O Flamengo entra em campo neste fim de semana contra o Remo, no Mangueirão, sabendo que pode dar um passo enorme na disputa pelo Campeonato Brasileiro.
Hoje, a distância para o Palmeiras é de apenas um ponto. Se o Flamengo fizer o seu papel em Belém e o rival paulista tropeçar, o Rubro-Negro poderá assumir pela primeira vez nesta edição do campeonato a liderança por pontos ganhos.
E, olhando para o momento das duas equipes, vejo o Flamengo com total condição de vencer.
O time melhorou. Ainda apresenta altos e baixos dentro de uma mesma partida, algo que precisa ser corrigido imediatamente porque entramos na fase decisiva da temporada, mas já é possível perceber uma equipe mais forte e com mais alternativas.
Contra o Mirassol, principalmente no primeiro tempo, gostei bastante do que vi.
E é justamente por isso que, se tivesse de escolher hoje, eu repetiria a base da escalação que iniciou aquela partida.
Eu manteria Paquetá e Carrascal
O Flamengo começou contra o Mirassol com Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Paquetá; Carrascal, Samuel Lino e Pedro.
Para mim, esse desenho deixou a equipe mais forte.
Naturalmente, a situação física de Pulgar precisa ser acompanhada depois da pancada sofrida na coxa. Se estiver em condições, eu o manteria.
Mas o ponto principal está mais à frente.
Hoje, eu começaria novamente com Lucas Paquetá e Carrascal.
Paquetá vem crescendo muito. Contra o Mirassol, na minha avaliação, foi um dos grandes destaques da partida. Marcou, apareceu para o jogo e mostrou capacidade para ajudar em diferentes zonas do meio-campo.
É um jogador que oferece força física, qualidade técnica e intensidade.
E isso pesa principalmente num jogo fora de casa.
Carrascal também vive um momento muito bom. Dá dinâmica, disputa cada lance, procura o jogo e vem participando diretamente dos gols do Flamengo.
Com os dois juntos, vejo um Flamengo mais intenso e mais preparado para competir no meio-campo.
Arrascaeta vive um momento abaixo
Isso inevitavelmente abre uma discussão sobre Giorgian De Arrascaeta.
Não estou colocando em dúvida a qualidade do uruguaio. Seria absurdo fazer isso diante de tudo que ele já entregou com a camisa do Flamengo.
Mas futebol também é momento.
E, para mim, Arrascaeta atravessa uma fase complicada.
Tem errado passes que normalmente não erra, aparece algumas vezes desatento e está produzindo abaixo daquilo que sabemos que pode entregar.
Contra o Mirassol, entrou no segundo tempo e não conseguiu melhorar o Flamengo.
Por isso, neste momento específico, eu não mexeria em Paquetá e Carrascal simplesmente para colocar Arrascaeta no time pelo peso do nome.
Quem está melhor precisa jogar.
Arrascaeta continuará sendo fundamental na temporada e certamente terá oportunidades para recuperar seu melhor futebol. Mas o Flamengo entrou numa fase em que não pode escalar jogador apenas pelo histórico.
É preciso aproveitar quem está entregando mais.
Samuel Lino hoje desequilibra
Outro jogador que merece destaque é Samuel Lino.
Para mim, hoje ele está entre os melhores jogadores deste Campeonato Brasileiro.
Samuel Lino está desequilibrando.
Ganha duelos, cria situações ofensivas e passou a assumir um protagonismo que o Flamengo precisava pelos lados do campo.
Quando um jogador entra numa fase dessas, precisa ser explorado.
E o Flamengo possui várias individualidades vivendo momentos importantes.
Se formos falar de todas, vamos passar o dia inteiro.
Jorginho, por exemplo, é fundamental para o funcionamento do time. A qualidade que oferece na saída de bola muda completamente a maneira como o Flamengo consegue controlar determinados momentos da partida.
Pulgar também é importantíssimo pelo equilíbrio que entrega entre marcação e construção.
Pedro continua sendo uma referência de altíssimo nível.
Carrascal cresce.
Paquetá cresce.
Samuel Lino decide.
É justamente a soma dessas peças que mostra o tamanho da diferença entre os elencos de Flamengo e Remo.
Valencia e Joaquín aumentam ainda mais as opções
Leonardo Jardim poderá ganhar mais duas alternativas no Mangueirão.
Anthony Valencia e Joaquín Freitas já estão regularizados e podem fazer suas estreias.
Os dois chegaram ao Flamengo justamente em meio à turbulência provocada pela negociação frustrada de Gonzalo Plata com o Dínamo de Moscou.
Plata parecia fora dos planos, viajou para concluir sua transferência, teve o negócio cancelado e agora volta a integrar o planejamento rubro-negro.
Enquanto tudo isso acontecia, o Flamengo contratou dois jogadores jovens para aumentar as alternativas ofensivas.
Talvez Jardim nem utilize Valencia e Joaquín imediatamente.
Mas saber que eles já podem ser relacionados é importante numa fase em que o calendário ficará cada vez mais pesado.
A diferença de elenco é gigantesca
Mesmo jogando fora de casa, não existe motivo para fugir da realidade:
o Flamengo é favorito contra o Remo.
O Mangueirão estará cheio.
A torcida do Remo vai pressionar.
O adversário luta contra o rebaixamento e certamente encarará a partida como uma decisão.
Tudo isso torna o jogo mais complicado.
Mas existe uma diferença gigantesca entre os dois elencos.
O Flamengo possui jogadores de nível internacional em praticamente todos os setores e um banco capaz de modificar completamente uma partida.
Portanto, reconhecer as dificuldades de jogar em Belém não significa diminuir a responsabilidade rubro-negra.
O Flamengo precisa entrar para vencer.
Favoritismo exige comportamento de favorito
E aí está o principal cuidado.
Ser melhor tecnicamente não garante três pontos.
O Flamengo já mostrou durante a temporada que consegue produzir excelentes momentos e, dentro do mesmo jogo, reduzir demais a intensidade.
Contra o Mirassol aconteceu novamente.
O primeiro tempo foi muito bom.
No segundo, a equipe caiu.
Esse comportamento precisa ser corrigido agora.
Estamos chegando numa fase em que Brasileiro e Libertadores começarão a cobrar qualquer minuto de desconcentração.
Contra o Remo, principalmente diante de um estádio cheio, permitir que o adversário cresça pode transformar uma partida controlada em sofrimento desnecessário.
O Flamengo precisa entrar focado, determinado e disposto a mostrar desde o início por que existe tamanha diferença entre os dois times.




