Durante muito tempo, qualquer análise sobre Pedro começava e terminava nos gols.
E havia motivo para isso.
O camisa 9 construiu sua trajetória no Flamengo justamente pela capacidade de finalizar, ocupar a área e transformar poucas oportunidades em gols.
Em 2026, porém, existe outra versão do atacante aparecendo.
Pedro continua marcando.
Mas passou também a criar.
Até 21 de agosto, o atacante acumulava 24 gols e sete assistências na temporada. No Campeonato Brasileiro, aparece entre os principais artilheiros, com 15 gols.
Os números mostram que o centroavante continua fazendo aquilo que sempre fez melhor.
Só que agora há mais.
Pedro passou a participar antes do último toque
Um dado ajuda a explicar essa mudança.
Na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, Pedro deu duas assistências na mesma partida.
Com os passes para gol, chegou a 44 assistências pelo Flamengo e igualou a marca de Gabigol pelo clube.
Para um jogador normalmente associado exclusivamente à conclusão, o número chama atenção.
Pedro tem aparecido com mais frequência fora da área, participado de tabelas e utilizado a capacidade técnica para acelerar jogadas em vez de apenas esperar a bola chegar.
Não virou meia.
Nem precisa.
O que mudou é que o Flamengo consegue aproveitar melhor outras características do camisa 9.
Jardim recuperou mais do que os gols
Pedro iniciou 2026 tentando recuperar espaço e protagonismo.
A mudança ficou evidente durante o primeiro semestre.
Em junho, quando o ge realizou uma votação para escolher o destaque do Flamengo até aquele momento, Pedro venceu com ampla vantagem.
Na ocasião, acumulava 19 gols e cinco assistências em 33 partidas, sendo 24 como titular.
Os números continuaram crescendo.
Mais importante: o atacante voltou a ser referência dentro do sistema ofensivo.
Leonardo Jardim encontrou uma maneira de aproximar outros jogadores do camisa 9.
Samuel Lino passou a circular mais por dentro.
Carrascal ganhou liberdade entre linhas.
E Pedro passou a funcionar também como ponto de apoio para essas movimentações.
Quando recebe de costas, pode prender o zagueiro.
Quando sai da área, abre espaço para Lino atacar profundidade.
Quando o adversário fecha seu chute, Pedro passou a encontrar o passe.
São pequenas mudanças que ajudam a explicar por que sua influência hoje vai além do número de gols.
O Flamengo ainda depende muito dele
A chegada de Joaquín Freitas não muda essa realidade imediatamente.
O argentino tem características diferentes.
É mais móvel, pode atuar como segundo atacante e não chega com o mesmo perfil de referência de área de Pedro.
Isso significa que o Flamengo ampliou opções ofensivas, mas ainda não possui no elenco uma cópia do camisa 9.
E talvez nem queira.
Pedro oferece uma combinação difícil de encontrar: presença física, jogo aéreo, finalização, proteção de bola e capacidade técnica para participar fora da área.
É justamente essa combinação que o torna tão difícil de substituir.
Os números já o colocam entre os grandes da história
Pedro não está apenas vivendo uma boa temporada.
Ele continua acumulando marcas históricas.
Em abril, tornou-se o maior artilheiro do Flamengo no século XXI, ultrapassando Gabigol. Naquele momento, já tinha 163 gols pelo clube.
Depois, também ultrapassou Gabigol em número de partidas e chegou às mesmas 44 assistências do antigo camisa 10 rubro-negro.
Na Libertadores, Pedro soma 28 gols pelo Flamengo e está próximo do recorde de Gabigol, que marcou 30.
Ou seja: aos poucos, a discussão deixa de ser apenas sobre a temporada atual.
Pedro está construindo posição entre os maiores atacantes da história recente do clube.




