O caso Marcos Rojo ganhou novos capítulos nesta terça-feira (27) e continua longe de uma solução definitiva. Documentos divulgados pelo jornalista Mauro Cezar Pereira revelam que o Flamengo tentou impedir a participação do zagueiro pelo Estudiantes antes mesmo da semifinal da Libertadores, disputada em 22 de outubro, no Maracanã.

A informação muda um aspecto importante da cronologia: a contestação rubro-negra não surgiu apenas depois da eliminação nos pênaltis. O clube já havia formalizado sua oposição à autorização provisória concedida pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Documentos revelam tentativa de barrar Rojo antes do jogo

Segundo a documentação apresentada por Mauro Cezar Pereira, o Flamengo protocolou em 21 de outubro um pedido urgente para que o TAS revogasse a autorização dada a Marcos Rojo.

O clube também questionou a competência do tribunal para examinar o recurso naquele momento, argumentando que as instâncias internas da Conmebol ainda não haviam sido esgotadas.

Caso a revogação não fosse concedida, o Flamengo solicitou que a participação do jogador ocorresse sob responsabilidade do Estudiantes, preservando o direito de apresentar uma reclamação por escalação indevida.

Outro pedido foi pela tramitação acelerada do processo, com decisão definitiva antes da final da Libertadores, marcada para 28 de novembro.

FIFA reforçou interpretação das regras de inscrição

A controvérsia começou quando o Estudiantes pediu, em 9 de outubro, a inscrição de Rojo como substituto de um jogador lesionado.

A janela de transferências argentina havia terminado em 2 de setembro, mas o defensor ainda disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 daquele mês.

Antes de negar o pedido, a Conmebol consultou a FIFA. Segundo a cronologia divulgada oficialmente pelo Flamengo, a entidade internacional esclareceu que as regras sobre períodos de inscrição também se aplicam às transferências nacionais e não admitem exceções fora das previstas no regulamento.

Com esse entendimento, a Conmebol recusou a substituição em 14 de outubro e manteve a negativa no dia seguinte.

Essa manifestação da FIFA fortalece a interpretação regulamentar defendida pela Conmebol. Entretanto, não constitui uma nova decisão conjunta contra o Estudiantes nem anula automaticamente a autorização posterior do TAS.

O que realmente autorizou o TAS?

Em 21 de outubro, o TAS concedeu uma medida provisória permitindo que Rojo disputasse a Libertadores a partir do dia seguinte.

O próprio tribunal confirmou a Mauro Cezar Pereira que a autorização estava válida quando o jogador entrou em campo contra o Flamengo.

Entretanto, o pedido do Estudiantes foi acolhido apenas parcialmente. O TAS não concedeu proteção antecipada contra todas as possíveis consequências esportivas e disciplinares caso a inscrição venha a ser considerada irregular.

Isso não significa que uma punição já tenha sido determinada. O tribunal considerou prematuro decidir sobre consequências que ainda não haviam sido aplicadas.

A distinção é essencial: Rojo jogou autorizado, mas a regularidade definitiva de sua inscrição continua em discussão.

Perder a classificação é diferente de sofrer uma sanção

O Código Disciplinar da Conmebol prevê consequências para a utilização irregular de jogadores, incluindo a possibilidade de derrota administrativa por 3 a 0 quando os requisitos da infração forem reconhecidos.

Por outro lado, o Estudiantes dispõe de um argumento jurídico relevante: seu jogador participou da semifinal amparado por uma autorização provisória de um tribunal desportivo internacional.

Uma eventual decisão desfavorável sobre a inscrição não resolve automaticamente se os efeitos da autorização podem ser desconsiderados retroativamente.

É possível discutir responsabilidades e sanções sem concluir, de imediato, que a classificação conquistada em campo será retirada. Multas ou outras medidas disciplinares dependeriam de fundamento regulamentar próprio; nenhuma foi anunciada como punição definida para este caso.

Flamengo aguarda resposta antes da final

O Estudiantes permanece classificado para enfrentar o Palmeiras, enquanto o Flamengo procura obter uma definição antes de 28 de novembro.

O TAS informou que a audiência do processo ainda não tem data marcada. Também não existe decisão confirmada que altere o resultado da semifinal.

Os novos documentos demonstram que o Flamengo procurou preservar seus direitos antes da partida e que a Conmebol tinha uma interpretação regulamentar respaldada por esclarecimento anterior da FIFA.

Mas a principal pergunta continua sem resposta: se a inscrição de Rojo for considerada irregular, uma punição poderá alcançar a classificação do Estudiantes mesmo tendo o jogador atuado sob autorização do TAS?

É justamente essa questão que mantém o caso aberto e faz dos próximos atos jurídicos um assunto de interesse direto para os dois clubes e para a definição da Libertadores de 2026.