Erick Pulgar vive uma situação pouco comum. Titular e valorizado no Flamengo, o volante de 32 anos continua sendo considerado um dos principais jogadores chilenos em atividade, mas não entra em campo pela seleção de seu país desde outubro de 2024.
E não se trata apenas de ausência por opção do treinador.
Em 2026, Pulgar já recusou três convocações da seleção chilena. Nicolás Córdova confirmou publicamente que gostaria de contar com o jogador e chegou a viajar ao Rio de Janeiro para tentar aproximá-lo novamente da equipe.
Mesmo assim, Pulgar continua fora.
Agora, depois de semanas de especulações no Chile, o jogador resolveu falar e deixou uma frase que mantém a dúvida sobre o verdadeiro motivo do afastamento: existem “decisões pessoais e profissionais” que ele considera não precisar tornar públicas.
Três recusas em 2026
A primeira situação ocorreu em março.
Segundo a Cooperativa, do Chile, Pulgar pediu para não ser convocado para os amistosos contra Nova Zelândia e Cabo Verde porque pretendia permanecer no Rio de Janeiro e disputar espaço no Flamengo após a chegada de Leonardo Jardim.
Naquele momento, portanto, houve uma ligação direta entre a decisão de não servir à seleção e a carreira no clube.
Pulgar queria se firmar no novo trabalho que começava no Flamengo.
A situação voltou a acontecer em maio.
Quando questionado sobre a ausência, Nicolás Córdova deixou claro que não havia sido uma decisão técnica.
O treinador afirmou que Pulgar estava permanentemente no radar da seleção, classificou o volante como um dos principais jogadores chilenos atuando no exterior e confirmou que, por questões pessoais, o próprio atleta havia preferido não participar daquela convocação.
Em setembro veio a terceira negativa.
A imprensa chilena voltou a informar que Pulgar havia decidido ficar fora da equipe nacional. Desta vez, o caso ganhou ainda mais repercussão porque Córdova já havia tentado resolver pessoalmente a situação.
Técnico foi ao Rio conversar com Pulgar
Em agosto, Nicolás Córdova e Felipe Correa, gerente das seleções chilenas, viajaram ao Brasil.
Os dois acompanharam Pulgar pelo Flamengo e conversaram diretamente com o volante sobre o projeto da seleção para o próximo ciclo.
Segundo a imprensa chilena, a intenção era mostrar ao jogador que ele continuava sendo considerado importante e que havia espaço para Pulgar no processo pensando na Copa do Mundo de 2030.
Nem isso mudou sua decisão.
Poucas semanas depois, quando saiu a convocação para os amistosos contra Canadá, Estados Unidos e México, Pulgar novamente ficou fora por opção própria. Foi a terceira recusa do ano.
O jogador confirmou posteriormente que recebeu Córdova e deixou claro que não existe qualquer problema pessoal com o treinador.
Ainda assim, não revelou naquele momento o motivo completo para continuar afastado.
Flamengo aparece no centro da decisão
É justamente nesse ponto que o Flamengo aparece constantemente na história.
Na primeira recusa do ano, a informação publicada no Chile foi direta: Pulgar queria permanecer no Rio para ganhar espaço com Leonardo Jardim.
Na convocação mais recente, veículos brasileiros e chilenos voltaram a informar que o jogador optou por permanecer concentrado nos compromissos do Flamengo, que atravessa a fase decisiva da temporada.
Há, portanto, elementos concretos para afirmar que o momento profissional no Flamengo pesou em pelo menos parte das decisões.
O que não existe é uma declaração recente do próprio Pulgar dizendo que abandonou a seleção exclusivamente para conquistar títulos pelo clube.
E essa diferença é importante.
Pulgar renovou recentemente seu contrato com o Flamengo até 2029. O chileno está no clube desde 2022 e consolidou-se como peça importante do meio-campo rubro-negro. Na assinatura do novo vínculo, afirmou que permanecer era aquilo que ele e a família queriam.
Enquanto sua situação no Flamengo parece cada vez mais definida, a relação com a seleção permanece cercada de dúvidas.
Pulgar decide falar
A discussão ganhou ainda mais força no Chile depois que Esteban Paredes criticou o volante e sugeriu que as constantes críticas recebidas no país estariam por trás da decisão de não jogar pela seleção.
Pulgar não gostou.
Em entrevista repercutida nesta quinta-feira, o jogador rejeitou essa versão. Disse que está acostumado à pressão, lembrou os anos em que atuou na Europa e as partidas decisivas que disputou, além de afirmar que nunca disse estar afastado da seleção por não suportar críticas.
Foi durante essa resposta que Pulgar chegou mais perto de explicar o que acontece.
O volante afirmou que existem conversas e decisões pessoais e profissionais que não necessariamente precisam ser tornadas públicas.
Também descartou problemas com os companheiros da seleção.
Ao mesmo tempo, deixou seu futuro internacional em aberto. Pulgar lembrou que terá 36 anos na Copa de 2030 e disse que não seria honesto garantir agora que estará em condições de disputar o torneio.
Segundo ele, o Chile deveria neste momento concentrar esforços na nova geração de jogadores.
Pulgar, porém, também não anunciou aposentadoria da seleção. Disse que, caso possa contribuir no futuro, estará disponível para conversar.




