Família Neymar banca R$ 12 mi e amplia peso no Santos

A participação da família Neymar nos bastidores do Santos ganhou um novo capítulo — e desta vez não envolve apenas a permanência do camisa 10 dentro de campo.

A NR Sports, empresa de Neymar Pai e Nadine Bastos, disponibilizou R$ 12 milhões à vista para que o Santos quitasse uma dívida com o Monaco e derrubasse o transfer ban imposto pela Fifa.

O pagamento devolveu imediatamente ao clube a possibilidade de registrar novos jogadores e já permitiu o avanço para a contratação de Arthur Melo, que passou por exames nesta sexta-feira e está perto de ser anunciado.

Mas os R$ 12 milhões não foram simplesmente uma doação ao Santos.

Em troca do aporte, a empresa da família Neymar recebeu o direito de negociar seis propriedades comerciais atualmente disponíveis no uniforme alvinegro.

O que a família Neymar recebeu em troca?

O acordo envolve seis espaços publicitários:

meião; parte frontal do calção; parte posterior do calção; número da camisa; espaço externo central no peito; barra traseira da camisa.

A NR Sports poderá buscar empresas interessadas nesses espaços e também utilizar marcas ligadas à própria família.

O Santos estima que, em um cenário otimista, a comercialização das seis propriedades possa gerar entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões.

A estrutura financeira do acordo é importante.

Primeiro, a NR Sports recupera os R$ 12 milhões que antecipou para o pagamento ao Monaco.

Somente depois dessa recuperação é que o excedente obtido com os patrocínios será dividido entre a empresa e o Santos.

Quanto pode sobrar depois dos R$ 12 milhões?

Aqui aparece um dado interessante.

Se os seis espaços atingirem o teto projetado de R$ 20 milhões, haverá potencialmente R$ 8 milhões acima do valor inicialmente aportado.

Se a receita ficar em R$ 18 milhões, o excedente será de aproximadamente R$ 6 milhões.

Esse dinheiro adicional é que poderá posteriormente ser dividido conforme as condições previstas no contrato.

Portanto, a família Neymar não apenas resolveu uma emergência de caixa.

Passou também a participar diretamente de uma operação comercial criada em torno de espaços que estavam vagos no uniforme do Santos.

Por que o Santos precisava dos R$ 12 milhões?

A punição da Fifa estava relacionada a uma dívida com o Monaco pela contratação de Jean Lucas, realizada em 2023.

O débito girava em torno de € 2 milhões e impedia o Santos de registrar reforços.

A situação se tornou especialmente urgente porque o clube estava tentando fortalecer o elenco nesta janela.

A NR Sports então colocou o valor necessário imediatamente à disposição.

Na quinta-feira, o Santos efetuou o pagamento e voltou a ficar apto a registrar jogadores.

Arthur Melo foi o primeiro efeito prático

O resultado esportivo do pagamento apareceu rapidamente.

O volante Arthur Melo, ex-Grêmio, Barcelona e Juventus, chegou para realizar exames médicos antes de assinar com o Santos.

O jogador estava livre no mercado depois de deixar a Juventus e vinha sendo tratado como uma das prioridades do clube.

Neymar também participou das conversas para aproximar Arthur da Vila Belmiro.

Sem a retirada do transfer ban, porém, mesmo que existisse acordo com o jogador, o Santos não poderia registrá-lo.

Os R$ 12 milhões, portanto, tiveram efeito direto no planejamento esportivo.

A relação financeira vai muito além desse aporte

O episódio ganha outra dimensão quando colocado ao lado de uma segunda negociação envolvendo Santos e NR Sports.

Também nesta sexta-feira, foi revelado que o clube chegou a um novo acordo para reorganizar a dívida referente aos direitos de imagem de Neymar.

O Santos reconheceu um débito de R$ 90,5 milhões.

Depois de antecipar pouco mais de R$ 11 milhões em julho, permaneceu um saldo próximo de R$ 80 milhões.

Esse montante poderá ser parcelado por até 80 meses, com prestações próximas de R$ 1 milhão mensais.

É importante separar as duas operações.

Uma trata da dívida de imagem de Neymar.

A outra é o aporte de R$ 12 milhões utilizado especificamente para resolver o transfer ban.

Mas, vistas em conjunto, elas mostram como a relação entre Santos e família Neymar ultrapassou há muito tempo a presença do jogador dentro de campo.

Jogador, credor, parceiro e agora agente comercial

A relação atual possui diferentes camadas.

Neymar é jogador do Santos.

Sua empresa familiar possui valores elevados a receber do clube.

A mesma empresa forneceu liquidez emergencial para resolver uma dívida internacional.

E agora recebeu propriedades comerciais do uniforme para negociar no mercado publicitário.

Não há irregularidade nisso por si só.

O ponto relevante é perceber que uma parte importante da operação financeira e comercial recente do Santos está conectada à família de seu principal jogador.

É uma proximidade incomum mesmo para os padrões do futebol brasileiro.

Por que o Santos aceitou o modelo?

Do lado santista, existe uma lógica clara.

O clube precisava de R$ 12 milhões imediatamente.

Conseguir essa quantia sem esperar por nova receita permitiu:

retirar a punição da Fifa; voltar ao mercado; registrar reforços; acelerar a contratação de Arthur; transformar espaços comerciais vagos em uma possível fonte de receita.

Se o Santos não conseguia monetizar aqueles espaços sozinho naquele momento, entregar sua comercialização a um parceiro que fornece liquidez pode fazer sentido.

O risco está na dependência.

Quanto mais operações essenciais do clube precisarem da intervenção de uma mesma empresa ligada a um jogador, maior será a importância dessa relação para o funcionamento financeiro da instituição.

O que acontece agora?

Existem dois pontos para acompanhar.

O primeiro é quanto a NR Sports conseguirá efetivamente arrecadar com os seis espaços.

A projeção de R$ 18 milhões a R$ 20 milhões não representa receita garantida. Para chegar a esses valores, será necessário encontrar patrocinadores dispostos a pagar pelos espaços.

O segundo é esportivo.

Com o transfer ban encerrado, o Santos voltou ao mercado e Arthur deve ser apenas o primeiro movimento.

Ou seja, o dinheiro colocado pela família Neymar não resolveu apenas uma dívida antiga.

Ele destravou a janela de transferências do clube.