Palmeiras supera R$ 2,4 bi em vendas na era Leila

O Palmeiras ultrapassou uma marca que ajuda a explicar parte da força financeira construída pelo clube nos últimos anos.

Desde o início de 2022, quando começou a gestão de Leila Pereira, o clube calcula ter realizado € 414,2 milhões em vendas diretas de jogadores, valor equivalente a aproximadamente R$ 2,4 bilhões.

Foram 27 negociações envolvendo atletas do futebol masculino.

O número por si só já impressiona. Mas um levantamento do Fla Opina sobre essas operações mostra que o ponto mais relevante não está apenas no total arrecadado.

Está na origem do dinheiro.

Das 27 vendas, 18 envolveram jogadores formados nas categorias de base do Palmeiras.

Isso significa que aproximadamente 66% das negociações realizadas durante o período vieram das Crias da Academia.

Cinco jogadores produziram 58% de toda a receita

O Fla Opina também separou as cinco maiores transferências registradas pelo Palmeiras na gestão Leila.

Todas são de jogadores formados no clube:

Endrick: € 72 milhões — Real Madrid; Estêvão: € 61,5 milhões — Chelsea; Allan: € 40 milhões — Manchester City; Vitor Reis: € 37 milhões — Manchester City; Luis Guilherme: € 30 milhões — West Ham.

Somadas, essas cinco operações chegam a € 240,5 milhões.

Isso representa aproximadamente 58% dos € 414,2 milhões arrecadados pelo Palmeiras nas 27 vendas diretas do período.

Ou seja: mais da metade de toda a receita foi produzida por apenas cinco jogadores — e todos passaram pela formação alviverde.

Esse talvez seja o dado mais relevante por trás dos R$ 2,4 bilhões.

Base deixou de ser apenas fornecedora de jogadores

Durante muitos anos, a categoria de base dos grandes clubes brasileiros era vista principalmente como uma maneira de revelar atletas para completar o elenco profissional.

O Palmeiras transformou essa lógica.

A Academia passou a funcionar também como um dos principais ativos econômicos do clube.

Endrick e Estêvão são os exemplos mais conhecidos, mas o modelo não dependeu apenas de duas vendas extraordinárias.

Danilo foi negociado por € 20 milhões, Kevin por € 15 milhões, Gabriel Veron por € 10 milhões, Giovani por € 9 milhões e outros jovens também geraram receitas relevantes.

Isso ajuda a explicar por que 18 das 27 operações da era Leila vieram da formação.

E o número de R$ 2,4 bilhões ainda não conta tudo

Existe outro detalhe importante.

O cálculo de € 414,2 milhões utilizado pelo próprio Palmeiras considera as vendas diretas, incluindo valores fixos e bônus previstos nas operações.

Mas não inclui necessariamente todo o dinheiro que pode entrar posteriormente através de percentuais mantidos em futuras negociações.

Jhon Jhon é um bom exemplo.

O Palmeiras vendeu inicialmente o meio-campista ao Red Bull Bragantino por € 7 milhões, mas manteve 20% de seus direitos. Quando o jogador posteriormente foi negociado com o Zenit, o clube voltou a receber dinheiro.

Portanto, a capacidade de monetização não termina necessariamente no momento da primeira transferência.

Richard Ríos mostra outro caminho

Nem toda a receita veio da base.

Entre os jogadores contratados pelo Palmeiras e posteriormente vendidos, o maior exemplo é Richard Ríos.

O clube desembolsou cerca de R$ 6 milhões para contratá-lo do Guarani em 2023.

Dois anos depois, negociou o volante com o Benfica por € 30 milhões.

É um segundo modelo de geração de receita: identificar um jogador por valor relativamente baixo, desenvolvê-lo esportivamente e revendê-lo por um preço muito superior.

Mas esse tipo de operação representa uma parcela menor do total.

O grande motor continua sendo a base.

O contraponto que interessa ao Flamengo

Para o torcedor do Flamengo, o número do Palmeiras também provoca uma discussão inevitável sobre gestão de ativos.

O Flamengo possui uma das categorias de base mais fortes do país e também realizou grandes vendas nos últimos anos.

Mas algumas operações recentes adotaram estratégias diferentes.

Alan Santos, por exemplo, acertou transferência para o Benfica sem pagamento imediato ao Flamengo, enquanto o Rubro-Negro permaneceu com 50% dos direitos econômicos para tentar lucrar em uma negociação futura.

Kaio Nóbrega também teve saída negociada para Portugal em modelo sem receita imediata, com o Flamengo preservando percentual econômico.

Isso não significa necessariamente que o clube esteja “dando jogadores de graça”.

A estratégia é diferente: abrir mão de dinheiro imediato para preservar participação numa eventual valorização futura.

O problema é que esse modelo depende de uma condição: o jogador precisa valorizar depois que sair.

Plata e Wallace mostram outro lado

Também seria injusto analisar o Flamengo apenas pelas operações sem receita.

Nesta sexta-feira, o clube encaminhou simultaneamente as saídas de Gonzalo Plata e Wallace Yan, duas negociações que gerarão recursos ao caixa rubro-negro.

Portanto, o debate não é simplesmente afirmar que Palmeiras vende e Flamengo não vende.

A questão é outra:

qual clube consegue transformar com maior frequência seus ativos esportivos em receita relevante sem comprometer a competitividade do elenco?

É nesse ponto que os números do Palmeiras ganham força.

O modelo se retroalimenta

Uma base capaz de gerar jogadores para o profissional e posteriormente produzir grandes vendas cria um ciclo financeiro importante.

O dinheiro obtido nas transferências pode voltar para:

estrutura das categorias de formação; contratações para o elenco principal; aumento de salários; manutenção de jogadores importantes; infraestrutura; equilíbrio financeiro.

E quando o processo funciona repetidamente, o clube reduz sua dependência de uma única grande venda.

Esse é provavelmente o principal mérito dos números alcançados pelo Palmeiras.

Não se trata apenas de ter vendido Endrick e Estêvão.

Foram 27 operações em menos de cinco anos.

A marca ainda deve aumentar

Os R$ 2,4 bilhões também não representam necessariamente o fechamento definitivo da conta na atual gestão.

O Palmeiras mantém negociações e jogadores valorizados em seu elenco e nas categorias de base.

Riquelme Fillipi, por exemplo, está em conversas para ser negociado com o Inter Miami por valores entre € 5,5 milhões e € 6 milhões por 60% dos direitos econômicos.

Se a transferência for concluída, o total continuará crescendo.