O gramado do Maracanã voltou ao centro das atenções.

Jogadores do Flamengo reclamaram publicamente das condições do campo nas últimas semanas, o estádio precisou passar por novas intervenções e a empresa responsável pela manutenção chega agora aos meses finais de contrato sem garantia de permanência.

Mas há um ponto importante: a Greenleaf não foi dispensada pelo Flamengo nem pelo consórcio que administra o estádio.

A empresa continua responsável pelo gramado e tem contrato válido até dezembro de 2026. O que aconteceu recentemente foi uma mudança dentro da própria estrutura administrativa do Maracanã.

Severiano Braga, que ocupava a direção de Operações e Infraestrutura e estava havia oito anos na gestão do estádio, foi demitido em agosto. Em seu lugar entrou Luis Felipe de Barros, que já atuava na administração como gestor de contratos.

A mudança coincidiu com um período de forte pressão sobre o estado do campo.

Contrato da Greenleaf termina em dezembro

A Greenleaf continua executando a manutenção do gramado.

Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, o vínculo termina em dezembro e, até o momento, não há garantia de renovação.

Paralelamente, a administração do Maracanã passou a estruturar uma equipe própria para acompanhar mais de perto as condições do campo e avaliar possíveis mudanças no modelo atual de manutenção.

Isso significa que o futuro do serviço está efetivamente em discussão, mas não que a empresa já tenha sido afastada.

A situação deve ser definida nos próximos meses.

Reclamações cresceram entre jogadores

O estado do gramado passou a receber críticas frequentes depois do retorno das competições após a Copa do Mundo.

Léo Pereira foi um dos jogadores do Flamengo que falou publicamente sobre o problema.

Depois do duelo contra o Cruzeiro, o zagueiro afirmou que o campo estava muito ruim para as duas equipes e ressaltou que as condições interferiam no estilo de jogo de um time que busca ter maior controle da bola.

Samuel Lino também demonstrou irritação durante uma partida contra o Mirassol.

Inicialmente, sua reação chegou a ser interpretada como insatisfação pela substituição. Depois, o jogador explicou que estava irritado com o estado do gramado, e Leonardo Jardim confirmou que essa era a origem do incômodo.

As críticas passaram, portanto, a vir de dentro do próprio Flamengo, um dos clubes responsáveis pela gestão do estádio ao lado do Fluminense.

Maracanã precisou de nova recuperação

Em agosto, o Consórcio Fla-Flu reservou uma semana inteira para recuperação técnica do campo.

O trabalho envolveu reparos especialmente nas áreas mais desgastadas, incluindo a região do gol norte.

A necessidade da intervenção foi tamanha que Flamengo e Fluminense usaram o cronograma de manutenção como argumento para impedir que o Vasco utilizasse o estádio em uma partida da Copa do Brasil.

Na defesa apresentada pelos administradores, foi citado um diagnóstico realizado em 29 de julho que identificou um nível elevado de desgaste provocado pela intensa utilização do campo.

A programação de recuperação foi elaborada justamente pela Greenleaf.

Tecnologia foi instalada para tentar acelerar recuperação

A administração também investiu em tecnologia.

Em julho, o Maracanã passou a utilizar um novo sistema de iluminação artificial com lâmpadas de LED produzidas na Holanda.

O equipamento é semelhante ao utilizado em estádios como Santiago Bernabéu e Camp Nou e foi instalado principalmente para estimular o crescimento da grama nas regiões que recebem pouca luz solar.

O problema é estrutural.

Partes do gramado recebem pouca incidência de sol, especialmente durante determinados períodos do ano.

Somam-se a isso a quantidade de jogos, o inverno, eventos externos e o curto espaço entre algumas partidas.

NFL aumenta pressão sobre o campo

Outro fator entrou nessa equação.

O Maracanã receberá um jogo da NFL em setembro.

As intervenções realizadas em agosto e programadas para setembro também levaram em consideração as exigências relacionadas ao evento internacional.

Isso significa que o campo precisa conciliar uma agenda intensa de futebol com uma operação completamente diferente da rotina habitual do estádio.

E o calendário tende a ficar ainda mais complexo nos próximos anos.

Flamengo e Fluminense também fecharam parceria para realização de shows no Maracanã a partir de 2027.

O paradoxo para Flamengo e Fluminense

A discussão ganha uma dimensão ainda maior porque Flamengo e Fluminense administram o estádio.

Não se trata, portanto, apenas de reclamar de um campo que pertence a terceiros.

Os clubes participam diretamente das decisões da concessionária responsável pelo Maracanã.

Ao mesmo tempo, o Flamengo tem sido uma das vozes mais críticas em relação aos gramados sintéticos utilizados no futebol brasileiro.

A dificuldade para manter o principal gramado natural do país em condições ideais inevitavelmente adiciona um novo elemento a essa discussão.

Não significa que os problemas do Maracanã resolvam o debate entre grama natural e sintética.

Mas mostram que manter um campo natural em alto nível, diante de calendário intenso, pouca incidência solar e diferentes tipos de eventos, também exige investimento, planejamento e períodos de recuperação.

Mudanças podem vir em 2027

O cenário atual aponta para uma decisão importante até dezembro.

A Greenleaf permanece responsável pela manutenção.

A administração já criou uma estrutura interna maior para acompanhar o campo.

O contrato atual está próximo do fim.

E a renovação não está garantida.

Por isso, os próximos meses podem determinar se o Maracanã continuará com o mesmo modelo de manutenção ou se Flamengo e Fluminense iniciarão uma nova etapa na gestão do gramado.

O que já parece claro é que o problema deixou de ser apenas uma reclamação pontual de jogadores.

Virou tema de gestão.