A disputa pelo poder continua nos bastidores do Flamengo. Rodolfo Landim voltou a criticar a administração de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, após a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre e a revisão do orçamento de 2026. O clube, que inicialmente projetava um superávit de R$ 180 milhões, agora trabalha com a possibilidade de fechar o ano com déficit de R$ 40 milhões.

Landim e o Flamengo vitorioso

Landim comandou uma das fases mais vitoriosas da história do Flamengo. Em 2019, montou uma equipe que conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, dando início a uma sequência de grandes conquistas. O clube continuou investindo em contratações, negociando jogadores e ampliando suas receitas nos anos seguintes.

Financeiramente, a administração apresentou resultados expressivos, especialmente em 2023, quando o Flamengo registrou superávit de aproximadamente R$ 320 milhões. Entretanto, a gestão também enfrentou resultados negativos em 2020, durante a pandemia, e em 2024, quando houve investimentos elevados no elenco e no terreno do Gasômetro.

Isso não apaga o crescimento financeiro e as conquistas esportivas daquele período, mas demonstra que a trajetória também teve dificuldades.

Bap enfrenta questionamentos sobre as contas

A gestão Bap começou 2025 com resultados financeiros relevantes e encerrou aquele exercício com superávit de aproximadamente R$ 336 milhões. Entretanto, em 2026, o clube investiu fortemente em contratações e passou a enfrentar dificuldades para cumprir as projeções orçamentárias.

A receita com vendas de atletas ficou abaixo do esperado, enquanto a negociação dos direitos de Lucas Paquetá aumentou os compromissos financeiros. O Flamengo também não concretizou a receita prevista com os naming rights do Maracanã.

A administração defende que o endividamento permanece controlado e destaca o crescimento das receitas recorrentes. Já Landim questiona a condução financeira e a credibilidade do orçamento apresentado.

A disputa política ganha força

As divergências surgem num momento em que o Flamengo começa a olhar para as eleições presidenciais de 2027. Landim possui o histórico de conquistas de sua administração, enquanto Bap procura sustentar seu projeto de gestão profissional e reorganização administrativa.

Apesar das críticas, Bap demonstrou força institucional em setembro, quando a reforma estatutária apoiada por sua administração recebeu mais de 92% dos votos dos conselheiros participantes.

O resultado daquela votação, porém, não elimina as divergências internas nem determina como será a próxima eleição.

Dois modelos sob avaliação

O Flamengo vive o contraste entre a memória de uma administração marcada por títulos, contratações importantes e crescimento financeiro e uma gestão atual que enfrenta questionamentos sobre seus investimentos e resultados.

A disputa pelo poder promete continuar. Enquanto isso, o clube precisa conciliar responsabilidade financeira, competitividade esportiva e planejamento para 2027, sem permitir que os conflitos administrativos prejudiquem o futebol.