Matías Viña deixou o Flamengo no início de 2026 com um objetivo bastante claro: voltar a jogar com regularidade.
Meses depois, o lateral uruguaio vive exatamente o cenário que pretendia evitar.
Está fora dos planos do River Plate, treina separado do elenco principal e busca uma solução para voltar a atuar. O clube argentino, por sua vez, novamente tenta antecipar o encerramento de seu empréstimo e devolvê-lo ao Flamengo.
Só existe um problema: o contrato vai até dezembro.
E o Flamengo não pretende assumir sozinho a conta pela decisão tomada pelo River.
Segundo informações divulgadas sobre as conversas entre os clubes, o Rubro-Negro aceita discutir o retorno antecipado de Viña, mas mantém uma condição: o River deve continuar responsável pelos salários previstos até o encerramento original do empréstimo.
Os argentinos não querem assumir esse custo por um jogador que não utilizam.
Está criado o impasse.
Um empréstimo que poderia virar venda
Viña foi emprestado ao River no início de janeiro por uma temporada.
A operação continha um elemento importante: uma opção de compra que se transformaria em obrigação caso determinadas metas fossem atingidas.
Segundo a imprensa argentina, uma delas está relacionada à participação do uruguaio em 50% das partidas do River. Atingido o gatilho, o clube argentino teria obrigação de desembolsar cerca de US$ 4,5 milhões pela aquisição.
Viña começou a temporada recebendo oportunidades.
Foram 14 partidas pelo River no primeiro semestre, sendo dez como titular. O rendimento, porém, foi bastante questionado na Argentina e o lateral gradualmente perdeu espaço.
Após a Copa do Mundo, a situação mudou definitivamente.
O técnico Eduardo Coudet decidiu que o uruguaio não faria parte dos planos para a segunda metade da temporada.
A partir daquele momento, além da consequência esportiva para Viña, surgiu outra consequência importante: sem entrar em campo, o jogador também deixa de avançar em direção à meta que poderia obrigar o River a comprá-lo.
É importante fazer uma distinção.
Não há elemento suficiente para afirmar que Viña foi afastado com a finalidade de evitar a cláusula de compra.
O fato objetivo é outro: afastado e sem jogar, ele não atinge o número de partidas necessário para acionar o gatilho.
A primeira tentativa de devolução
A situação não começou agora.
Em junho, ainda durante a Copa do Mundo, a imprensa argentina já informava que Viña não estava nos planos do River.
Pouco depois, o clube argentino procurou o Flamengo para discutir uma interrupção antecipada do empréstimo.
Naquela ocasião, o Flamengo deixou clara sua posição.
O River havia assumido os salários de Viña até dezembro e o contrato também previa consequências financeiras em caso de rompimento antecipado.
Portanto, para o Flamengo, simplesmente aceitar o jogador de volta significaria recuperar antecipadamente um custo que havia sido transferido aos argentinos.
As conversas não avançaram.
Viña permaneceu no River, mas não voltou ao elenco principal.
Do River ao “container”
A situação esportiva do lateral piorou.
Viña passou a integrar o grupo de jogadores considerados fora dos planos e enviados para treinar separadamente no centro de treinamento de Cantilo.
A imprensa argentina passou a chamar o local informalmente de “container”, numa referência à estrutura utilizada pelo grupo de atletas afastados enquanto o River buscava destinos para cada um deles.
Com o passar das semanas, vários jogadores conseguiram sair.
Viña permaneceu.
Uma possibilidade chegou a aparecer no futebol espanhol. O Getafe demonstrou interesse no lateral, mas a negociação não chegou a ser concretizada.
Enquanto as principais janelas internacionais foram fechando, as alternativas diminuíram.
Na atualização publicada nesta semana pela TyC Sports, Viña aparece entre os últimos jogadores afastados ainda sem solução e com seu futuro diretamente dependente de um entendimento com o Flamengo, proprietário de seus direitos.
River tenta novamente, Flamengo mantém posição
Agora, o River voltou a tentar antecipar a devolução.
A posição do Flamengo, entretanto, continua praticamente a mesma da primeira conversa.
O clube carioca não se opõe necessariamente ao retorno do jogador. O que não pretende fazer é assumir imediatamente os salários que, pelo acordo de empréstimo, são responsabilidade do River até dezembro.
As informações mais recentes apontam que o Flamengo condiciona a liberação antecipada ao pagamento dos vencimentos previstos até o final do contrato.
O River, por sua vez, busca uma maneira de não continuar pagando integralmente por um atleta que já não utiliza.
Viña fica no meio da disputa.
O lateral deseja voltar a jogar e seus representantes trabalham para encontrar uma solução enquanto ainda existem mercados abertos.
Caso nenhum acordo seja alcançado, existe a possibilidade de o uruguaio permanecer treinando separado até dezembro, quando termina oficialmente o empréstimo e ele volta a ficar à disposição do Flamengo.
Seu contrato com o clube brasileiro vai até o fim de 2028.
De contratação milionária a futuro indefinido
O momento atual chama ainda mais atenção pela trajetória recente de Viña.
O Flamengo investiu pesado para contratá-lo da Roma em janeiro de 2024. Poucos meses depois, em agosto daquele ano, o lateral sofreu uma grave lesão no joelho direito durante partida contra o Palmeiras.
Foram meses de recuperação.
Quando conseguiu voltar, encontrou Alex Sandro e Ayrton Lucas na disputa pela lateral e teve dificuldade para recuperar sequência.
A ida ao River deveria representar justamente uma oportunidade de recomeço.
O próprio Viña explicou durante a temporada que buscou o clube argentino para ter continuidade e chegar à seleção uruguaia com mais ritmo.
O plano não funcionou.
Hoje, em vez de discutir a possibilidade de uma venda definitiva ao River, Flamengo, jogador e clube argentino procuram uma saída para um empréstimo que se tornou um problema para todas as partes.




