O Vasco voltou à Justiça nesta sexta-feira (2) para tentar destravar a disputa pelo Maracanã. O clube apresentou recurso contra a suspensão do processo em que pede o direito de mandar no estádio o jogo contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, marcado para 20 de outubro.
A ação havia sido suspensa pela juíza Adriana Laia Franco, da 2ª Vara Cível da Capital, porque já existe outro processo tratando do mesmo objetivo: uma ação popular movida por um torcedor vascaíno. A magistrada entendeu que decisões paralelas poderiam criar insegurança jurídica. ge
O Vasco, porém, não aceitou a paralisação.
No recurso apresentado nesta sexta-feira, o clube sustenta que as duas ações são independentes e que o processo movido pela SAF não deveria ficar condicionado ao andamento da ação apresentada pelo torcedor. A diretoria pede uma decisão urgente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro porque precisa definir o local da partida diante do Boca. ge
Prazo aumenta pressão sobre o Vasco
A urgência tem relação direta com o regulamento da Conmebol.
O Vasco precisa informar o estádio da partida nos próximos dias. São Januário, primeira opção esportiva do clube, não atende à exigência mínima de capacidade estabelecida pela entidade para esta fase da competição.
Por isso, o Maracanã se tornou o principal alvo da diretoria.
O clube já havia feito um pedido formal ao consórcio responsável pelo estádio, mas recebeu resposta negativa. A administração alegou necessidade de preservação do gramado e conflito com o calendário de Flamengo e Fluminense. ge
O jogo entre Vasco e Boca está previsto para 20 de outubro. Dois dias antes, o Fluminense tem partida marcada no Maracanã. Dois dias depois, o Flamengo também utiliza o estádio.
É justamente essa sequência que o consórcio utiliza como um dos principais argumentos para negar a realização de mais uma partida no período.
Consórcio Fla-Flu reforça posição contrária
Nesta sexta-feira, Flamengo e Fluminense também apresentaram argumentos à Justiça contra a realização de Vasco x Boca no Maracanã.
A questão do gramado voltou a ser o centro da defesa.
Segundo o consórcio, permitir a semifinal da Sul-Americana faria o estádio receber três partidas em apenas cinco dias, reduzindo drasticamente o tempo disponível para recuperação do campo. ge
O consórcio também citou os efeitos do jogo da NFL realizado no Maracanã no último domingo. O gramado começou a ser trocado logo depois do evento e, segundo a administração, uma análise técnica apontou limitações para a inclusão de novas partidas no calendário de 2026. ge
A defesa apresentou ainda um argumento curioso: até eventos ligados ao próprio Flamengo teriam recebido respostas negativas.
De acordo com o documento citado pelo ge, pedidos para uma partida comemorativa dos 45 anos do título mundial do Flamengo e para o tradicional Jogo das Estrelas, organizado por Zico, também não teriam sido aceitos devido às condições e ao planejamento do estádio. ge
A estratégia é mostrar à Justiça que a negativa ao Vasco não teria sido motivada por rivalidade, mas por critérios técnicos aplicados também a eventos ligados aos clubes administradores.
Vasco aponta contradições
Do outro lado, o Vasco questiona exatamente essa justificativa.
O clube argumenta que o Maracanã já recebeu partidas em intervalos semelhantes — e até menores — em outras oportunidades.
Na ação, a defesa vascaína cita sequências anteriores de jogos de Flamengo e Fluminense e sustenta que o intervalo utilizado agora para negar a semifinal contra o Boca já foi considerado aceitável em outros momentos. UOL
O torcedor responsável pela ação popular também apresentou uma resposta ao consórcio apontando essa suposta contradição.
Segundo levantamento citado pelo ge, o Maracanã recebeu em 2026 nove jogos com intervalo de até 48 horas. O argumento é que a própria programação futura também prevê partidas separadas por períodos curtos, mesmo sem a presença do Vasco. ge
É exatamente nesse ponto que está a principal disputa jurídica.
O consórcio afirma que a condição atual do gramado e a concentração de partidas tornam a realização do jogo inviável.
O Vasco sustenta que o critério não estaria sendo aplicado de maneira uniforme.
Vasco já venceu e também perdeu batalhas pelo Maracanã
A disputa judicial pelo estádio não começou agora.
Entre 2022 e 2023, o Vasco conseguiu decisões favoráveis em pelo menos três ocasiões para mandar partidas no Maracanã, contra Sport, Atlético-MG e Palmeiras. Naquele período, porém, Flamengo e Fluminense administravam o estádio sob outro modelo jurídico, antes da atual licitação. ge
A situação mudou.
Desde a licitação de 2024, o Vasco recorreu à Justiça para tentar utilizar o Maracanã contra o Vitória, pela Copa do Brasil, e perdeu em primeira instância. O clube não recorreu daquela decisão. ge
Em 2026, também houve negativa para a partida contra o Palmeiras, mas sem nova disputa judicial.
Agora, diante do Boca Juniors e de uma semifinal continental, o clube decidiu novamente levar o conflito aos tribunais.
Não houve derrota definitiva desta vez
É importante separar as situações.
O Vasco ainda não perdeu definitivamente o processo referente ao jogo contra o Boca.
A decisão desta sexta-feira suspendeu a ação apresentada pelo clube porque existe outro processo sobre a mesma questão. Não houve julgamento definitivo dizendo que o Vasco não pode utilizar o Maracanã.
Por isso, a diretoria apresentou recurso e tenta obter uma decisão rápida do TJ-RJ. ge
A pressão agora é contra o relógio.
O Vasco precisa indicar o palco da semifinal, enquanto o consórcio Fla-Flu mantém a posição de que o Maracanã não deve receber a partida.
E, mais uma vez, a disputa pelo estádio saiu do campo esportivo e terminou nos tribunais.




