Jorge Jesus assume Portugal: o destaque da vez
Depois da eliminação lusa nos oitavos de final, frente à Espanha, Roberto Martínez deixou o comando técnico — uma saída que já estava, aliás, prevista em contrato. A Federação Portuguesa de Futebol não demorou a decidir-se: Jorge Jesus, sem clube desde que deixou o Al-Nassr, foi o nome escolhido por Pedro Proença para o suceder.
É a primeira vez, em quase 40 anos de carreira, que o treinador, ex-Benfica, ex-Sporting e antigo comandante do Flamengo, assume um cargo em seleções. O acordo é válido até ao Mundial de 2030, mas antes disso o objetivo imediato passa pela Eurocopa de 2028. A estreia está marcada para 24 de setembro, frente ao País de Gales, a contar para a Liga das Nações.
Para quem acompanhou a passagem de Jorge Jesus pelo Rubro-Negro, o convite para liderar a "Seleção das Quinas" fecha um ciclo simbólico: depois de títulos no Brasil, o técnico chega agora ao posto mais cobiçado do futebol português.
Uma onda de mudanças por todo o mundo
Portugal está longe de ser caso isolado. A lista de treinadores que perderam ou entregaram o cargo após o Mundial já é longa:
Alemanha – Julian Nagelsmann saiu depois da eliminação nos pênaltis diante do Paraguai França – Didier Deschamps encerrou 14 anos no comando dos Bleus após a derrota para a Inglaterra no jogo de 3º lugar Holanda – Ronald Koeman pediu demissão após a queda nos pênaltis para Marrocos Croácia – Zlatko Dalić terminou quase nove anos de trabalho após a derrota para Portugal Bélgica – Rudi Garcia encerrou o ciclo com o fim do contrato, e o clube já confirmou Mark van Bommel como substituto Uruguai – Marcelo Bielsa pediu demissão logo após a fase de grupos Escócia – Steve Clarke também saiu após a fase de grupos Coreia do Sul – Hong Myung-bo pediu demissão Equador – Sebastián Beccacece terminou o vínculo após a eliminação Gana – Carlos Queiroz deixou o cargo após as oitavas de final México – Javier Aguirre saiu conforme planeamento já anunciado antes do torneio Tunísia – Sabri Lamouchi foi o primeiro a cair, logo na estreia, após goleada sofrida diante da Suécia
A esta lista somam-se ainda as saídas de Miroslav Koubek (República Checa), Jamal Sellami (Jordânia) e Pape Thiaw (Senegal), entre outros técnicos que encerraram os seus ciclos ao longo do torneio.
E agora?
Enquanto federações como a do Brasil optaram pela continuidade — Carlo Ancelotti segue no comando —, o cenário lá fora mostra uma verdadeira reformulação no mapa das seleções rumo ao próximo ciclo. Com Jorge Jesus a assumir Portugal, fica também um sinal para o mercado sul-americano: o nome do treinador português continua entre os mais cobiçados do futebol mundial, e a ligação ao Flamengo permanece viva na memória da torcida rubro-negra.
Fica de olho: com tantas seleções em reconstrução, a caminhada rumo à Eurocopa 2028 e às próximas Eliminatórias promete ser movimentada.



