, meu salário, a negociação, tudo fechado”, contou.

Naquele momento, Jorginho defendia o Napoli e havia se transformado em um dos principais jogadores da equipe comandada por Maurizio Sarri.

A transferência para Manchester, porém, acabou não acontecendo.

Durante as negociações, surgiu a possibilidade de Sarri deixar o Napoli para assumir o Chelsea. De acordo com Jorginho, havia uma condição ligada à saída do treinador que acabou interferindo diretamente em seu próprio futuro.

O resultado foi uma mudança de rota.

Em vez de Manchester City, Jorginho foi para o Chelsea em 2018.

A decisão acabaria produzindo alguns dos momentos mais importantes da carreira.

No clube londrino, o volante conquistou a Liga Europa, a Champions League, a Supercopa da Europa e o Mundial de Clubes.

Em 2021, viveu o auge individual. Depois de conquistar a Champions com o Chelsea e a Eurocopa com a seleção italiana, terminou em terceiro lugar na votação da Bola de Ouro.

DA ITÁLIA À SELEÇÃO

Embora tenha nascido em Imbituba, Santa Catarina, Jorginho deixou o Brasil ainda jovem.

A formação profissional aconteceu na Itália, onde iniciou a trajetória no Hellas Verona antes de chegar ao Napoli.

A longa relação com o país também levou à seleção italiana.

Com a camisa da Itália, Jorginho disputou grandes competições e foi peça importante na conquista da Eurocopa de 2021.

Essa trajetória ajuda a explicar por que a volta ao Brasil tinha um significado diferente.

Para muitos jogadores brasileiros, retornar significa voltar a um futebol já conhecido. No caso de Jorginho, tratava-se praticamente de uma estreia.

Ele conhecia o país, mas não conhecia o cotidiano do futebol profissional brasileiro.

PRESSÃO, TORCIDA E UMA NOVA EXPERIÊNCIA

A chegada ao Flamengo acrescentou também um tipo diferente de pressão.

Jorginho passou por clubes gigantes da Europa, disputou títulos internacionais e viveu jogos decisivos, mas encontrou no futebol brasileiro uma relação muito mais intensa entre torcida, clube e cotidiano.

Desde 2025, passou a conviver com Maracanã cheio, clássicos estaduais, viagens pelo Campeonato Brasileiro e a cobrança permanente que acompanha o Flamengo.

Ao mesmo tempo, encontrou exatamente o que buscava quando decidiu voltar: possibilidade real de disputar títulos.

Em pouco mais de uma temporada, já participou de conquistas nacionais e continentais e se tornou uma das referências de experiência do elenco.

Aos 34 anos, Jorginho ainda tem contrato longo com o Flamengo.

O vínculo até 2028 mostra que a escolha não foi pensada como uma passagem rápida antes da aposentadoria.

Quando decidiu deixar o Arsenal, ele poderia simplesmente continuar na Europa ou buscar outro mercado.

Preferiu um caminho que nunca havia experimentado profissionalmente.

E, pelo menos até agora, a resposta sobre a adaptação é bastante clara.

Depois de quase toda uma vida no futebol europeu, Jorginho diz que ainda não sentiu falta dele.