Leonardo Jardim encontrou uma alternativa pouco convencional para reorganizar as laterais do Flamengo na vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, no último domingo (18), pelo Campeonato Brasileiro. Com Emerson Royal atuando pela direita, o treinador utilizou Guillermo Varela na lateral esquerda, posição diferente daquela em que o uruguaio habitualmente desempenha suas funções.

A escolha não passou despercebida num momento em que o Flamengo disputa a liderança do Brasileirão e se prepara para decidir uma vaga na final da Libertadores diante do Estudiantes.

A utilização de um lateral de origem direita pelo lado oposto pode parecer uma simples adaptação. Na prática, porém, modifica ângulos de passe, posicionamento corporal e possibilidades de apoio ao ataque.

Por que a mudança merece atenção?

O lateral esquerdo normalmente precisa oferecer amplitude, acompanhar os atacantes adversários e participar da saída de bola sob pressão. Quando um atleta destro passa a ocupar esse corredor, algumas dessas tarefas exigem soluções diferentes.

Em determinadas situações, receber a bola com o pé dominante voltado para dentro pode facilitar passes pelo corredor central. Por outro lado, cruzamentos e progressões junto à linha lateral podem exigir ajustes no corpo ou o uso do pé menos habitual.

Isso não significa que um jogador destro esteja impedido de atuar pela esquerda. A eficiência depende das características individuais, da movimentação dos companheiros e da estrutura escolhida pelo treinador.

No caso do Flamengo, a presença de Varela nesse setor também altera as relações com o zagueiro pela esquerda e com o atacante responsável pela amplitude ofensiva.

Uma alternativa para proteger o corredor

A decisão de Jardim permite discutir o peso do equilíbrio defensivo em partidas decisivas.

Na semifinal da Libertadores, o Estudiantes mostrou capacidade de disputar bolas longas, pressionar e transformar cruzamentos em situações de perigo. O adversário terminou o primeiro confronto com 18 finalizações, enquanto o Flamengo conseguiu apenas cinco.

Nesse contexto, a função do lateral não se resume a avançar ao ataque. É necessário controlar a profundidade, acompanhar deslocamentos e impedir que o adversário encontre espaços nas costas da defesa.

A utilização de Varela pela esquerda pode oferecer características diferentes das apresentadas por um lateral mais ofensivo, dependendo das instruções individuais e da posição dos jogadores próximos.

Entretanto, seria precipitado afirmar que a formação utilizada diante do Bahia será repetida contra o Estudiantes. O confronto continental exige uma avaliação específica, e as condições físicas dos atletas também influenciam as escolhas.

O efeito sobre o lado direito

A adaptação do uruguaio também abriu espaço para Emerson Royal começar a partida diante do Bahia pelo corredor direito.

A decisão criou uma configuração diferente da habitual nas laterais rubro-negras e demonstrou que Leonardo Jardim considera alternativas para distribuir funções dentro do elenco.

Esse tipo de ajuste ganha importância numa fase da temporada em que suspensões, lesões e desgaste físico podem modificar o planejamento de uma partida para outra.

O desafio está em fazer com que as mudanças individuais não prejudiquem os mecanismos coletivos.

Um lateral que avança exige cobertura. Um jogador que permanece mais recuado modifica a movimentação do extremo. E qualquer alteração na saída de bola influencia a maneira como o meio-campo recebe os primeiros passes.

O que isso significa para a Libertadores?

A vitória sobre o Bahia mostrou que o Flamengo conseguiu vencer com uma formação defensiva adaptada. Os gols de Jorginho, Plata e Lucas Paquetá garantiram o triunfo por 3 a 0 e mantiveram a equipe na liderança do Campeonato Brasileiro, com 67 pontos.

Mas a partida contra o Estudiantes apresenta outro cenário.

Depois do empate sem gols na Argentina, o Flamengo precisa vencer no Maracanã para chegar diretamente à final. Um novo empate leva a decisão aos pênaltis.

Leonardo Jardim terá de avaliar quais características serão mais importantes: amplitude ofensiva, segurança na marcação, velocidade de recuperação ou capacidade de construir jogadas desde a defesa.

A passagem de Varela pela lateral esquerda não representa, por si só, uma mudança definitiva de posição. Representa uma alternativa que o treinador utilizou e que pode ser considerada conforme as necessidades do jogo.

Para o Flamengo, ter opções é importante. Fazer com que cada opção funcione dentro do conjunto será decisivo na busca pela classificação.