O Conselho de Administração do Flamengo aprovou, na quarta-feira (28), a revisão do orçamento para 2026. A decisão ajusta as projeções financeiras do clube depois de investimentos relevantes no elenco e de receitas que não atingiram os valores inicialmente previstos.
A revisão foi aprovada por maioria numa reunião com 56 conselheiros. O procedimento está previsto no Estatuto e permite atualizar as previsões orçamentárias conforme os resultados efetivamente apresentados ao longo do exercício.
Embora algumas metas não tenham sido alcançadas, os números divulgados pelo Flamengo mostram crescimento das receitas recorrentes e melhoria dos indicadores operacionais.
RECEITAS CRESCEM, MAS METAS NÃO SÃO TOTALMENTE ATINGIDAS
Segundo o balanço apresentado pelo clube, a receita recorrente projetada para 2026 aumentou 20% em relação a 2025. Esse indicador reúne fontes de arrecadação que tendem a repetir-se, sem depender diretamente de acontecimentos extraordinários.
Outro dado relevante é o EBITDA recorrente, que praticamente dobrou na comparação anual. A margem operacional recorrente projetada chegou a 25%, acima dos 19% registrados em 2024, um avanço de seis pontos percentuais.
Esses resultados indicam uma evolução da capacidade operacional do Flamengo. Entretanto, o crescimento não significa que todas as metas estabelecidas no orçamento original tenham sido cumpridas.
PAQUETÁ, PLATA E MARACANÃ EXPLICAM PARTE DOS AJUSTES
A contratação de Lucas Paquetá aparece entre os fatores que influenciaram as contas de 2026. Como a aquisição foi concretizada no início do ano, o investimento teve impacto integral no exercício.
Outro ponto foi a negociação não concretizada de Gonzalo Plata. De acordo com o Flamengo, o clube comprador desistiu da transferência depois de os termos definitivos terem sido acordados. Com isso, uma receita esperada deixou de entrar nas contas.
O Maracanã também apresentou uma situação particular. A arrecadação do estádio cresceu 20% em relação a 2025, mas ficou abaixo do orçamento inicial.
A diferença está relacionada à previsão de um contrato de naming rights, que permitiria a comercialização dos direitos de nome do estádio. O acordo não foi concretizado em 2026.
ENDIVIDAMENTO APRESENTA MELHORIA NO INDICADOR
A relação entre endividamento e EBITDA recorrente passou de 1,8 vez, em dezembro de 2024, para 1,2 vez na projeção atual.
Isso representa uma redução de aproximadamente 33% no indicador de alavancagem, embora não signifique necessariamente uma queda equivalente no valor absoluto das dívidas.
A administração considera o patamar confortável, mas o resultado também precisa ser acompanhado pela evolução das obrigações financeiras e pela capacidade de manter receitas recorrentes.
A revisão do orçamento revela, portanto, duas realidades: o Flamengo apresenta crescimento operacional, mas precisou ajustar expectativas diante de investimentos elevados e receitas que não se concretizaram.
O desafio agora é transformar essa evolução financeira em estabilidade, mantendo capacidade de investimento sem comprometer o equilíbrio das contas nos próximos exercícios.








