O Vasco ainda não sabe onde enfrentará o Boca Juniors pelo jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana.
O clube pediu novamente a utilização do Maracanã, mas o Consórcio Fla-Flu recusou a solicitação alegando a necessidade de preservação do gramado e o calendário do estádio.
Com isso, a diretoria vascaína passou a trabalhar em mais de uma frente.
A prioridade neste momento é tentar convencer a Conmebol a liberar São Januário, mesmo com o estádio abaixo da capacidade mínima de 30 mil lugares exigida pela entidade para partidas de semifinal.
Ao mesmo tempo, o clube mantém outras alternativas no radar.
Uma delas é recorrer à Justiça para tentar garantir o direito de utilizar o Maracanã.
A outra é negociar com o Botafogo a utilização do Nilton Santos.
E é justamente aí que o fator tempo começa a pesar.
São Januário ganhou força nas últimas horas
A tentativa de levar Vasco x Boca para São Januário avançou nesta quarta-feira.
O clube apresentou seu plano operacional a representantes da Prefeitura do Rio, incluindo o Centro de Operações e a CET-Rio, e recebeu sinalização favorável para a realização da partida.
Ainda falta, porém, uma etapa importante.
A Polícia Militar precisa aprovar a operação de segurança.
Além disso, mesmo que todos os órgãos locais deem aval, a palavra final será da Conmebol.
O regulamento da Sul-Americana prevê capacidade mínima superior a 30 mil espectadores para partidas desta fase, e São Januário não alcança esse número.
O Vasco tenta convencer a entidade de que existem condições operacionais para receber o confronto.
Entre as medidas discutidas está a ampliação do setor destinado à torcida visitante.
O Boca Juniors não teria se colocado contra a utilização de São Januário, desde que exista uma quantidade adequada de ingressos para seus torcedores.
Esse detalhe pode ajudar a diretoria vascaína na tentativa de obter uma exceção.
Maracanã foi novamente negado
O Vasco havia formalizado pedido para utilizar o Maracanã no jogo contra o Boca.
A partida de volta está marcada para 20 de outubro, às 21h30.
O Consórcio Fla-Flu recusou a solicitação.
A administração do estádio sustentou que o calendário e as condições do gramado não permitiriam a inclusão de mais um evento de grande porte naquele período.
A negativa aumentou novamente a tensão entre o Vasco e os gestores do Maracanã.
O clube já havia enfrentado dificuldades semelhantes em outros momentos da temporada e parte da torcida vascaína passou a questionar publicamente os critérios utilizados pelo Consórcio.
Os protestos cresceram depois de o estádio receber eventos fora do futebol, incluindo a partida da NFL realizada no fim de setembro.
Torcedores chegaram a espalhar faixas pelo Rio cobrando o cumprimento do edital da concessão e alegando que o futebol deveria receber prioridade.
Justiça continua sendo uma possibilidade
A judicialização não está descartada.
O Vasco já recorreu à Justiça em outras ocasiões para tentar utilizar o Maracanã e pode repetir o movimento caso não consiga levar a semifinal para São Januário.
Mas existe um problema evidente.
O calendário é curto.
Uma decisão judicial favorável ao Vasco não necessariamente encerraria a discussão.
O Consórcio poderia recorrer.
Da mesma forma, caso o pedido vascaíno fosse negado, o próprio clube poderia apresentar recurso.
Esse tipo de disputa pode criar uma sequência de decisões e contestações justamente quando o Vasco precisa organizar uma operação de grande porte.
Não se trata apenas de escolher o estádio.
O clube precisa organizar venda de ingressos, segurança, logística para as torcidas, operação de televisão, credenciamento, deslocamento da delegação adversária e todas as exigências da Conmebol.
Quanto mais perto a partida estiver, mais difícil fica depender de uma batalha judicial sem resultado definitivo.
Nilton Santos aparece como solução mais simples
É por isso que o Nilton Santos permanece como uma alternativa importante.
O estádio do Botafogo possui capacidade suficiente para atender às exigências da Conmebol e já recebe regularmente partidas de grande porte.
Caso São Januário não seja autorizado, uma negociação com o Botafogo pode oferecer ao Vasco uma solução mais previsível.
Naturalmente, isso também depende de disponibilidade de calendário, condições comerciais e acordo entre os clubes.
Mas, diferentemente de uma disputa judicial, a negociação pelo Nilton Santos não depende de decisões de primeira e segunda instâncias nem de recursos sucessivos.
Para uma diretoria que precisa resolver rapidamente onde será disputada uma semifinal continental, esse fator pode ter peso considerável.
Vasco precisa escolher até onde quer levar a disputa
O desejo do Vasco de utilizar o Maracanã é compreensível.
Além da capacidade elevada, o estádio oferece potencial de arrecadação muito superior ao de São Januário e permitiria receber um público maior numa semifinal contra um dos clubes mais populares da América do Sul.
Existe também uma questão política e institucional.
O Vasco entende que possui direito a utilizar o estádio em determinadas condições e parte de sua torcida considera que o clube vem sendo prejudicado pelas negativas do Consórcio Fla-Flu.
Por isso, abandonar a disputa pelo Maracanã sem tentar outras vias também poderia gerar desgaste interno.
Ao mesmo tempo, insistir nessa briga até os últimos dias pode trazer outro risco.
O clube pode gastar tempo e energia numa disputa cujo resultado continuará incerto.
E uma semifinal continental não permite improvisação de última hora.
O relógio passa a ser adversário
A situação agora coloca a diretoria diante de uma escolha que precisa ser tomada rapidamente.
Se São Januário for autorizado pela Polícia Militar e, depois, pela Conmebol, o problema estará praticamente resolvido.
Seria o cenário preferido pelo Vasco, que disputaria uma semifinal continental dentro de sua própria casa.
Se a liberação não vier, porém, o clube terá de decidir se insiste judicialmente no Maracanã ou se parte para uma negociação mais segura pelo Nilton Santos.
É possível até que as duas estratégias avancem paralelamente durante algum tempo.
O problema é que, em algum momento, o Vasco precisará escolher.
Uma ação judicial pode abrir a porta do Maracanã.
Também pode terminar sem resultado útil antes da data da partida.
O Nilton Santos, por outro lado, não oferece ao Vasco o mesmo apelo simbólico de jogar no Maracanã nem a vantagem emocional de São Januário.
Mas pode oferecer algo que começa a ficar cada vez mais importante:
certeza.
A poucos dias de uma semifinal contra o Boca Juniors, talvez essa seja a palavra que mais pese na decisão.
O Vasco ainda possui opções.
O que não possui é tempo ilimitado.




