O Flamengo venceu o Fluminense por 1 a 0, neste domingo (11), no Maracanã, e manteve a liderança do Campeonato Brasileiro. O resultado teve dois protagonistas que chegaram ao clássico em momentos distintos: Agustín Rossi, pressionado por uma sequência de falhas ao longo da temporada, e Jorge Carrascal, que vem assumindo cada vez mais responsabilidades no setor ofensivo rubro-negro.
Enquanto o colombiano marcou o gol que garantiu os três pontos, o goleiro argentino realizou intervenções importantes para impedir a reação do Fluminense. A atuação de Rossi ganhou um significado especial porque aconteceu apenas três dias depois de um erro que contribuiu diretamente para o empate por 2 a 2 diante do Santos, na Vila Belmiro.
Rossi: das falhas às defesas decisivas
A pressão sobre Rossi não começou contra o Santos. Apesar de ter sido um dos personagens importantes das conquistas rubro-negras de 2025, o argentino atravessa uma temporada marcada por questionamentos sobre sua regularidade.
Entre os episódios mais lembrados está a falha no gol de Kevin Serna, no clássico contra o Fluminense pelo Brasileirão de 2025. Na ocasião, Rossi tentou dominar um recuo de João Victor, perdeu o controle da bola e permitiu que o atacante tricolor marcasse com o gol praticamente vazio.
Já em 2026, os questionamentos se intensificaram. Na Recopa Sul-Americana, contra o Lanús, o goleiro falhou no lance que terminou com o gol de Castillo. Diante do Vitória, pela Copa do Brasil, voltou a ser criticado após sofrer o segundo gol da partida que culminou na eliminação rubro-negra.
No Campeonato Brasileiro, outros episódios ampliaram a desconfiança. Contra o Athletico-PR, Rossi não conseguiu defender uma finalização de Speed Mendoza em seu canto. Na derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, teve participação questionada em dois gols, marcados por Allan e Paulinho.
Outro problema recorrente foram as finalizações de longa distância. Um levantamento publicado em agosto mostrou que o argentino já havia sofrido oito gols em chutes de fora da área no Brasileirão de 2026. Três aconteceram quando estava adiantado, enquanto nos outros cinco ele permanecia próximo da posição habitual.
Naquele período, Rossi reconheceu que poderia ter se posicionado melhor no gol de Arroyo, do Cruzeiro, mas discordou de outras avaliações, principalmente sobre uma finalização de Erick, do Vitória, que considerou indefensável.
O contraste com 2025 é significativo. Na campanha da Libertadores, Rossi foi decisivo em uma disputa de pênaltis contra o Estudiantes, defendendo duas cobranças e ajudando a garantir a classificação rubro-negra. Curiosamente, naquela mesma eliminatória, havia sido criticado por um gol sofrido em uma finalização de Benedetti.
Essa alternância entre atuações decisivas e falhas importantes alimenta uma discussão sobre a regularidade do argentino e a condição de titular absoluto do Flamengo.
O erro contra o Santos aumentou a cobrança
Na quinta-feira (8), o Flamengo vencia o Santos por 2 a 0 e controlava a partida na Vila Belmiro quando uma saída de bola equivocada de Rossi mudou o cenário do confronto.
O goleiro colocou Jorginho em uma situação de enorme dificuldade, com adversários próximos e pouco espaço para dominar. O volante caiu durante a disputa com Rony e acabou tocando a bola com o braço.
Depois de uma longa revisão do VAR, Anderson Daronco marcou pênalti e expulsou Jorginho. Neymar converteu a cobrança e, poucos minutos depois, marcou novamente, garantindo o empate santista.
Embora as decisões da arbitragem tenham provocado fortes reclamações rubro-negras, o erro de Rossi também recebeu críticas. A jogada mostrou os riscos de insistir em passes curtos quando a pressão adversária não permite uma saída segura.
