A decisão contra o Cruzeiro pela Libertadores colocou Leonardo Jardim diante de uma escolha que ganhou ainda mais peso nas últimas horas. Bruno Henrique voltou a treinar no Ninho do Urubu e tem grande chance de ficar à disposição para o jogo de quarta-feira, no Maracanã. Ao mesmo tempo, Pedro chega embalado por dois gols contra o Mirassol e pressiona por uma vaga entre os titulares.

Bruno Henrique havia ficado fora da viagem para Mirassol depois de sentir dores na região do tornozelo e da perna esquerda, consequência da entrada de Matheus Henrique no jogo de ida contra o Cruzeiro. O atacante apresentou melhora, participou do trabalho de campo na segunda-feira e aumentou a possibilidade de ser relacionado para a partida decisiva.

A recuperação reabre uma dúvida que acompanha o Flamengo na Libertadores. Desde o início da competição, Jardim tem utilizado Bruno Henrique como referência ofensiva em partidas importantes. Na ida das oitavas, no Mineirão, o treinador novamente deixou Pedro no banco e começou com Bruno Henrique no ataque.

A escolha tem uma explicação tática. Bruno Henrique oferece maior mobilidade para atacar espaços e participa de maneira mais intensa da pressão sobre a saída de bola adversária. No jogo de ida, o atacante apareceu em diferentes regiões do campo, criou oportunidades e ajudou o Flamengo a pressionar a defesa mineira.

Pedro, porém, tornou a decisão muito mais complicada. O camisa 9 marcou duas vezes na goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol e chegou a 14 gols no Campeonato Brasileiro, dividindo a artilharia da competição com Kevin Viveros, do Athletico-PR. O desempenho recolocou o centroavante no centro do debate antes do jogo mais importante da temporada até aqui.

Existe ainda uma marca histórica ao alcance do atacante. Pedro soma 28 gols pelo Flamengo na Libertadores e está a dois de Gabigol, que lidera a lista de maiores artilheiros rubro-negros no torneio continental com 30. Bruno Henrique aparece logo depois, com 24 gols.

Os números tornam o cenário curioso. O Flamengo precisa vencer para garantir a classificação sem depender dos pênaltis e pode ter no banco, caso Jardim mantenha a lógica utilizada até agora, um jogador em excelente momento e próximo de se tornar o maior goleador do clube na Libertadores.

Isso não significa que a opção por Bruno Henrique seja defensiva. O atacante teve participação ofensiva importante no Mineirão. Em uma das melhores oportunidades do primeiro tempo, recebeu de Arrascaeta e finalizou de primeira, com a bola passando perto do travessão. Também ajudou a equipe a ocupar diferentes zonas do ataque.

A questão para Jardim está no tipo de jogo que pretende construir no Maracanã. Se a ideia for pressionar o Cruzeiro desde a saída de bola e buscar recuperações rápidas no campo ofensivo, Bruno Henrique oferece características para esse plano. Se o Flamengo empurrar o adversário para perto da própria área, Pedro oferece presença, finalização e capacidade de decidir em poucos toques.

O empate por 1 a 1 no Mineirão deixou o confronto completamente aberto. Quem vencer avança às quartas de final. Uma nova igualdade leva a classificação para a disputa por pênaltis.

A decisão também acontece depois de uma atuação que aumentou a confiança do Flamengo. A goleada sobre o Mirassol mostrou uma equipe mais coletiva, com boa circulação de bola e participação de diferentes jogadores no ataque. Pedro foi um dos principais beneficiados dessa evolução e saiu do jogo fortalecido.

Jardim terá pouco tempo para definir sua escolha. O retorno de Bruno Henrique amplia as alternativas do treinador, mas também aumenta a responsabilidade da decisão. Independentemente de quem começar, o Flamengo terá no banco uma opção de alto nível para mudar o comportamento ofensivo durante a partida.