O Corinthians entrou em uma situação incomum nos bastidores comerciais. Mesmo sem contrato vigente com a EZZE Seguros, o clube continuou exibindo a marca da empresa em sua camisa durante oito partidas. O vínculo terminou em 30 de junho e, até esta sexta-feira, ainda não havia sido renovado por divergências financeiras entre as partes.

A informação ganhou força depois do empate com o Rosario Central, que marcou o oitavo jogo com a marca ainda presente no uniforme. O próprio Corinthians reconheceu que a exposição continua apesar de o contrato ter terminado, mas não apresentou uma explicação pública para a manutenção do patrocinador.

Segundo a apuração do UOL, a EZZE pagava R$ 6 milhões por ano para ocupar um espaço nas costas da camisa, considerado um dos pontos comerciais mais valorizados do uniforme alvinegro, atrás apenas da área destinada ao patrocinador máster.

Oito jogos depois do fim do contrato

O contrato venceu em 30 de junho. Depois dessa data, a marca da EZZE continuou estampada nos jogos contra Remo, Bahia, Athletico, Internacional em duas ocasiões, Red Bull Bragantino e Rosario Central, além do amistoso diante do Cascavel.

Na prática, isso significa que o Corinthians passou mais de um mês utilizando comercialmente uma marca cujo vínculo formal já havia terminado.

Em relações de patrocínio, o encerramento de um contrato normalmente também representa o fim da exposição publicitária, salvo quando existe extensão, aditivo, autorização provisória ou algum outro entendimento entre as partes.

Até agora, porém, o Corinthians não anunciou publicamente um novo acordo com a EZZE nem explicou se existe algum instrumento temporário que justifique a continuidade da marca no uniforme.

O caso chama atenção porque o espaço ocupado pela empresa está longe de ser secundário. A camisa de um clube do tamanho do Corinthians possui áreas negociadas por valores relevantes, e cada partida amplia a exposição da marca em transmissões, fotografias, vídeos e redes sociais.

Divergência financeira trava renovação

A renovação não avançou por divergências de valores entre Corinthians e EZZE Seguros. O acordo anterior rendia R$ 6 milhões anuais ao clube e não houve, até o momento, entendimento anunciado sobre as condições de um novo vínculo.

O cenário produz uma situação curiosa: enquanto as partes seguem sem formalizar a renovação, a empresa continua recebendo exposição em um dos uniformes de maior alcance do futebol brasileiro.

O Corinthians, por sua vez, mantém ocupado um ativo comercial mesmo sem ter anunciado uma nova receita relacionada àquele espaço.

A situação também provoca uma pergunta inevitável: caso a renovação seja concluída posteriormente, haverá algum tipo de compensação financeira referente ao período em que a marca permaneceu exposta sem contrato vigente?

Até esta sexta-feira, não havia informação pública apontando para esse tipo de pagamento. Portanto, qualquer afirmação nesse sentido seria precipitada.

Corinthians admite a situação

O ponto que torna o caso ainda mais relevante é a confirmação do próprio clube.

Questionado sobre o assunto, o Corinthians admitiu que continua estampando a EZZE Seguros mesmo depois do encerramento do vínculo, mas não explicou o motivo da manutenção da marca.

Também não foi apresentada uma nova data para a conclusão das negociações.

A ausência de uma explicação amplia a repercussão porque o assunto deixa de ser simplesmente uma negociação comercial que ainda não terminou.

O Corinthians efetivamente entrou em campo em partidas oficiais exibindo publicidade de uma empresa cujo contrato, segundo a apuração publicada nesta sexta-feira, não estava mais vigente.

Há ainda outro detalhe curioso: o site oficial do Corinthians continua apresentando a EZZE Seguros entre os patrocinadores do clube.

Isso reforça que a empresa permanece integrada à comunicação comercial alvinegra, apesar da pendência envolvendo o contrato da camisa.

Camisa é um ativo milionário

No futebol brasileiro, o uniforme tornou-se um dos principais ativos comerciais dos grandes clubes.

Além do patrocinador máster, áreas como mangas, costas e barra da camisa são negociadas separadamente. O valor de cada espaço depende da exposição oferecida pelo clube, do tamanho de sua torcida, das transmissões e da presença nas diferentes competições.

Por isso, cada partida disputada com uma determinada marca representa entrega de publicidade.

No caso do Corinthians, foram oito jogos depois de 30 de junho.

Para um clube que busca aumentar receitas e reorganizar sua situação financeira, administrar corretamente esses ativos comerciais é especialmente importante. Uma área valorizada do uniforme precisa gerar receita proporcional à exposição oferecida.

O caso da EZZE coloca justamente essa questão no centro da discussão: a publicidade permaneceu, mas a renovação contratual ainda não foi anunciada.

Situação incomum nos bastidores do Corinthians

A questão não significa necessariamente que exista alguma irregularidade.

É possível que Corinthians e empresa tenham algum entendimento comercial provisório ainda não tornado público. Também é possível que exista expectativa de renovação que tenha levado as partes a manterem a exposição enquanto negociam.

O problema é que nenhuma dessas hipóteses foi confirmada oficialmente.

O que se sabe, até agora, é objetivo: o contrato terminou em 30 de junho, a renovação não foi concluída por divergências financeiras e a marca permaneceu na camisa por oito partidas.

Para um contrato que anteriormente movimentava R$ 6 milhões por ano, não é um detalhe pequeno.