Na avaliação publicada pelo ge, o argentino recebeu nota 2,0, a menor entre os jogadores do Flamengo. Já o jornalista Mauro Cezar Pereira reuniu uma série de falhas anteriores para questionar a manutenção do goleiro como titular absoluto.
O Flamengo possui Andrew como alternativa no elenco, contratado por aproximadamente R$ 34,7 milhões, mas o argentino continua sendo a primeira opção de Leonardo Jardim.
A resposta veio justamente contra o Fluminense
Diante do Fluminense, Rossi voltou ao Maracanã carregando o peso das críticas. O adversário também trazia uma lembrança incômoda: havia sido justamente contra o Tricolor que o goleiro protagonizara uma de suas falhas mais marcantes no ano anterior.
Desta vez, a história foi diferente.
O argentino fez intervenções importantes, especialmente na segunda etapa, quando o Fluminense conseguiu aumentar a pressão ofensiva. Em uma finalização de Martinelli, após jogada de Ganso, Rossi mostrou reflexo para evitar o gol. Também apareceu bem diante de Ignácio, em uma oportunidade criada a partir de bola parada.
As defesas foram fundamentais porque o Flamengo encontrou dificuldades para controlar o clássico e terminou a partida com uma vantagem mínima.
A atuação não apaga os erros anteriores, mas representa uma resposta importante em um momento de questionamentos. Rossi mostrou novamente a capacidade de decidir jogos com suas defesas, qualidade que o tornou peça relevante nas conquistas recentes do clube.
Carrascal confirma crescimento e decide o clássico
Se Rossi evitou o empate, Jorge Carrascal foi responsável por colocar o Flamengo em vantagem.
Aos 19 minutos do segundo tempo, Lucas Paquetá avançou pela esquerda e encontrou o colombiano nas costas da marcação. Carrascal finalizou de primeira, sem deixar a bola tocar o gramado, e superou Fábio para marcar o único gol da partida.
O lance reuniu duas características importantes: a qualidade do passe de Paquetá e a inteligência de movimentação do colombiano, que atacou o espaço no momento certo.
Carrascal já vinha ganhando destaque pela participação na construção ofensiva. Antes do clássico, havia alcançado a marca de 11 assistências na temporada, número que reforça sua importância como articulador das jogadas rubro-negras.
O gol diante do Fluminense acrescentou outro elemento ao seu desempenho: a capacidade de decidir diretamente no placar.
Com Arrascaeta ausente por recuperação de cirurgia no punho esquerdo, o Flamengo precisou distribuir a responsabilidade criativa entre outros jogadores. Carrascal respondeu assumindo maior protagonismo, enquanto Paquetá participou diretamente da construção do lance decisivo.
O crescimento do colombiano também representa uma alternativa importante para Leonardo Jardim. Sua mobilidade permite atuar em diferentes posições, aproximar-se dos atacantes e explorar espaços que surgem entre as linhas adversárias.
Dois protagonistas e três pontos fundamentais
A vitória sobre o Fluminense representou mais do que a recuperação depois do empate diante do Santos. O Flamengo encontrou soluções em dois setores importantes justamente quando precisava evitar um novo tropeço.
Rossi voltou a ser decisivo debaixo das traves, após uma sequência de críticas que colocou sua regularidade em discussão. Carrascal confirmou o bom momento e transformou uma oportunidade em um gol fundamental para a disputa pelo título.
O resultado levou o Flamengo aos 64 pontos, mantendo a vantagem de apenas um sobre o Palmeiras, que goleou o Corinthians por 4 a 1 na mesma rodada.
Com oito jogos restantes no Brasileirão, a equipe precisará de regularidade, segurança defensiva e eficiência ofensiva para conservar a liderança.
No clássico, Carrascal garantiu o gol. Rossi garantiu que a vantagem fosse preservada. Para o colombiano, mais um capítulo de protagonismo. Para o argentino, uma resposta importante depois de uma das semanas mais difíceis de sua temporada.




