O Flamengo voltou a entrar em rota de colisão com empresários do futebol depois de comunicar a suspensão e o adiamento de pagamentos de comissões previstos para 2026. A decisão provocou uma reação da Associação Brasileira de Agentes de Futebol, a Abaf, que levou o caso à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, responsável pelo novo sistema de fair play financeiro da CBF.

Segundo informações publicadas pelo ge, a Abaf enviou um ofício ao presidente da agência, Caio Resende, solicitando que os empresários sejam incluídos entre os credores autorizados a denunciar clubes inadimplentes dentro do Sistema de Sustentabilidade Financeira.

O documento é assinado pelo presidente da associação, Jorge Moraes, e conta com o apoio de 41 agentes.

Flamengo comunicou adiamento de pagamentos

Nos últimos dias, o departamento de negociação e contratos do Flamengo enviou mensagens a empresários informando a necessidade de reorganizar os pagamentos de determinadas comissões acordadas até o final de 2026.

Em uma das comunicações, o clube informou que os valores pendentes seriam postergados para 2027. Entretanto, não teria apresentado um novo calendário detalhado para a quitação dessas obrigações.

O Flamengo costuma pagar aos agentes uma comissão equivalente a aproximadamente 7% do valor das negociações.

Para a Abaf, o caso chama atenção porque envolve justamente o clube considerado como um dos mais organizados e financeiramente sólidos do futebol brasileiro.

A associação argumenta que, caso até mesmo o Flamengo esteja adiando obrigações já previstas em contrato, a situação de empresários que possuem valores a receber de clubes em dificuldades financeiras pode ser ainda mais preocupante.

Empresários querem acesso ao fair play financeiro

Atualmente, um agente que não recebe uma comissão pode recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF ou à Justiça Comum.

A Abaf quer que essas dívidas também possam ser denunciadas diretamente à Anresf. Caso o pedido seja aceito, os clubes que não cumprirem os pagamentos a empresários poderão correr o risco de receber sanções dentro do futebol.

Entre as possíveis consequências previstas nos sistemas de controle financeiro estão restrições para registrar jogadores, limitações no mercado e outras punições esportivas, dependendo da gravidade e da regulamentação aplicada ao caso.

O movimento da associação não começou agora. A Abaf já havia enviado documentos à agência reguladora nos dias 1º e 3 de julho de 2026. Em uma das cartas, a entidade mencionou diretamente a situação envolvendo o Flamengo e pediu urgência na análise.

Bap confirma tentativa de renegociação

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia confirmado publicamente que a diretoria estava tentando renegociar alguns contratos firmados com empresários.

Em entrevista ao canal do jornalista Venê Casagrande, Bap afirmou que determinadas condições aceitas anteriormente pelo clube não eram consideradas razoáveis pela atual gestão.

O dirigente também adotou um tom firme ao defender a posição do Flamengo. Segundo ele, os empresários reconhecem que o clube possui credibilidade no mercado e costuma cumprir seus compromissos.

Bap declarou ainda que os agentes que não concordarem com as condições propostas podem optar por não realizar novos negócios com o Flamengo.

A diretoria entende que a tentativa de renegociação faz parte da administração financeira e contratual do clube.

Situação já aconteceu no início da gestão

Esta não é a primeira vez que o Flamengo adia o pagamento de comissões a empresários durante a administração de Bap.

No início de 2025, logo após assumir a presidência no lugar de Rodolfo Landim, o dirigente adotou uma medida semelhante para preservar o fluxo de caixa do clube.

Naquele momento, a nova gestão afirmou ter encontrado aproximadamente R$ 3 milhões disponíveis nos cofres para as despesas imediatas.

Agora, o adiamento acontece em um período no qual o Flamengo precisa controlar seus investimentos no mercado da bola.

Contratação de Paquetá pesa no orçamento

A diretoria já reconheceu publicamente que o alto investimento realizado na contratação de Lucas Paquetá obrigou o clube a atuar com mais cautela financeira nas negociações seguintes.

O custo total da operação envolvendo o meio-campista chegou a aproximadamente R$ 315,7 milhões. Desse valor, cerca de R$ 155 milhões foram pagos à vista.

Mesmo continuando entre os clubes com maior capacidade financeira do Brasil, o Flamengo não possui atualmente a mesma liberdade para investir em novos reforços sem avaliar cuidadosamente o impacto de cada operação.

A reorganização das comissões acontece justamente nesse cenário de controle de caixa e redução do poder imediato de compra.

Caso pode ampliar pressão sobre o Flamengo

A mobilização dos empresários pode transformar uma discussão contratual em um debate mais amplo dentro do futebol brasileiro.

Caso a agência reguladora aceite incluir os agentes entre os credores reconhecidos pelo fair play financeiro, clubes que atrasarem ou suspenderem o pagamento de comissões poderão enfrentar consequências esportivas, além das cobranças judiciais já existentes.

O Flamengo sustenta que está buscando renegociar condições consideradas inadequadas. Já os empresários alegam que valores previstos em contrato não podem ser adiados unilateralmente.

A decisão da Anresf sobre o pedido da Abaf poderá estabelecer um precedente importante para a relação entre clubes e agentes no futebol brasileiro.