O Flamengo avançou de maneira significativa pela contratação de Joaquín Freitas, atacante de 19 anos do River Plate. A negociação ganhou força neste domingo e pode alcançar US$ 17 milhões, incluindo bônus previstos no acordo, valor que coloca o jovem argentino entre as apostas mais caras feitas recentemente pelo clube carioca.
Segundo informações divulgadas na Argentina e no Brasil, esta já seria a terceira investida do Flamengo pelo jogador. Freitas também teria manifestado ao River o desejo de seguir a carreira no futebol brasileiro, atraído pelo projeto esportivo apresentado pelo Rubro-Negro. O clube argentino considera os números da proposta negociáveis, mas trabalha para manter participação de 20% em uma futura transferência.
O avanço das conversas já teve reflexo dentro de campo. Freitas ficou no banco de reservas na vitória do River por 3 a 2 sobre o Banfield neste domingo, mas não foi utilizado pelo técnico interino Leonardo Ponzio. A decisão ocorreu justamente enquanto as partes negociavam os últimos detalhes da possível transferência.
A expectativa é que as conversas continuem nos próximos dias. Para o Flamengo, existe ainda a corrida contra o calendário: embora a janela brasileira permaneça aberta até 11 de setembro, o clube tem até 4 de setembro para registrar reforços visando às quartas de final da Libertadores.
Quem é Joaquín Freitas
Freitas chegou ao River Plate depois de iniciar a trajetória no Acassuso e rapidamente passou a ser tratado como um jogador de potencial dentro do clube argentino.
Aos 19 anos, porém, ainda está no início da carreira profissional.
O atacante acumula 30 partidas pela equipe principal do River, sendo 12 como titular, com um gol e duas assistências. Seu contrato com o clube argentino vai até dezembro de 2028.
O único gol pelo profissional aconteceu justamente contra o Banfield.
Com Eduardo Coudet, Freitas ganhou minutos principalmente aberto pelo lado direito. Suas principais características são velocidade, intensidade e capacidade de atacar espaços. Apesar disso, na Argentina há avaliações de que sua posição mais confortável é atuando como segundo atacante, mais próximo de um centroavante.
A concorrência no River também aumentou. O clube argentino reforçou fortemente o ataque com nomes como Ángel Correa, Rafael Santos Borré e Lucas Beltrán, enquanto já contava com Sebastián Driussi. Mesmo nesse cenário, Freitas continuou recebendo oportunidades.
O jovem chegou inclusive à seleção principal da Argentina. Lionel Scaloni o convocou durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026, e Freitas estreou na vitória argentina por 2 a 0 sobre Honduras.
Há, portanto, elementos que ajudam a explicar por que o departamento de scout do Flamengo vê potencial no jogador.
O debate começa quando esse potencial recebe um preço.
Flamengo pode colocar quase R$ 90 milhões em uma aposta
A proposta rubro-negra pode chegar a aproximadamente US$ 17 milhões, algo na casa de R$ 88 milhões a R$ 92 milhões, dependendo da cotação considerada.
Não é uma contratação de baixo risco financeiro.
Também não se trata de buscar um jovem desconhecido por alguns milhões e desenvolvê-lo internamente. O Flamengo está disposto a realizar um investimento próximo da casa dos R$ 90 milhões em um jogador que ainda busca sua consolidação no futebol profissional.
Além disso, o River tenta conservar 20% de participação em uma futura negociação. Dessa maneira, mesmo desembolsando uma quantia elevada agora, o Flamengo poderá não ficar com toda a valorização econômica do atleta numa eventual venda posterior.
O Acassuso, clube formador do atacante, também possui direito a uma parcela da operação, limitada a US$ 1 milhão. Essa obrigação, porém, faz parte da divisão do dinheiro recebido pelo River e não representa necessariamente um pagamento adicional do Flamengo.
É justamente a combinação entre idade, pouca produção no profissional e valor elevado que começou a provocar discussão entre torcedores rubro-negros nas redes sociais.
Há quem veja Freitas como uma oportunidade de mercado e defenda que o verdadeiro trabalho de scout consiste exatamente em encontrar jogadores antes de eles se tornarem estrelas.
Mas também existe uma quantidade significativa de questionamentos sobre pagar US$ 17 milhões por um atacante de 19 anos com apenas um gol no profissional. Em discussões entre flamenguistas nesta noite, até torcedores que elogiam o potencial de Freitas consideram o preço elevado.
Caso lembra discussão envolvendo Mikey Johnston
A repercussão também traz de volta um episódio recente da gestão.
Em julho de 2025, José Boto encaminhou a contratação do irlandês Mikey Johnston, então no West Bromwich. O jogador chegou a ter passagem comprada para viajar ao Rio de Janeiro, mas o negócio enfrentou forte reação negativa de torcedores e pressão política interna.
Bap posteriormente vetou a operação.
Meses depois, o próprio José Boto afirmou que houve um problema de “timing” naquela negociação e defendeu a ideia de que o trabalho de scouting também passa pela contratação de jogadores que ainda não são conhecidos pelo grande público.
É uma filosofia perfeitamente defensável.
O problema é que o caso Joaquín Freitas traz uma questão diferente.
O debate não acontece simplesmente porque o jogador é pouco conhecido no Brasil.
A discussão é quanto o Flamengo está disposto a pagar por esse desconhecimento transformado em potencial.
Encontrar um jogador antes que ele se transforme em estrela é uma das funções de um departamento de scout. Mas, normalmente, uma das vantagens dessa identificação antecipada é justamente pagar menos antes da valorização.
Quando uma promessa de 19 anos já exige um investimento próximo de US$ 17 milhões, a margem para erro diminui consideravelmente.
Flamengo busca reposição após mudanças no ataque
A movimentação por Freitas acontece em uma janela de transformação do setor ofensivo.
O Flamengo negociou Gonzalo Plata com o Dínamo de Moscou e Wallace Yan com o Red Bull Bragantino. Com isso, voltou ao mercado atrás de jogadores jovens para recompor o elenco e aumentou a atenção sobre o futebol argentino.
Paralelamente, o clube encaminhou a chegada de Anthony Valencia, do Royal Antwerp.
O perfil das movimentações mostra uma escolha clara da diretoria: em vez de concentrar todos os recursos em jogadores já consolidados, o Flamengo também tenta adquirir atletas com margem de desenvolvimento e possibilidade de valorização futura.
Essa estratégia pode gerar retorno esportivo e financeiro.
Mas também aumenta a importância de acertar na avaliação e, principalmente, no preço.




