Lamacchia aparece de camisa do Vasco e fala sobre a SAF
A possível venda da SAF do Vasco para Marcos Faria Lamacchia ganhou neste domingo um novo capítulo — e desta vez diante das câmeras. O empresário, que negocia a aquisição do futebol vascaíno, apareceu no gramado do Nubank Parque antes da partida contra o Palmeiras vestindo a camisa do clube carioca e acompanhado de Admar Lopes, diretor de futebol do Vasco.
A imagem por si só já carregava forte simbolismo. Lamacchia não estava apenas no estádio acompanhando uma partida: apareceu publicamente identificado com o Vasco em um momento no qual a negociação para assumir a SAF se aproxima de uma fase decisiva. Questionado sobre o andamento do processo, respondeu:
“A gente está esperando a Justiça liberar o leilão para podermos transformar o Vasco. Por enquanto é isso que eu posso dizer.”
A declaração deixa claro que, apesar do estágio avançado das conversas, a venda ainda não está concluída. Existe uma proposta concreta apresentada pela Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, mas o processo ainda depende de etapas judiciais e institucionais antes de qualquer mudança definitiva de controle.
Negociação já possui acordo de investimento
Nos bastidores, porém, as conversas foram muito além de uma simples manifestação de interesse.
André Sica, representante jurídico da família Lamacchia, afirmou anteriormente que, depois de um longo período de negociações e turbulências políticas e jurídicas dentro do Vasco, as partes conseguiram concluir essa etapa das tratativas e assinar um acordo de investimento.
A Almirante Participações apresentou uma proposta que deverá funcionar como referência mínima para o processo competitivo. Na prática, outros interessados poderão apresentar ofertas pelo ativo. Caso apareça uma proposta superior, Lamacchia terá a possibilidade de igualar a oferta de acordo com as regras previstas para o processo.
Portanto, existe uma diferença fundamental: há acordo e proposta formalizada, mas ainda não existe transferência definitiva do controle da SAF.
Valores da operação podem superar R$ 3 bilhões
A dimensão financeira também chama atenção.
De acordo com as informações divulgadas sobre a proposta, estão previstos R$ 500 milhões em aportes destinados ao futebol, além de R$ 150 milhões direcionados ao centro de treinamento.
O planejamento inclui ainda o pagamento das dívidas concursais e extraconcursais do Vasco, estimadas em aproximadamente R$ 1,3 bilhão, e a cobertura do déficit de caixa projetado para os próximos cinco anos. Essa necessidade é estimada atualmente em aproximadamente R$ 300 milhões por ano.
Somando os diferentes compromissos previstos, Vasco e representantes de Lamacchia calculam que a operação pode superar a marca de R$ 3 bilhões ao longo do período.
Trata-se, portanto, de uma operação muito maior do que simplesmente o pagamento de um valor pela aquisição de ações. O futuro investidor assumiria compromissos relacionados ao futebol, infraestrutura, fluxo de caixa e passivos acumulados pelo clube.
Justiça é peça central para o negócio avançar
É justamente aí que entra a frase de Lamacchia neste domingo.
Como o Vasco está em recuperação judicial, a operação passa por fiscalização e autorização de diferentes agentes. A Justiça exerce papel central nesse processo e a proposta precisa seguir o modelo competitivo previsto para a alienação da participação na SAF.
Se nenhuma proposta concorrente superar a oferta de Lamacchia — ou se o empresário exercer seu direito de igualar uma eventual proposta superior —, o processo poderá avançar para a declaração do vencedor.
Depois disso, ainda existem etapas internas no Vasco, incluindo análise pelo Conselho Deliberativo e Assembleia Geral antes da constituição da nova estrutura de controle.
Nos últimos dias, outro episódio mostrou como a situação judicial continua influenciando diretamente o futuro vascaíno. O clube tentou obter um novo financiamento de até R$ 150 milhões junto à Almirante Participações, mas a Justiça cobrou uma nova auditoria antes de permitir a operação.
Representantes de Lamacchia também se comprometeram a garantir e antecipar recursos destinados às obrigações da recuperação judicial previstas para os próximos dois anos, numa tentativa de dar maior segurança aos credores enquanto o processo de venda não é finalizado.
Flamengo acompanha a negociação
A possível mudança de controle do Vasco ultrapassou os limites de São Januário e já provocou movimentações entre rivais.
O Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) solicitando uma análise da situação econômico-financeira vascaína. O presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, também fez críticas públicas relacionadas à operação.
O tema ganhou ainda mais repercussão pela ligação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira. Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, marido da presidente do Palmeiras.
Leila afirma não participar da negociação e os envolvidos sustentam que Marcos possui atuação empresarial independente. A discussão, entretanto, aumentou o interesse sobre a análise regulatória da operação.
Um gesto que mostra o estágio das conversas
A presença de Lamacchia vestindo a camisa do Vasco não significa que o negócio esteja fechado. Juridicamente, ainda existem etapas importantes pela frente.
Mas o gesto também dificilmente pode ser tratado como algo irrelevante.
O empresário interessado em assumir a SAF apareceu ao lado de um dirigente do futebol vascaíno, vestiu a camisa do clube em um jogo oficial e falou abertamente sobre a intenção de “transformar o Vasco”.
A negociação saiu há algum tempo do campo das simples especulações. Agora, o ponto central parece estar menos na existência de um acordo entre Vasco e Lamacchia e mais na capacidade de atravessar todas as etapas judiciais, regulatórias e institucionais necessárias para concretizá-lo.




