Textor coloca Flamengo entre clubes que jamais compraria

John Textor voltou a dar declarações capazes de movimentar os bastidores do futebol brasileiro.

Em entrevista à ESPN, o empresário norte-americano revelou quais clubes não compraria caso tivesse a oportunidade de realizar um novo investimento no país.

O Flamengo apareceu diretamente na resposta.

Textor afirmou que Flamengo, Fluminense e Palmeiras são clubes nos quais não investiria, relacionando a decisão à identificação construída durante sua passagem pelo Botafogo.

A ligação com o clube alvinegro, segundo o empresário, foi tão forte que as tradicionais rivalidades deixaram de ser vistas apenas pelo lado esportivo ou empresarial e passaram também para o terreno pessoal.

A declaração chama atenção justamente porque Textor desembarcou no Brasil inicialmente com a imagem de investidor estrangeiro interessado no modelo das Sociedades Anônimas do Futebol.

Com o passar dos anos, tornou-se um dos personagens mais ativos, polêmicos e envolvidos emocionalmente no futebol nacional.

Rivalidade com Flamengo ultrapassou os negócios

O Flamengo apareceu ao lado de Fluminense e Palmeiras quando Textor foi questionado sobre clubes que jamais compraria no país.

Não significa, evidentemente, que exista qualquer possibilidade concreta de aquisição do Flamengo.

O Rubro-Negro não é uma SAF e sequer existe um processo envolvendo venda do controle do clube.

A importância da fala está no significado dado pelo próprio Textor à sua experiência no Brasil.

O empresário admite que incorporou parte dos sentimentos tradicionais do torcedor botafoguense.

Flamengo e Fluminense são rivais históricos no Rio de Janeiro, enquanto o Palmeiras se transformou em um dos principais adversários esportivos do Botafogo nas últimas temporadas.

Com o clube paulista, inclusive, Textor protagonizou alguns dos maiores embates públicos de sua passagem pelo futebol brasileiro.

Vasco recebeu tratamento diferente

Curiosamente, Textor adotou outra postura ao falar sobre o Vasco.

Apesar de também existir rivalidade esportiva com o Botafogo, o empresário descreveu a relação de maneira diferente, destacando uma espécie de proximidade entre as duas torcidas.

A diferença ajuda a mostrar que a resposta não se baseou simplesmente em escolher grandes clubes brasileiros.

Ela está ligada às experiências e rivalidades que Textor viveu enquanto esteve diretamente envolvido no comando do Botafogo.

Nesse aspecto, Flamengo, Fluminense e Palmeiras claramente ocuparam um espaço especial.

Textor vive momento delicado no Botafogo

As declarações acontecem em meio a um período bastante turbulento para o empresário.

Textor trava uma disputa pelo controle e pela influência sobre a SAF do Botafogo.

Apesar das conquistas e investimentos realizados durante sua passagem, os últimos meses foram marcados por conflitos empresariais, jurídicos e políticos.

Na entrevista à ESPN, o norte-americano falou abertamente sobre sua situação e também mostrou o estilo provocador que se tornou uma de suas marcas no futebol brasileiro.

Ao ser questionado sobre quem considerava o melhor executivo de futebol do país, Textor apontou o próprio nome.

Logo depois, também se colocou como o pior executivo, brincando justamente com os problemas que atualmente enfrenta para manter influência sobre o projeto botafoguense.

A resposta mostra como o empresário consegue alternar autoconfiança, provocação e autocrítica em uma mesma entrevista.

Montenegro também foi alvo

Textor também voltou a direcionar críticas a Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e personagem influente na política do clube.

A relação entre os dois se deteriorou ao longo das disputas envolvendo a gestão alvinegra.

Durante a entrevista, o empresário fez novas provocações ao ex-dirigente e indicou que conflitos de ego acabam prejudicando o desenvolvimento do Botafogo.

Mesmo em meio às críticas, Textor deixou aberta a possibilidade de uma reconciliação futura.

O episódio mostra que os problemas enfrentados atualmente pelo Botafogo vão muito além das quatro linhas.

Existe uma disputa sobre poder, modelo de administração e principalmente sobre quem terá influência nas próximas decisões do clube.

De investidor a personagem do futebol brasileiro

Poucos investidores estrangeiros conseguiram alcançar o nível de exposição atingido por John Textor desde que chegou ao Brasil.

O empresário não se limitou a aportar recursos ou administrar uma SAF.

Participou de discussões sobre arbitragem, organização das competições, gestão de clubes e decisões da CBF.

Também entrou diretamente em confrontos públicos com outros dirigentes.

Em muitos momentos, Textor adotou comportamento mais próximo do tradicional cartola brasileiro do que do investidor estrangeiro que desembarcou inicialmente no país.

Sua nova declaração sobre Flamengo, Fluminense e Palmeiras reforça justamente essa transformação.

Ele chegou olhando para clubes como ativos esportivos.

Hoje, admite que alguns passaram a ser enxergados como rivais.