Natan voltou ao centro do mercado europeu e, desta vez, com um dos maiores clubes do mundo observando seus passos. O zagueiro revelado pelo Flamengo entrou no radar do Barcelona após se valorizar no Real Betis, da Espanha. O interesse, confirmado pelo empresário André Cury, reacende uma discussão antiga: o Flamengo aproveitou corretamente o potencial do defensor quando decidiu negociá-lo tão jovem?

Segundo o jornal espanhol AS, André Cury afirmou que o Barcelona demonstrou interesse em Natan e já conversou com dirigentes do Betis. Ainda não existe proposta oficial. O agente disse acreditar que o clube espanhol poderá negociar o brasileiro caso receba uma oferta satisfatória.

Natan vive um processo consistente de valorização. O Betis exerceu em 2025 a opção de compra prevista no empréstimo junto ao Napoli e firmou contrato com o zagueiro até 2030. Depois de uma temporada de destaque, o defensor passou a ser tratado como um dos principais ativos do elenco.

Betis vê Natan como ativo valioso

O AS aponta que Natan foi o jogador do Betis com mais minutos na última temporada. O desempenho aumentou seu prestígio e colocou seu nome no mercado. O Transfermarkt estima atualmente o zagueiro em 25 milhões de euros.

O Betis não tem uma oferta oficial do Barcelona neste momento. A informação relevante é que existe interesse e contato entre os clubes, segundo o representante do atleta. Para uma equipe que adquiriu Natan do Napoli por cerca de 9 milhões de euros, uma futura venda poderia representar nova valorização expressiva.

O caminho até a Espanha começou no Flamengo. Em 2021, Natan foi emprestado ao Red Bull Bragantino por R$ 5 milhões. O acordo previa obrigação de compra caso ele atingisse 20 partidas atuando por mais de 45 minutos. A meta foi alcançada e o clube paulista pagou outros R$ 22 milhões.

Na operação, o Bragantino adquiriu 48% dos direitos econômicos que pertenciam ao Flamengo. O Rubro-Negro, que possuía 60%, manteve 12% pensando em uma venda futura.

Bragantino valorizou e vendeu para a Europa

Dois anos depois, o Bragantino negociou Natan com o Napoli por aproximadamente 10 milhões de euros, cerca de R$ 53 milhões na cotação da época. Como ainda detinha 12% dos direitos econômicos, o Flamengo também recebeu uma parcela da transferência.

A participação futura amenizou a saída, mas não encerra o debate sobre a negociação original. Natan deixou o Flamengo aos 20 anos e encontrou no Bragantino espaço para jogar regularmente, desenvolver seu futebol e aumentar seu valor de mercado.

Depois vieram Napoli e Betis. Agora, aos 25 anos, seu nome aparece ligado ao Barcelona, enquanto o clube espanhol o trata como um ativo importante e só considera uma saída mediante proposta relevante. A trajetória de Natan também reforça um debate recorrente no futebol brasileiro: o momento certo de negociar um jogador formado na base. Quando deixou o Flamengo, o zagueiro ainda estava em processo de afirmação e precisava de uma sequência maior de partidas. No Bragantino, encontrou exatamente esse espaço, ganhou minutos, amadureceu e passou a chamar atenção de clubes europeus.

Esse desenvolvimento mostra como o valor de um atleta pode mudar rapidamente quando ele recebe continuidade. O Flamengo preservou uma participação nos direitos econômicos e, por isso, ainda participou financeiramente de uma transferência posterior. Mesmo assim, a diferença entre o valor obtido na saída inicial e o patamar alcançado pelo jogador anos depois mantém aberta a discussão sobre se o clube poderia ter esperado mais antes de negociar.

Agora, com Natan consolidado na Europa e citado no mercado de um clube do tamanho do Barcelona, a antiga operação volta ao centro do debate. Não se trata de afirmar que o Flamengo conseguiria prever todo o caminho do defensor, mas de analisar se um clube com estrutura e capacidade financeira para desenvolver jovens deveria ser mais paciente com determinados talentos antes de transformá-los em receita.