A eliminação do Flamengo diante do Estudiantes na semifinal da Libertadores voltou a colocar Pedro no centro das discussões sobre o desempenho ofensivo da equipe. Escolhido por Leonardo Jardim para começar a partida decisiva no Maracanã, o camisa 9 não conseguiu transformar a oportunidade em uma atuação determinante para a classificação rubro-negra.

O atacante encerrou a Libertadores de 2026 com apenas dois gols em dez partidas, sendo três como titular. Nos cinco jogos que disputou durante a fase eliminatória, não balançou as redes.

Os números ganham ainda mais importância quando analisados ao lado das dificuldades ofensivas do Flamengo. No empate sem gols diante do Estudiantes, a equipe apresentou pouca eficiência para superar a defesa argentina, mesmo precisando vencer para avançar à final.

Pedro não pode carregar sozinho a responsabilidade pela eliminação, mas também não pode ficar imune às cobranças. Como referência ofensiva, espera-se que participe da construção das jogadas, ofereça alternativas aos companheiros e aproveite as oportunidades de finalização.

A dificuldade vai além dos gols

O desempenho de um centroavante não pode ser medido exclusivamente pelas bolas que coloca na rede. Movimentação, presença na área, disputa com os defensores e participação na criação ofensiva também fazem parte das exigências da posição.

É justamente nesse conjunto que as atuações recentes de Pedro merecem uma avaliação mais rigorosa.

Um atacante com sua qualidade técnica precisa oferecer soluções quando a equipe encontra dificuldades para criar. Quando sua participação diminui e as oportunidades não são aproveitadas, o prejuízo vai além da estatística individual: o Flamengo perde capacidade ofensiva em momentos decisivos.

Leonardo Jardim justificou a escolha de Pedro para enfrentar o Estudiantes destacando sua capacidade de participar do jogo posicional, diferentemente de Bruno Henrique, mais utilizado em situações de velocidade e transição.

A aposta, entretanto, não produziu o resultado esperado.

Cobranças de Filipe Luís voltam ao debate

As discussões sobre Pedro não começaram nesta Libertadores. Em julho de 2025, Filipe Luís fez uma cobrança pública contundente ao atacante por seu comportamento e rendimento nos treinamentos.

Na ocasião, o então treinador afirmou que a atitude do jogador havia sido lamentável e questionou sua dedicação às atividades da equipe.

Pedro respondeu publicamente, reconhecendo que seu rendimento nos treinos estava abaixo do esperado, mas também manifestando descontentamento com a forma como foi exposto.

O episódio é relevante porque mostra que a cobrança sobre a postura profissional do atacante já existia antes da atual comissão técnica. Isso, porém, não comprova que os problemas daquele período continuem acontecendo da mesma maneira.

Reclamações e responsabilidade dentro de campo

Em setembro deste ano, Pedro também demonstrou insatisfação ao ser substituído por Leonardo Jardim durante a vitória sobre o Bragantino. Após a partida, explicou que desejava permanecer em campo para marcar mais gols.

A vontade de jogar é legítima. Entretanto, decisões técnicas fazem parte do futebol, e jogadores precisam compreender que o interesse coletivo deve prevalecer sobre os objetivos individuais.

O Flamengo entra na reta final do Campeonato Brasileiro precisando de eficiência, comprometimento e respostas dos principais nomes do elenco.

Pedro possui qualidade para voltar a ser decisivo, mas seu histórico de gols não pode funcionar como proteção permanente contra críticas. O atacante precisa responder com desempenho, participação efetiva e capacidade de fazer a diferença quando recebe uma oportunidade.

Em um clube com as ambições do Flamengo, não basta ter reputação de goleador. É necessário demonstrar essa condição dentro de campo, especialmente quando a temporada exige resultados imediatos.