Samuel Lino já não pode ser analisado apenas como o ponta esquerda do Flamengo.

A vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo mostrou talvez a versão mais clara da transformação que o jogador vive desde a chegada de Leonardo Jardim. Autor de dois gols no clássico, Lino decidiu a partida em momentos diferentes, apareceu por dentro, atacou profundidade e continuou sendo uma das principais opções ofensivas mesmo quando o Flamengo caiu de rendimento no segundo tempo.

Os números ajudam a dimensionar o momento.

No Campeonato Brasileiro, Samuel Lino soma oito gols e sete assistências em 24 partidas. São 15 participações diretas em gols apenas na competição.

Mais do que números, porém, mudou a forma como o atacante participa dos jogos.

De ponta aberto a jogador de múltiplas funções

Quando chegou ao Flamengo, Samuel Lino era utilizado principalmente aberto pelo lado esquerdo. Sua função passava muito pelo duelo individual, velocidade e tentativa de superar o marcador no um contra um.

Com Leonardo Jardim, o cenário mudou.

O treinador passou a liberar Lino para ocupar regiões centrais do campo, circular por trás de Pedro, receber entre as linhas e até assumir funções semelhantes às de um meia em determinados momentos.

O próprio jogador já reconheceu publicamente que se sente mais confortável dessa maneira.

A mudança também aproximou Lino da área adversária.

Ele deixou de depender exclusivamente da jogada pela linha lateral e passou a aparecer em zonas onde consegue finalizar, dar o último passe ou atacar as costas da defesa.

O primeiro gol contra o Botafogo é um exemplo.

Jorginho enxergou a movimentação do atacante e lançou nas costas da defesa. Lino apareceu praticamente como atacante central e finalizou na saída do goleiro.

No segundo, já na reta final da partida, novamente atacou o espaço e recebeu de Carrascal para marcar por cobertura.

Dois gols. Duas movimentações de jogador que hoje participa muito mais diretamente da construção e da conclusão das jogadas.

Jardim encontrou uma maneira de potencializar Lino

A transformação não aconteceu por acaso.

Leonardo Jardim já explicou que busca jogadores capazes de circular ao redor do centroavante e criar movimentos que desorganizem a defesa adversária.

Nesse modelo, Samuel Lino encaixou.

Pedro atrai zagueiros e ocupa a última linha. Lino pode aparecer ao redor dele, atacar espaços vazios ou receber entre o meio-campo e a defesa adversária.

Em outros momentos, o camisa 16 pode voltar para a esquerda e novamente explorar velocidade e condução.

É justamente essa variedade que o tornou mais difícil de marcar.

O adversário já não sabe exatamente onde encontrará Samuel Lino.

Um dos jogadores mais importantes do Flamengo em 2026

A discussão agora começa a mudar de nível.

Samuel Lino já não é apenas um jogador em boa fase.

Ele entrou na conversa sobre quem são os atletas mais importantes do Flamengo nesta temporada.

Contra o Botafogo, foi o único jogador ofensivo que conseguiu manter rendimento alto durante praticamente toda a partida. O Flamengo sofreu no início do segundo tempo, perdeu controle e permitiu que o rival crescesse.

Lino permaneceu como válvula de escape.

E apareceu novamente quando o Flamengo precisou matar o jogo.

Esse tipo de atuação ajuda a separar jogadores que apenas produzem bons números daqueles que conseguem decidir partidas importantes.

O Flamengo ganhou mais do que um ponta

Talvez seja essa a principal conclusão da mudança.

O Flamengo contratou Samuel Lino como um jogador de lado.

Hoje tem um atacante capaz de atuar aberto, por dentro, como segundo atacante e até assumir responsabilidades de criação.

Isso aumenta as possibilidades de Jardim e também ajuda a entender por que o jogador vem crescendo justamente num elenco com tantas opções ofensivas.

Quanto mais posições um jogador consegue ocupar sem perder rendimento, mais difícil fica tirá-lo do time.

Samuel Lino chegou exatamente nesse ponto.