O Flamengo entra na parte da temporada em que quase tudo pesa mais.
Pesa o calendário.
Pesam as viagens.
Pesam os cartões.
Pesam os jogadores que acumulam minutos.
Pesa a Libertadores.
Pesa a liderança do Campeonato Brasileiro.
E pesa, principalmente, aquilo que se espera de um elenco montado para ser campeão.
Nos últimos jogos, o Flamengo tem mostrado uma característica diferente daquela de um time que depende apenas de talento individual.
Tem mostrado coletivo.
Mesmo quando não joga bem, continua vivo.
Mesmo quando sofre, não desmonta.
Mesmo quando o cenário foge do controle, encontra maneiras de permanecer dentro da partida.
Foi assim contra o Independiente del Valle.
No Maracanã, o Flamengo saiu atrás, teve Jorginho expulso, ficou com um jogador a menos e viu o adversário crescer. Ainda assim, resistiu até buscar o empate que confirmou a classificação para a semifinal da Libertadores.
Talvez esse seja um dos sinais mais importantes de um time que quer ganhar campeonatos.
O Flamengo aprendeu a sofrer
Existe uma diferença entre jogar mal e perder o controle emocional.
O Flamengo tem passado por momentos ruins dentro das partidas sem necessariamente perder a estrutura.
Contra o Del Valle, por exemplo, houve erros, dificuldade de criação e pressão do adversário.
Mas o time permaneceu competitivo.
E do lado de fora aconteceu algo igualmente importante.
Mesmo perdendo por 1 a 0 e atuando com dez jogadores, a torcida continuou cantando alto no Maracanã.
Não foi uma arquibancada esperando o time reagir para depois apoiar.
Foi o contrário.
A torcida tentou sustentar o Flamengo justamente quando ele mais precisava.
Essa conexão começa a ser parte da campanha.
Um calendário que cobra
O Flamengo chega ao jogo contra o Red Bull Bragantino vindo de uma sequência pesada entre Brasileiro e Libertadores.
Há desgaste físico.
Há jogadores acumulando muitos minutos.
Há viagens.
Há necessidade de manter uma base titular competitiva.
E ainda existem suspensões e atletas pendurados.
Mas chega um momento em que isso deixa de poder ser usado como justificativa.
O próprio planejamento do Flamengo foi construído para atravessar esse tipo de cenário.
O clube investiu em profundidade de elenco porque sabia que disputaria várias competições ao mesmo tempo.
É agora que essa escolha precisa aparecer.
Elenco forte existe para momentos assim
É fácil falar sobre elenco quando todos estão disponíveis.
Difícil é provar profundidade quando Pulgar, Paquetá e Samuel Lino estão suspensos, quando outros jogadores carregam desgaste e quando o treinador precisa mudar peças sem alterar a forma de jogar.
É justamente aí que um elenco forte mostra sua utilidade.
Não para ter nomes importantes no banco.
Mas para manter o nível do time quando as circunstâncias começam a cobrar.
O Flamengo construiu um grupo para disputar títulos.
Agora precisa usá-lo como um grupo de campeão.
O Bragantino não pode ser desculpa
O Red Bull Bragantino chega ao Maracanã tentando reagir.
Recuperou jogadores importantes e, apesar da fase irregular, já mostrou em outras temporadas e confrontos que pode criar dificuldades ao Flamengo.
Não será um jogo simples.
Mas isso também não pode mudar a responsabilidade do Flamengo.
Quem disputa o título brasileiro não pode escolher adversário.
Não pode esperar cenário perfeito.
Não pode depender de semana cheia.
Não pode contar apenas com escalação ideal.
O Bragantino merece respeito.
Mas o Flamengo precisa olhar primeiro para si.
O Palmeiras joga antes
Existe ainda um ingrediente diferente neste domingo.
O Palmeiras enfrenta o Grêmio às 11h de Brasília.
O Flamengo só entra em campo às 18h30 contra o Bragantino. A partida no Maracanã está marcada pela CBF para a 28ª rodada.
Isso significa que o Flamengo saberá, antes mesmo de aquecer, se ainda estará na liderança.
Pode entrar pressionado a recuperá-la.
Pode entrar com a oportunidade de abrir vantagem.
Em qualquer cenário, não haverá espaço para distração.
Mais de 60 mil e uma responsabilidade
O Maracanã deverá estar novamente cheio.
Mais de 60 mil ingressos foram emitidos antecipadamente.
E o Flamengo chega com 76,9% de aproveitamento como mandante no Brasileiro: nove vitórias, três empates e apenas uma derrota.
É um ambiente que ajuda.
Mas não resolve sozinho.
Torcida empurra.
Torcida pressiona o adversário.
Torcida sustenta o time quando o jogo aperta.
Foi assim na Libertadores.
Agora cabe ao Flamengo transformar esse ambiente em resultado.
Para ser campeão, tem que errar menos
A reta final de campeonato não permite muitos desperdícios.
O Flamengo está um ponto acima do Palmeiras e já sabe que a disputa pode seguir rodada a rodada até o fim.
Nesse momento, o erro muda de peso.
Um cartão desnecessário pode retirar um jogador da próxima partida.
Uma desatenção defensiva pode custar dois pontos.
Um primeiro tempo abaixo do nível pode transformar um jogo controlável em sofrimento.
Não existe perfeição no futebol.
Mas quem quer ser campeão precisa chegar o mais próximo possível dela nos detalhes.




