Rossi tem história e qualidade
O Flamengo tem um excelente goleiro.
Agustín Rossi não chegou ao clube por acaso. O argentino construiu seu nome no Boca Juniors, ganhou fama especialmente pelas atuações em disputas de pênaltis e desembarcou no Flamengo cercado de expectativa.
O Rubro-Negro assinou um pré-contrato com Rossi ainda em janeiro de 2023, meses antes do encerramento de seu vínculo com o Boca. Na época, o Flamengo tentou inclusive antecipar a chegada do jogador, mas não conseguiu chegar a um acordo com os argentinos.
Depois de desembarcar no Rio, Rossi conquistou a posição e se transformou em peça importante da equipe.
Em 2025, viveu um de seus melhores momentos com a camisa rubro-negra e participou diretamente das conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.
Na competição continental, protagonizou uma das grandes noites daquela campanha contra o Estudiantes. Depois de falhar durante o tempo normal, recuperou-se na disputa de pênaltis, defendeu duas cobranças e ajudou o Flamengo a avançar.
Portanto, ninguém precisa diminuir Rossi para discutir o momento atual.
A questão é justamente outra:
o que um jogador conquistou no passado deve garantir sua titularidade independentemente de seu rendimento no presente?
Os números de Rossi em 2026 preocupam
Rossi atravessa uma temporada de muito mais questionamentos.
O goleiro já sofreu oito gols em finalizações de fora da área em 2026.
É importante analisar o número corretamente.
Em três desses lances, Rossi estava fora do gol devido ao desenvolvimento da jogada: contra Lanús, Bragantino e Internacional.
Nos outros cinco gols, estava debaixo das traves.
Também seria injusto colocar todos esses cinco gols como falhas. A finalização de Erick, do Vitória, por exemplo, foi no ângulo e praticamente indefensável.
Mas outros lances levantaram questionamentos sobre posicionamento e tempo de reação.
E existe um dado recente ainda mais preocupante.
Contra o Cruzeiro, no Mineirão, o Flamengo permitiu 12 finalizações de fora da área.
Foram apenas 10 de dentro da área.
Ou seja: o Cruzeiro chutou mais vezes de longe do que de perto.
E conseguiu marcar justamente assim.
Arroyo acertou uma finalização de fora da área e iniciou a reação que terminaria na vitória cruzeirense por 2 a 1.
Poucos dias antes, Lucas Romero também havia vencido Rossi em uma finalização de longa distância, desta vez no Maracanã, pelas oitavas de final da Libertadores.
Foram dois jogos consecutivos contra o Cruzeiro e dois gols sofridos dessa maneira.
Não é apenas o chute de fora
A preocupação com Rossi não começou nesses dois jogos.
Em maio, o argentino já havia sido criticado depois de uma saída pelo alto no gol de Luan Cândido, do Vitória, pela Copa do Brasil.
Também falhou em uma finalização de Mendoza contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão. Na ocasião, o próprio Rossi reconheceu o erro.
Além dos números, existe uma percepção que vem crescendo.
Rossi parece menos seguro.
Em alguns momentos, as saídas em bolas aéreas geram apreensão. A participação com os pés também não transmite a mesma confiança, e os adversários parecem cada vez mais dispostos a testar o goleiro de média e longa distância.
Isso não significa que Rossi deixou de ser um bom goleiro.
Significa que atravessa um momento em que sua titularidade pode — e deve — ser discutida.
Principalmente porque existe uma alternativa no banco.
Flamengo investiu R$ 34,7 milhões em Andrew
É aqui que entra Andrew.
O goleiro foi contratado junto ao Gil Vicente, de Portugal, em uma operação cujo custo total registrado pelo Flamengo chegou a R$ 34,734 milhões.
O detalhamento financeiro torna a discussão ainda mais interessante.
Foram aproximadamente:
R$ 29,504 milhões em direitos e luvas; R$ 5,230 milhões em custos de intermediação; R$ 34,734 milhões no total.
Não estamos falando, portanto, de uma aposta de baixo custo destinada apenas a completar o elenco.
O Flamengo fez um investimento significativo para trazer um concorrente para Rossi.
Só que essa concorrência praticamente não aconteceu.
Andrew jogou apenas uma vez com Leonardo Jardim
Andrew recebeu oportunidades anteriormente no Campeonato Carioca, ainda durante o trabalho de Filipe Luís.
Com a chegada de Leonardo Jardim, o cenário mudou.
O treinador português encerrou o rodízio no gol e consolidou Rossi como titular.
Desde então, Andrew disputou apenas uma partida sob o comando de Jardim.
Foi na vitória por 3 a 0 sobre o Cusco, no Maracanã, pela Libertadores.
E só.
É pouco demais para saber se o Flamengo realmente tem outro goleiro capaz de assumir a posição.
Andrew não chegou sem currículo
Também não estamos falando de um goleiro desconhecido do futebol profissional.
Andrew passou cinco temporadas no Gil Vicente e disputou 124 partidas pelo clube português.
Foram 39 jogos sem sofrer gols.
Na temporada 2025/26, antes de acertar com o Flamengo, apresentava aproximadamente 81,5% de aproveitamento nas defesas de chutes no alvo no Campeonato Português.
O goleiro também foi eleito duas vezes consecutivas o melhor goleiro do mês da Liga Portuguesa, em outubro e novembro de 2025.
Portanto, existe uma trajetória que justificou o interesse do Flamengo.
O problema é que o torcedor rubro-negro ainda praticamente não conseguiu vê-la.




