Lucas Paquetá começou a encontrar um espaço diferente no Flamengo de Leonardo Jardim.

Nem sempre como titular absoluto. Nem sempre atuando na mesma posição. Mas cada vez mais importante para as diferentes soluções que o treinador português procura dentro de uma partida.

Na vitória por 2 a 0 sobre o Mirassol, o camisa 20 marcou um dos gols, completou os 90 minutos e voltou a mostrar uma característica que começa a ganhar peso no planejamento rubro-negro: a capacidade de desempenhar mais de uma função no meio-campo.

Paquetá iniciou a partida em uma posição mais avançada, formando o setor com Jorginho e Pulgar. Depois das mudanças provocadas pelos problemas físicos dos volantes, terminou o jogo atuando mais atrás.

E respondeu bem.

Dez gols e uma nova meta

O gol diante do Mirassol também teve significado pessoal.

Paquetá chegou a dez gols desde o retorno ao Flamengo, atingindo a meta que havia estabelecido para a temporada.

Agora, o objetivo mudou.

O próprio jogador revelou que pretende dobrar a marca e alcançar 20 gols em 2026, o que representaria sua temporada mais artilheira pelo clube.

O número é relevante porque Paquetá nunca foi um meio-campista avaliado exclusivamente pela quantidade de gols.

Sua principal característica sempre esteve na capacidade de participar de diferentes momentos do jogo: construção, chegada à área, pressão, condução e recomposição.

No Flamengo atual, essa variedade começa a ser explorada por Leonardo Jardim.

Jardim encontra diferentes Paquetás

Contra o Mirassol, Paquetá começou mais próximo do ataque.

Com Jorginho e Pulgar responsáveis pela organização inicial, teve liberdade para avançar, aproximar-se de Pedro e aparecer na entrada da área.

Foi justamente assim que surgiu seu gol.

Mas o cenário da partida mudou.

Pulgar deixou o campo depois de sofrer uma pancada na coxa direita. Evertton Araújo, que entrou em seu lugar, também sentiu um problema físico.

Jardim precisou reorganizar o meio.

Paquetá recuou.

Em vez de perder influência, passou a participar mais da saída de bola e dividiu com Jorginho a responsabilidade pelo setor central.

Essa capacidade de adaptação explica por que Jardim vem valorizando tanto o jogador.

Titular ou 12º jogador?

Existe uma discussão interessante no atual Flamengo.

Paquetá é um dos jogadores tecnicamente mais completos do elenco, mas enfrenta concorrência pesada.

Jorginho ocupa uma função central na organização da equipe. Pulgar oferece equilíbrio e capacidade de recuperação. Mais à frente, Jardim dispõe de Arrascaeta, Carrascal e outras alternativas para organizar o ataque.

Isso faz com que Paquetá não tenha necessariamente uma posição exclusiva.

Pode parecer um problema.

Na prática, pode tornar-se exatamente sua maior vantagem.

Desde que retornou de lesão, o camisa 20 foi utilizado como titular em apenas parte dos jogos. Mesmo assim, segue entrando constantemente e oferecendo alternativas diferentes dependendo da necessidade da partida.

É a lógica do chamado “12º jogador”: alguém que pode começar fora, mas está entre as primeiras opções quando o treinador precisa mudar a estrutura do time.

Os 90 minutos também importam

A partida contra o Mirassol trouxe outro sinal positivo.

Paquetá completou os 90 minutos pela primeira vez desde a lesão muscular sofrida durante a Copa do Mundo.

O dado ajuda a explicar por que Jardim vinha utilizando o jogador com cautela.

Uma coisa é estar clinicamente recuperado. Outra é recuperar ritmo, confiança física e capacidade para suportar a intensidade de uma partida inteira.

Contra o Mirassol, esse passo foi dado.

E justamente em um momento importante da temporada.

O Flamengo entra agora em uma sequência que envolve disputa direta pelo Campeonato Brasileiro e mata-mata de Libertadores.

Quanto mais opções Jardim tiver para modificar seu meio-campo sem reduzir o nível técnico, maior será a capacidade de administrar desgaste e adversários diferentes.

Paquetá pode ser mais valioso sem posição fixa

Existe uma tendência natural no futebol de tentar encaixar cada jogador em uma função definitiva.

Primeiro volante.

Segundo volante.

Meia.

Ponta.

Paquetá nunca foi tão simples assim.

Desde o início da carreira, sua capacidade de circular por diferentes setores foi uma das características que chamaram atenção. Na Europa, também desempenhou funções distintas dependendo do treinador e do adversário.

Jardim parece começar a aproveitar exatamente isso.

Em vez de perguntar apenas qual é a melhor posição de Paquetá, talvez o Flamengo esteja descobrindo algo mais útil:

em quantas posições ele consegue fazer o time jogar melhor?

A resposta contra o Mirassol foi bastante positiva.