O Flamengo decidiu transformar parte da força financeira e da memória de sua torcida em ajuda para quem também construiu a história do clube.

Lançado oficialmente na última semana, o Nação Legado ganhou novos detalhes nesta quinta-feira (24). Entre os objetivos do projeto está o auxílio financeiro a ex-jogadores rubro-negros que atualmente enfrentam situações de vulnerabilidade.

Os primeiros nomes confirmados são Paulo Henrique, lateral histórico que defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966, e Ubirajara Alcântara, goleiro que entrou para a história do futebol ao marcar um gol pelo Flamengo em 1970.

Mas a iniciativa vai além dos antigos jogadores.

O dinheiro arrecadado também será destinado à construção do miniestádio do Ninho do Urubu, à estrutura das categorias de base e do futebol feminino e ao projeto social Jogaremos Juntos, que atualmente atende mais de 1.200 crianças em oito comunidades do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.

A proposta do Flamengo é unir três momentos da história do clube: cuidar de quem ajudou a construir o passado, homenagear ídolos do presente e investir na próxima geração.

Ídolos que ajudaram a construir o Flamengo

A escolha de Paulo Henrique e Ubirajara como primeiros beneficiados ajuda a dimensionar o peso histórico da iniciativa.

Paulo Henrique vestiu a camisa do Flamengo por mais de uma década. De acordo com levantamento histórico do clube, foram 436 partidas pelo Rubro-Negro, entre 1960 e 1972.

O lateral também chegou à Seleção Brasileira e disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra.

Décadas depois, seu nome volta ao Flamengo não apenas como parte de um arquivo ou de uma fotografia histórica, mas como um dos antigos atletas que receberão suporte através do novo projeto.

Ubirajara Alcântara também ocupa um espaço peculiar na história rubro-negra.

Em setembro de 1970, numa partida contra o Madureira, o goleiro cobrou um tiro de meta e acabou marcando um gol. O lance entrou para os registros históricos e levou Ubirajara ao Guinness Book.

A escolha dos ex-atletas que receberão auxílio terá participação do Flamengo Legends, grupo que reúne antigos jogadores do clube.

A ideia é identificar nomes que fizeram parte da história rubro-negra e que atualmente precisam de apoio.

Torcedor também participa do projeto

A arrecadação acontece através do chamado Lance Histórico, um leilão beneficente criado dentro do Nação Legado.

A primeira etapa é digital e permite participação de torcedores com contribuições a partir de R$ 50.

Além de receber um certificado digital oficial, os participantes também podem disputar uma das 131 vagas para um jantar e leilão beneficente, marcado para 30 de outubro, no Maracanã.

Arrascaeta e Bruno Henrique estarão entre as personalidades presentes.

Durante o evento haverá ainda uma ação diretamente ligada aos dois jogadores.

O Flamengo vai produzir bustos de Arrascaeta e Bruno Henrique na Gávea como reconhecimento à trajetória dos dois no clube. Parte do leilão permitirá que torcedores tenham seus nomes eternizados nos pedestais dessas homenagens.

Serão escolhidos 21 nomes: o maior lance terá inscrição nos dois bustos, enquanto os demais serão distribuídos entre os pedestais.

É uma forma encontrada pelo clube de transformar a relação emocional do torcedor com seus ídolos atuais em financiamento para projetos históricos, estruturais e sociais.

Miniestádio também receberá recursos

Outra parte importante do dinheiro será destinada ao futuro do Ninho do Urubu.

O Flamengo pretende concluir um miniestádio com capacidade prevista para cerca de 4.500 pessoas, que será utilizado principalmente pelas categorias de base e pelo futebol feminino.

O projeto inclui iluminação para jogos noturnos, vestiários, área para arbitragem, sala de controle de doping, estrutura administrativa e espaços para transmissão.

A previsão do clube é concluir a obra em 2027.

Nos últimos meses, o Flamengo já havia criado outras formas de financiamento para o projeto. Em parceria com a Brahma, por exemplo, parte do valor de pedidos feitos por torcedores através do Zé Delivery passou a ser direcionada para a construção.

Agora, o Nação Legado adiciona uma nova fonte de recursos.

A intenção é fazer do espaço uma espécie de pequena casa das categorias que hoje possuem dificuldade para atuar diante da torcida dentro do próprio centro de treinamento.

Mais de 1.200 crianças atendidas

Talvez a parte menos conhecida do projeto esteja fora do futebol profissional.

O Nação Legado também direcionará recursos para o Jogaremos Juntos, iniciativa da área de Responsabilidade Social do Flamengo que existe há quatro anos.

Atualmente, o programa atua em oito comunidades do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense e atende mais de 1.200 crianças.

As atividades não ficam restritas ao futebol.

O projeto trabalha com modalidades como futsal, basquete, vôlei, judô e ginástica artística, associando o esporte ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Entre as ações existentes está uma turma de ginástica artística para crianças neurodivergentes no Complexo do Alemão.

O programa também já começa a criar uma ponte direta com a formação esportiva do clube.

Pietro Lameira, por exemplo, chegou ao projeto ainda no sub-9 e atualmente integra as categorias de base do Flamengo.

O objetivo da área social é ampliar a iniciativa futuramente para outros estados.

Para um clube cuja torcida está espalhada por todo o Brasil, a ideia é que o projeto deixe de ficar concentrado apenas no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense.