O Estudiantes já está na semifinal da Libertadores e aguarda o vencedor de Flamengo e Independiente del Valle. Antes de pensar em um novo encontro com os argentinos, o Rubro-Negro ainda precisa confirmar nesta quinta-feira, no Maracanã, a vantagem de 2 a 0 construída no Equador.
Mas, caso avance, o Flamengo encontrará um adversário que conhece muito bem — e que chega à semifinal com um número que chama atenção.
Em dez partidas disputadas nesta Libertadores, o Estudiantes perdeu apenas uma.
E foi justamente para o Flamengo.
A equipe argentina soma quatro vitórias, cinco empates e apenas uma derrota na competição, com 12 gols marcados e sete sofridos. O único revés aconteceu no dia 20 de maio, quando Pedro marcou no segundo tempo e garantiu a vitória rubro-negra por 1 a 0 no Maracanã.
O número ajuda a dimensionar o adversário que já está esperando na próxima fase. O Estudiantes não apresenta uma campanha marcada por goleadas ou grande produção ofensiva. Pelo contrário: cinco de seus dez jogos terminaram empatados. A força está principalmente na capacidade de permanecer vivo nos confrontos e administrar partidas equilibradas.
Foi exatamente dessa maneira que chegou até a semifinal.
Estudiantes cresceu justamente no mata-mata
Na fase de grupos, Flamengo e Estudiantes já dividiram a mesma chave.
O Rubro-Negro terminou na liderança com 16 pontos em 18 possíveis. O Estudiantes avançou em segundo, com nove, e precisou de um gol aos 46 minutos do segundo tempo da última rodada contra o Independiente Medellín para confirmar a classificação.
O desempenho argentino mudou quando começou o mata-mata.
Nas oitavas de final, depois de empatar por 1 a 1 com a Universidad Católica em La Plata, o Estudiantes viajou ao Chile e venceu por 3 a 0. Guido Carrillo marcou duas vezes e Joaquín Correa completou o placar.
Nas quartas, o roteiro voltou a ter semelhanças.
Estudiantes e Corinthians empataram por 1 a 1 na Argentina. Na volta, diante de mais de 47 mil torcedores na Neo Química Arena, os argentinos venceram por 1 a 0, com gol de Alexis Castro aos 41 minutos do segundo tempo. Memphis Depay ainda desperdiçou um pênalti nos acréscimos que poderia levar a decisão para as penalidades.
O resultado produz um dado relevante para qualquer adversário que enfrentar o Estudiantes na semifinal: nos dois jogos eliminatórios que realizou fora de casa nesta Libertadores, o clube argentino venceu os dois e não sofreu nenhum gol.
Foram 3 a 0 sobre a Universidad Católica no Chile e 1 a 0 diante do Corinthians em São Paulo.
Fora de casa, Estudiantes não precisa controlar a bola
Os números também ajudam a explicar o comportamento da equipe comandada por Alexander Medina.
Antes da partida decisiva contra o Corinthians, a própria Conmebol destacava que o Estudiantes tinha apenas 41% de posse de bola em média como visitante na Libertadores. Isso não impediu o clube de construir uma campanha eficiente longe de La Plata.
O time argentino consegue conviver com períodos sem a bola e explora bastante situações de bola parada. No primeiro confronto contra o Corinthians, sete das 14 finalizações do Estudiantes nasceram justamente de bolas paradas.
É um perfil que ajuda a explicar por que o clube consegue sobreviver em partidas nas quais não domina territorialmente o adversário.
O Flamengo já experimentou isso.
Em La Plata, Flamengo sentiu a pressão
No primeiro encontro entre os clubes nesta edição, em 29 de abril, o Flamengo abriu o placar na Argentina com Luiz Araújo, após jogada de Bruno Henrique.
O Rubro-Negro fez um primeiro tempo seguro, mas o Estudiantes aumentou a pressão depois do intervalo. Guido Carrillo aproveitou um rebote de Rossi e empatou por 1 a 1.
A partida ainda teve uma sequência de acontecimentos que aumentou a tensão: Arrascaeta sofreu uma fratura na clavícula, Leonardo Jardim e Alexander Medina foram expulsos e o Estudiantes pressionou nos minutos finais, obrigando Rossi a fazer intervenções importantes para preservar o empate.
No reencontro, no Maracanã, a história foi diferente.
Com mais de 53 mil torcedores, o Flamengo controlou grande parte do confronto, pressionou a saída argentina e venceu por 1 a 0 com gol de Pedro aos 19 minutos do segundo tempo.
Aquela derrota continua sendo, quatro meses depois, a única sofrida pelo Estudiantes em toda a Libertadores de 2026.
E 2025 ainda está muito recente
Existe ainda outro elemento que torna um eventual reencontro diferente de uma semifinal contra um adversário desconhecido.
Flamengo e Estudiantes já disputaram um mata-mata de Libertadores no ano passado.
Nas quartas de final de 2025, o Flamengo abriu a série vencendo por 2 a 1 no Maracanã. Pedro marcou com apenas 15 segundos, Varela ampliou aos oito minutos e Carrillo diminuiu nos acréscimos.
Na Argentina, o Estudiantes venceu por 1 a 0 e levou a decisão para os pênaltis.
Rossi, que havia falhado no gol argentino durante o tempo normal, defendeu duas cobranças na disputa. O Flamengo venceu por 4 a 2 e avançou à semifinal.
Portanto, caso o Flamengo elimine o Del Valle, serão seis jogos contra o Estudiantes em pouco mais de um ano: dois pelas quartas de 2025, dois pela fase de grupos de 2026 e outros dois por uma eventual semifinal.
Histórico também favorece o Flamengo
O retrospecto geral registra 12 partidas entre os clubes.
São cinco vitórias do Flamengo, cinco empates e apenas duas vitórias do Estudiantes. O Rubro-Negro marcou 13 gols e sofreu oito.
Mas há outro recorte ainda mais interessante.
Antes de 2025, Flamengo e Estudiantes haviam disputado quatro mata-matas pela antiga Supercopa Libertadores, em 1988, 1991, 1992 e 1994.
O Flamengo avançou em 1988, 1991 e 1992. O Estudiantes conseguiu eliminar o Rubro-Negro somente em 1994. Em 2025, já pela Libertadores, o Flamengo voltou a levar a melhor. Assim, em cinco confrontos eliminatórios entre os clubes, o Flamengo avançou quatro vezes e os argentinos apenas uma.
O histórico é positivo. O presente também.
Mas a campanha de 2026 mostra por que o Estudiantes chegou novamente entre os quatro melhores do continente: é um adversário difícil de derrotar, confortável em partidas equilibradas e que já mostrou capacidade de buscar classificações importantes longe de casa.
Antes de qualquer reencontro, porém, existe o Independiente del Valle.
O Flamengo precisa primeiro terminar o trabalho no Maracanã.




