A primeira convocação da Seleção Brasileira depois da Copa do Mundo de 2026 trouxe Pedro e Samuel Lino de volta ao noticiário rubro-negro. Os dois atacantes do Flamengo foram chamados por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia e representam o líder do Campeonato Brasileiro na lista que abre o novo ciclo até 2030.
Mas um dado chamou ainda mais atenção: nenhum clube colocou mais jogadores na Seleção do que o Corinthians.
Hugo Souza, Matheuzinho e Breno Bidon foram convocados. São três representantes de uma equipe que atravessa uma das piores sequências da temporada, com quatro derrotas consecutivas no Brasileirão e apenas 32 pontos. O Flamengo, líder com 54, tem dois. Arsenal, Chelsea e Real Madrid também aparecem com dois jogadores cada.
A comparação não significa que a classificação do clube deva determinar uma convocação. Seleção não é prêmio para os primeiros colocados, e o desempenho individual precisa ser analisado separadamente. Ainda assim, três jogadores de um Corinthians em crise abrem uma discussão legítima sobre os critérios adotados por Ancelotti neste início de renovação.
Corinthians lidera a lista entre os clubes
A convocação tem 26 jogadores e dez deles atuam no futebol brasileiro. O Campeonato Brasileiro, inclusive, foi a liga com mais representantes na lista, superando a Premier League.
No Corinthians, Hugo Souza é o único dos três que já havia sido chamado anteriormente por Ancelotti. Matheuzinho e Breno Bidon aparecem como novidades na Seleção principal.
Bidon é talvez o nome menos surpreendente do trio. Aos 21 anos, é tratado como um dos jogadores de maior potencial do futebol brasileiro e recentemente despertou interesse do Besiktas, da Turquia. O Corinthians chegou a discutir valores na casa de 18 milhões de euros, mas a negociação não avançou.
Matheuzinho vive uma temporada de maior protagonismo e ganhou espaço no radar da comissão técnica. Ao mesmo tempo, sua convocação acontece justamente durante uma queda coletiva do Corinthians. Segundo o UOL, Matheuzinho e Breno Bidon estão entre os jogadores que perderam influência nas últimas partidas.
Hugo Souza permanece no processo de observação da Seleção e entra numa posição que Ancelotti decidiu renovar completamente. Alisson, Ederson e Weverton ficaram fora, enquanto Hugo, Pedro Morisco, do Coritiba, e Otávio, do Cruzeiro, foram chamados.
Pedro e Samuel Lino representam o líder
No Flamengo, Pedro e Samuel Lino chegam à Seleção em momentos diferentes, mas com argumentos esportivos claros.
Pedro continua sendo uma das principais referências ofensivas do futebol brasileiro e volta a ganhar espaço num momento em que Ancelotti procura alternativas para o comando de ataque.
Samuel Lino transformou uma grande sequência pelo Flamengo em oportunidade na Seleção. O atacante vem sendo um dos jogadores mais decisivos do elenco e consolidou-se rapidamente como peça importante no time rubro-negro.
A presença dos dois coloca o Flamengo ao lado de Arsenal, Chelsea e Real Madrid entre os segundos maiores fornecedores desta convocação. Ainda assim, chama atenção que o líder do Brasileirão esteja atrás justamente do Corinthians, equipe de zona intermediária que atravessa quatro derrotas seguidas.
Ancelotti explica a renovação
Depois da eliminação para a Noruega nas oitavas de final, Ancelotti iniciou um processo de renovação e afirmou que pretende priorizar jogadores jovens com potencial para chegar ao Mundial de 2030.
Segundo o técnico, o momento do calendário também pesou. O Campeonato Brasileiro está mais avançado do que as principais ligas europeias, o que significa que muitos jogadores que atuam no país estão hoje em melhor condição física.
Ancelotti afirmou que acompanha todos os campeonatos e negou que esteja priorizando quem joga no Brasil. A intenção, segundo ele, é observar atletas que podem representar o futuro da Seleção.
Os próximos jogos também favorecem experiências: o Brasil enfrenta a Austrália duas vezes, nos dias 25 e 29 de setembro, e depois encara a Índia em 3 de outubro.
Não se trata, portanto, de uma lista definitiva. É o começo de um ciclo de quatro anos.
A convocação também revela as dúvidas da Seleção
A renovação é necessária, mas algumas escolhas naturalmente provocam debate.
O Brasil saiu da Copa de 2026 novamente sem alcançar as fases decisivas e precisa encontrar soluções em posições que continuam abertas. O gol e as laterais são dois exemplos.
Matheuzinho recebe uma oportunidade num setor em que a Seleção procura estabilidade há anos. Hugo Souza permanece no radar enquanto Ancelotti testa uma formação de goleiros completamente diferente daquela levada ao Mundial.
Isso não significa que os dois não mereçam ser observados. Significa que a Seleção ainda não encontrou respostas definitivas.
Talvez esse seja o principal retrato desta convocação: mais do que premiar os melhores do momento, Ancelotti parece disposto a ampliar o campo de testes.
Para o Flamengo, Pedro e Samuel Lino têm a oportunidade de confirmar que o protagonismo no líder do Brasileirão pode ser transferido para a camisa amarela.
Para o Corinthians, a convocação de três jogadores surge como um contraste curioso em meio a uma fase coletiva muito ruim.
E para Ancelotti, começa agora uma etapa em que cada escolha será analisada com lupa depois de uma Copa que terminou muito antes do que o brasileiro esperava.




