Anthony Valencia e Joaquín Freitas tiveram nesta sexta-feira (4) o primeiro contato oficial com a imprensa como jogadores do Flamengo. Mais do que a tradicional apresentação de reforços, as respostas dos dois ajudaram a desenhar o perfil das apostas feitas pelo clube para renovar o ataque.
Os dois chegam jovens, com contratos até 2031, mas apresentam características diferentes.
Valencia, de 23 anos, aposta principalmente em velocidade, criatividade e capacidade de atuar pelos lados do campo. Joaquín, de apenas 19, se define pela intensidade, mobilidade e agressividade para atacar espaços — embora também tenha atuado fora da posição de centroavante durante sua passagem pelo River Plate.
A ideia do Flamengo não é apenas aumentar o número de opções para Leonardo Jardim. Existe também uma aposta em desenvolvimento e valorização.
José Boto deixou isso claro durante a apresentação ao explicar que os dois nomes passaram pelo departamento de scout e foram contratados pensando não apenas nos meses restantes da temporada, mas principalmente no futuro.
Valencia: velocidade e uma oportunidade que não quis perder
Anthony Valencia não escondeu o tamanho que atribui à mudança para o Flamengo.
O equatoriano contou que, quando soube do interesse rubro-negro, a decisão foi rápida.
“Eu não pensei duas vezes antes de vir.”
Valencia reconhece, entretanto, que vestir a camisa do Flamengo aumenta a responsabilidade. Depois da passagem pelo futebol belga, chega ao Brasil procurando uma etapa diferente da carreira e já fala abertamente em conquistar títulos.
Dentro de campo, ele próprio se define como um jogador rápido e criativo.
É justamente essa combinação que pode aumentar as alternativas de Leonardo Jardim pelos lados do ataque, principalmente em partidas nas quais o Flamengo encontre defesas fechadas e precise de jogadores capazes de acelerar ações individuais.
O histórico recente de problemas físicos inevitavelmente será acompanhado, mas Valencia afirmou na apresentação estar em boas condições e pronto para iniciar esta nova etapa.
Joaquín promete intensidade: “Não tem bola perdida”
Joaquín Freitas apresentou um discurso diferente.
O argentino de 19 anos repetiu algumas vezes uma palavra que ajuda a explicar seu estilo: intensidade.
O atacante se descreveu como rápido para atacar espaços e deixou claro que pretende participar também do trabalho sem a bola.
“Não tem bola perdida para mim. Vou disputar todas como se fossem a última.”
A declaração ajuda a entender por que Joaquín foi utilizado em diferentes funções no River.
Embora tenha formação como atacante e meia-atacante, também passou pela faixa direita do meio-campo. Segundo o próprio jogador, velocidade, capacidade de um contra um e disposição para recuperar a posse permitiram essa adaptação.
No Flamengo, entretanto, a tendência é que seja desenvolvido principalmente como opção para o comando do ataque.
Pedro vira referência para o argentino
E Joaquín já sabe quem pretende observar de perto.
Pedro foi citado pelo novo reforço como uma referência na posição.
O argentino destacou a qualidade técnica do camisa 9 e explicou que gosta de um centroavante com mobilidade, capaz de sair da área, participar da construção e depois aparecer novamente para finalizar.
Não significa que Joaquín seja uma cópia de Pedro.
Pelo contrário. A velocidade e a intensidade aparecem como características mais marcantes em seu jogo.
Mas trabalhar diariamente com um atacante já consolidado no Flamengo pode acelerar uma adaptação que naturalmente exigirá paciência.
Dois jovens e uma mudança de lógica
Valencia chega aos 23 anos. Joaquín, aos 19.
Essa faixa etária não parece acidental.
O Flamengo encerrou a janela investindo em jogadores com margem de evolução e possibilidade de valorização, em vez de buscar apenas nomes consagrados para impacto imediato.
Boto confirmou durante a apresentação que ambos foram identificados pelo scout e que existe expectativa de contribuição já em 2026, mas com um olhar especialmente voltado para os próximos anos.
É uma lógica diferente da contratação de um jogador pronto e conhecido do grande público.
E exatamente por isso a avaliação dos dois não deve ser feita apenas pelas primeiras partidas.
Eles chegam para disputar espaço agora, mas também fazem parte de uma tentativa do Flamengo de construir patrimônio esportivo para as próximas temporadas.




