A mudança no limite de estrangeiros colocou um novo problema na mesa do Flamengo. Só que, em vez de esperar os próximos anos para decidir quem poderá ou não ser relacionado, o clube já trabalha em uma alternativa para preservar parte da estrutura do elenco.
Segundo apuração do Fla Opina, o Flamengo pretende auxiliar Agustín Rossi, Guillermo Varela e Erick Pulgar caso os jogadores avancem com processos para obtenção da cidadania brasileira. Os três fazem parte do planejamento esportivo e possuem vínculos que mantêm seus futuros ligados ao Rubro-Negro.
Giorgian De Arrascaeta está em uma situação diferente. O uruguaio já iniciou há alguns anos o processo para obter a cidadania brasileira e aguarda a conclusão dos trâmites.
A estratégia ganha importância porque o Flamengo construiu nos últimos anos um elenco cada vez mais internacional. Atualmente são dez jogadores estrangeiros, e vários deles possuem contratos que avançam justamente pelo período em que as novas regras passarão a interferir cada vez mais na montagem das relações para os jogos.
A resposta do clube, portanto, não passa necessariamente por desmontar o elenco. Naturalizar jogadores que já construíram relação longa com o Brasil pode abrir espaço para que o Flamengo mantenha seu poder de atuação no mercado sul-americano.
Rossi vê com bons olhos cidadania brasileira
Agustín Rossi é um dos casos que mais interessam ao Flamengo.
O argentino está no clube desde 2023, consolidou-se como goleiro titular e possui contrato até dezembro de 2027. O Rubro-Negro também já demonstrou interesse em ampliar sua permanência.
Rossi já conversou sobre a possibilidade de obter a cidadania brasileira e vê a ideia com bons olhos. O goleiro possui vínculos familiares com o país e não descarta transformar a relação construída com o Brasil em algo permanente.
No entanto, há uma diferença importante: Rossi afirmou recentemente que não possui atualmente um processo formal de naturalização em andamento.
É justamente aí que entra o movimento do Flamengo.
A intenção do clube é oferecer suporte caso o goleiro decida avançar definitivamente com o processo. Para o Rubro-Negro, a possibilidade tem duas vantagens: manter por mais tempo um jogador considerado importante e, no futuro, deixar de utilizar uma vaga destinada a estrangeiros na relação das partidas.
Não significa que a cidadania sairia imediatamente. A legislação brasileira estabelece requisitos próprios, e tempo de permanência no país não significa concessão automática da nacionalidade.
Mas o interesse existe dos dois lados.
Varela e Pulgar estão há mais tempo no Brasil
Guillermo Varela e Erick Pulgar também entram nessa estratégia.
Os dois chegaram ao Flamengo em 2022 e completaram quatro anos de atuação no futebol brasileiro em 2026. Pela regra geral da naturalização ordinária, quatro anos de residência podem permitir o início do pedido, desde que os demais requisitos legais sejam atendidos.
O Flamengo pretende ajudar os atletas na parte administrativa e documental caso exista a decisão de iniciar os processos.
Varela renovou seu contrato e está ligado ao clube até dezembro de 2027. O uruguaio ganhou importância no elenco e segue dentro do planejamento para a lateral direita.
Pulgar possui um horizonte ainda mais longo.
O chileno renovou até dezembro de 2029 e, mesmo depois de despertar interesse de outros mercados, permaneceu no Flamengo. É justamente esse tipo de contrato que faz a diretoria olhar para a questão com antecedência.
Se o jogador está nos planos por mais três temporadas, sua condição dentro das regras de inscrição também passa a fazer parte da estratégia esportiva.
Arrascaeta está alguns passos à frente
Entre os quatro jogadores, Arrascaeta é quem está mais avançado.
O uruguaio vive no Brasil desde 2015, quando chegou ao Cruzeiro, e está no Flamengo desde 2019. O processo para obtenção da cidadania brasileira começou ainda em 2023, muito antes da atual mudança promovida pela CBF.
Até agora, porém, a naturalização não foi concluída.
Para o Flamengo, resolver a situação de Arrascaeta teria peso imediato no planejamento. O camisa 10 tem contrato até dezembro de 2028 e continua como uma das principais referências técnicas da equipe.
Nesse caso, o clube não precisa convencer o jogador a iniciar um novo caminho. O processo já existe. A expectativa é pela conclusão dos trâmites necessários para que o uruguaio também passe a ter nacionalidade brasileira.
Não é apenas uma questão para 2027
A discussão interna do Flamengo não está restrita à próxima temporada.
O clube percebe que precisa adaptar também sua política de contratações.
Rossi, Varela, Pulgar e Arrascaeta representam uma primeira possibilidade porque já possuem uma ligação construída com o Brasil. Outros estrangeiros chegaram mais recentemente e ainda estão distantes de uma situação semelhante.
Isso significa que cada contratação feita daqui para frente precisará considerar não apenas qualidade, idade, salário e valor de mercado. A nacionalidade do jogador também ganha peso maior dentro da composição do elenco.
Para um clube que tradicionalmente busca reforços na Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Equador, perder flexibilidade nesse mercado poderia limitar opções.
As naturalizações aparecem como uma maneira de evitar que jogadores importantes tenham de disputar espaço entre si simplesmente pelo passaporte.
O Flamengo não pretende abandonar o mercado estrangeiro. O movimento é justamente o contrário: encontrar maneiras de continuar utilizando esse mercado sem permitir que a composição atual do elenco se transforme em um problema nos próximos anos.




