A saída de Everton Cebolinha do Flamengo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (10). Apresentado pelo Santos, o atacante respondeu diretamente a uma declaração de José Boto e negou ter se “excluído” do clube rubro-negro antes da transferência.

A divergência está no modo como cada lado descreve os últimos dias do jogador no Flamengo.

Dois dias antes, José Boto havia afirmado à ESPN que Cebolinha já havia se excluído do Flamengo “no sentido de não renovar o contrato”, tratando a situação como um fim de ciclo. O dirigente também explicou que, depois da partida contra o Remo, o atacante pediu para retornar ao Rio porque havia clubes interessados em sua contratação.

Na apresentação pelo Santos, Cebolinha apresentou outra leitura. O atacante confirmou que desejava deixar o Flamengo, mas rejeitou a ideia de que tenha se colocado à margem do elenco. Segundo ele, a decisão foi procurar um novo clube porque entendia que teria poucas oportunidades de recuperar protagonismo no time rubro-negro.

A diferença parece pequena na escolha das palavras, mas é relevante. Boto considera que a decisão do atleta de não renovar e encerrar seu ciclo representou uma espécie de autoexclusão do projeto. Cebolinha admite que decidiu sair, porém sustenta que continuou respeitando o clube e cumprindo suas obrigações enquanto a negociação não era concluída.

O pedido para não enfrentar o Remo

Um dos pontos esclarecidos por Cebolinha foi a ausência diante do Remo.

O atacante afirmou que pediu a José Boto e ao técnico Leonardo Jardim para não ser utilizado porque mantinha negociações com equipes brasileiras e uma nova participação poderia prejudicar uma transferência dentro do país.

A situação tinha relação direta com o número de partidas disputadas no Campeonato Brasileiro. Cebolinha havia alcançado 12 jogos na competição, limite citado à época para que pudesse trocar de clube dentro da Série A. Depois do confronto em Belém, ele deixou a delegação e retornou ao Rio com autorização do Flamengo.

Essa explicação acrescenta contexto ao episódio. O pedido para não atuar, na versão do jogador, não teria sido uma recusa em defender o Flamengo, mas uma medida ligada ao andamento das negociações e à possibilidade de transferência para outro clube brasileiro.

Cebolinha também reconheceu que estava insatisfeito com a falta de espaço. Na apresentação, afirmou que esperava receber mais oportunidades e que a situação acabou gerando chateação. O atacante avaliou que precisava procurar novos ares para voltar a disputar uma posição de maior protagonismo.

Boto tratou decisão de não renovar como fim de ciclo

A declaração de José Boto, entretanto, também foi mais específica do que apenas a frase que ganhou repercussão.

Ao dizer que Cebolinha “se excluiu do Flamengo”, o diretor explicou imediatamente que se referia à decisão de não renovar o contrato e ao entendimento de que o ciclo do jogador estava terminando.

Portanto, Boto não afirmou que Cebolinha havia abandonado os treinamentos ou simplesmente se recusado a permanecer à disposição. O argumento do dirigente foi de natureza esportiva e contratual: a partir do momento em que o jogador comunicou que não pretendia renovar, sua continuidade passou a ser tratada como um ciclo em encerramento.

É justamente aí que a resposta de Cebolinha cria a divergência.

O atacante não nega que queria sair. Também não nega que decidiu não renovar. O que ele contesta é a definição de que isso significaria ter se excluído do Flamengo.

Flamengo oficializou saída em comum acordo

Na quarta-feira (9), o Flamengo anunciou oficialmente a transferência de Everton Cebolinha para o Santos. Em nota, o clube informou que a saída ocorreu em comum acordo, após solicitação do próprio atleta, a menos de quatro meses do término do contrato.

O comunicado oficial adotou tom diferente da discussão pública entre Boto e o jogador. O Flamengo agradeceu a Cebolinha pelo profissionalismo, dedicação e contribuição durante sua passagem e desejou sucesso na sequência da carreira.

Segundo os números oficiais do clube, Cebolinha encerrou sua trajetória pelo Flamengo com 199 partidas. Desde que chegou, em 2022, fez parte de um período vitorioso, conquistando duas Libertadores, um Campeonato Brasileiro, duas Copas do Brasil, três Campeonatos Cariocas e uma Supercopa do Brasil.

No Santos, o atacante assinou contrato até o fim da temporada e já iniciou os trabalhos com o novo elenco. Na apresentação, deixou claro que vê a mudança como oportunidade para recuperar espaço e protagonismo depois de uma reta final de passagem pelo Flamengo marcada por poucas oportunidades.

A discussão entre Cebolinha e Boto, portanto, não está em saber se o atacante queria ou não deixar o Flamengo. Esse ponto é reconhecido pelos dois lados.

A divergência está em outra questão: decidir não renovar e procurar um novo clube significa ter se excluído do Flamengo?