Quando Leonardo Jardim decidiu escalar Bruno Henrique como titular contra o Independiente del Valle, em Quito, deixando Pedro no banco, a escolha naturalmente chamou atenção.
A resposta veio no campo.
Na altitude equatoriana, em uma partida complicada e com o Flamengo sofrendo durante boa parte do primeiro tempo, foi Bruno Henrique quem abriu o caminho para a vitória por 2 a 0. Samuel Lino cruzou, e o camisa 27 apareceu novamente no lugar onde os grandes atacantes costumam aparecer: dentro da área, no momento certo.
O gol foi mais do que um lance importante nas quartas de final da Libertadores.
Aos 35 anos, Bruno Henrique voltou a lembrar por que continua ocupando um espaço tão particular na história recente do Flamengo.
Uma chegada que mudou o ataque do Flamengo
Bruno Henrique desembarcou no Flamengo em janeiro de 2019, depois de se destacar pelo Santos.
A estreia já deu uma amostra do que viria pela frente.
Em 26 de janeiro daquele ano, marcou duas vezes contra o Botafogo no Campeonato Carioca. Meses depois, seria um dos protagonistas daquela temporada histórica.
O Flamengo de Jorge Jesus conquistou Campeonato Brasileiro e Libertadores, e Bruno Henrique virou um dos grandes símbolos do time.
Naquele Brasileirão, marcou 21 gols.
Velocidade, força, capacidade de atacar espaços e presença em jogos grandes fizeram com que rapidamente ganhasse o apelido de “Rei dos Clássicos”.
Até maio de 2026, Bruno Henrique havia marcado 22 gols em 63 partidas contra os três grandes rivais cariocas, segundo levantamento do próprio Flamengo.
Mas sua trajetória rubro-negra nunca ficou restrita aos clássicos.
Títulos e protagonismo
Desde 2019, Bruno Henrique atravessou diferentes versões do Flamengo.
Mudaram treinadores, esquemas, companheiros de ataque e até a forma como ele passou a ser utilizado.
Os títulos continuaram chegando.
Quando renovou contrato em maio deste ano, Bruno Henrique acumulava 18 conquistas oficiais pelo clube, entre elas três Libertadores, três Campeonatos Brasileiros e duas Copas do Brasil.
Até aquela renovação, também somava 362 jogos, 114 gols e 58 assistências pelo Flamengo.
São números que colocam sua passagem muito além de uma boa temporada ou de um período de protagonismo.
Bruno Henrique virou personagem permanente de uma das eras mais vencedoras da história rubro-negra.
A lesão que ameaçou mudar tudo
A carreira no Flamengo, porém, teve um dos momentos mais delicados em junho de 2022.
Contra o Cuiabá, Bruno Henrique sofreu uma grave lesão no joelho direito.
O diagnóstico revelou danos importantes. O atacante precisou reconstruir o ligamento cruzado anterior, o ligamento colateral lateral e o canto posterolateral do joelho.
Era a lesão mais grave de sua carreira.
Vieram cirurgia, meses de fisioterapia e uma recuperação lenta.
Bruno ficou aproximadamente dez meses afastado dos gramados.
Quando voltou a marcar, em junho de 2023, contra o Grêmio, já haviam se passado 428 dias desde seu último gol. A comemoração no Maracanã teve peso diferente: jogadores e torcedores celebraram quase como se fosse uma conquista.
Aquela volta talvez explique parte da relação que o jogador construiu com a torcida.
Bruno Henrique não retornou apenas de uma lesão. Precisou reconstruir fisicamente a carreira quando já havia passado dos 30 anos.
Um jogador diferente
Naturalmente, o Bruno Henrique de 2026 não é exatamente o mesmo de 2019.
A explosão física daquele atacante que atacava dezenas de metros em velocidade sofreu adaptações.
Mas seu jogo também mudou.
Hoje, Bruno aparece mais próximo da área, utiliza experiência para atacar espaços e continua sendo opção para partidas em que o Flamengo precisa de profundidade e velocidade nas transições.
Foi exatamente esse raciocínio que esteve por trás da escolha de Leonardo Jardim em Quito.
Mesmo tendo Pedro disponível, o treinador preferiu Bruno Henrique como referência ofensiva diante do Independiente del Valle.
A decisão funcionou.
Bruno marcou o primeiro gol da vitória e ajudou o Flamengo a construir uma vantagem importante para o jogo de volta no Maracanã.
Prestes a completar 36
Bruno Henrique nasceu em 30 de dezembro de 1990.
Portanto, ainda tem 35 anos e completará 36 somente no fim de 2026.
Para um atacante cuja carreira sempre teve a velocidade como uma de suas principais características, permanecer competitivo nessa idade não é algo banal.
E o Flamengo reconheceu isso.
Em maio, o clube renovou seu contrato até dezembro de 2027. Na mesma ocasião, o presidente Luiz Eduardo Baptista anunciou que Bruno Henrique será homenageado com um busto na Gávea, cuja inauguração está prevista para 15 de novembro deste ano.
Poucos jogadores ainda em atividade recebem uma homenagem desse tamanho.
Talvez porque, neste caso, já exista pouca dúvida sobre o lugar que Bruno Henrique ocupará quando finalmente encerrar sua passagem pelo clube.




