A vitória do Flamengo sobre o Red Bull Bragantino não entregou apenas três pontos e uma vantagem maior na liderança do Campeonato Brasileiro.
Entregou também algumas respostas.
Leonardo Jardim precisou mexer no time por causa dos desfalques e acabou reencontrando uma formação de meio-campo que já havia funcionado em outro momento: Saúl ao lado de Jorginho.
Os dois foram importantes para o controle territorial e para a circulação de bola de um Flamengo que dominou boa parte da partida. O Rubro-Negro terminou o primeiro tempo com ampla superioridade na posse, mais presença no campo ofensivo e várias chances claras para ampliar.
Não foi exatamente uma novidade.
Foi mais uma lembrança.
Uma dupla que já tinha dado certo
Quando Saúl chegou ao Flamengo, em 2025, uma das formações que mais chamou atenção foi justamente sua parceria com Jorginho.
Filipe Luís começou a utilizar o espanhol mais por necessidade do que por planejamento. Com Pulgar lesionado e De la Cruz enfrentando problemas físicos, Saúl recuou e passou a atuar mais próximo de Jorginho.
O encaixe funcionou rapidamente.
Em agosto de 2025, o UOL destacou como os dois, jogadores formados no futebol europeu, deram ao Flamengo mais qualidade no passe e capacidade de controlar o ritmo do meio-campo.
Eles foram titulares juntos em seis partidas naquele ano.
Entre elas estiveram as duas vitórias sobre o Internacional — uma pelo Brasileirão e outra pela Libertadores — e a goleada por 8 a 0 sobre o Vitória no Maracanã.
Depois, a dupla praticamente desapareceu.
Problemas físicos de Saúl, concorrência pesada no setor e as mudanças promovidas por Leonardo Jardim diminuíram bastante o espaço do espanhol em 2026. Em agosto, o ge chegou a apontar que Saúl havia saído de titular importante na Libertadores para o fim da fila no meio-campo rubro-negro.
Contra o Bragantino, porém, apareceu novamente aquela sensação.
Jorginho organizando.
Saúl oferecendo linha de passe, intensidade e presença.
E o Flamengo conseguindo manter a bola no campo ofensivo por longos períodos.
Jorginho continua sendo o termômetro
Jorginho talvez seja hoje o jogador que melhor representa o controle do Flamengo.
Quando ele consegue receber limpo e determinar o ritmo da circulação, o time normalmente joga no campo do adversário.
Seu futebol não chama atenção apenas pelo passe.
É pela escolha.
Saber quando acelerar.
Quando devolver.
Quando inverter.
Quando simplesmente manter a posse.
Durante esta temporada, Jorginho já apareceu diversas vezes entre os jogadores com maior volume de passes do Flamengo. Em maio, contra o Grêmio, acertou sozinho quase 20% dos 633 passes completados pelo time naquela partida.
Contra o Bragantino, voltou a ocupar esse papel de organizador.
E ter Saúl próximo pareceu facilitar sua vida.
Saúl aproveita a oportunidade
Para Saúl, a atuação teve outro peso.
O espanhol perdeu espaço ao longo de 2026.
Passou por cirurgia no tendão de Aquiles, sofreu novo problema físico e precisou lidar com uma concorrência enorme em um setor que reúne Jorginho, Pulgar, Paquetá, De la Cruz, Evertton Araújo e outras opções.
Por isso, uma boa atuação agora vale mais do que simplesmente completar 90 minutos.
É uma oportunidade para voltar à rotação.
Leonardo Jardim tem um elenco cheio de alternativas, mas a temporada entra justamente no período em que ter jogadores capazes de cumprir funções diferentes começa a fazer enorme diferença.
Saúl oferece isso.
Pode atuar mais adiantado.
Pode jogar como segundo homem.
Pode ajudar na saída.
E já mostrou que consegue dividir o meio com Jorginho sem obrigar o Flamengo a perder qualidade na construção.
Varela fez mais do que o gol
Outro destaque da noite foi Varela.
O lateral marcou o primeiro gol do Flamengo aparecendo dentro da área como elemento surpresa depois de jogada construída por Carrascal.
Mas sua atuação não se resumiu ao lance.
Varela participou bastante do jogo, ocupou o corredor direito e apareceu como opção ofensiva em vários momentos.
O gol foi consequência dessa presença.
É especialmente importante porque o Flamengo muitas vezes depende dos seus jogadores de frente para encontrar soluções quando o adversário fecha a área.
Ter um lateral atacando espaços por dentro aumenta as possibilidades.
Contra o Bragantino, funcionou.
Carrascal participou de tudo — para o bem e para o mal
Carrascal foi talvez um dos jogadores que melhor simbolizaram a partida.
Participou muito.
Criou.
Se movimentou.
Deu assistência.
Apareceu dentro da área.
Mas também desperdiçou chances enormes.
No primeiro tempo, o colombiano participou diretamente do gol de Varela e ajudou a desmontar a defesa do Bragantino com movimentação entre esquerda e centro. Ao mesmo tempo, perdeu oportunidade clara diante de Tiago Volpi e voltou a mostrar uma dificuldade que começa a aparecer com frequência: transformar boas ações em números.
Não falta futebol.
Falta eficiência.
E essa talvez seja a próxima etapa para Carrascal.
Porque jogador que participa tanto do jogo precisa transformar essa presença em mais gols e assistências.
Plata também esbarra no mesmo problema
Gonzalo Plata vive algo parecido.
É um jogador extremamente útil coletivamente.
Corre.
Pressiona.
Volta para ajudar.
Ataca espaços.
Participa da construção.
Dificilmente fica alheio ao jogo.
Mas ainda desperdiça demais.
Contra o Bragantino, voltou a aparecer bem em algumas construções ofensivas, mas sem transformar participação em gol.
Para um atacante do Flamengo, isso pesa.
Especialmente porque a concorrência é enorme.
Plata tem características que ajudam qualquer treinador.
É um jogador de grupo.
É competitivo.
É intenso.
Mas, para dar outro salto dentro do elenco, precisa melhorar a decisão no último terço.
Porque participação sem eficiência acaba virando uma virtude incompleta.
Pedro volta a marcar
Pedro, por sua vez, conseguiu exatamente aquilo que Carrascal e Plata procuraram durante a partida.
O gol.
Depois de um período sem balançar as redes, o camisa 9 aproveitou o desvio de Jorginho após cobrança de escanteio e marcou o segundo do Flamengo.
O gol teve importância evidente para o resultado.
Mas também para o atacante.
Centroavante vive de confiança.
E um Pedro confiante muda completamente o ataque do Flamengo.
Mesmo em uma noite em que não participou tanto da construção quanto outros companheiros, apareceu onde precisava aparecer.
Dentro da área.
Mais do que três pontos
Talvez o principal ganho do Flamengo na noite tenha sido perceber que Leonardo Jardim ainda possui caminhos diferentes dentro do próprio elenco.
Saúl voltou a mostrar que pode ser útil.
Jorginho confirmou novamente sua importância.
Varela apareceu ofensivamente.
Carrascal e Plata participaram muito, embora ainda precisem ser mais eficientes.
Pedro voltou a marcar.
É muita informação positiva dentro de uma única partida.
E isso tem valor especial justamente agora.
O Flamengo entra na pausa da Data Fifa na liderança do Brasileiro, com vantagem ampliada sobre o Palmeiras e com uma semifinal de Libertadores chegando na sequência.
Quanto mais alternativas Leonardo Jardim tiver, melhor.




