O Flamengo montou um dos elencos mais profundos do país justamente para atravessar uma temporada longa sem depender de onze jogadores.
Mas profundidade não significa imunidade.
Neste domingo, contra o Red Bull Bragantino, Leonardo Jardim precisa mexer no time por um motivo que começa a ganhar peso na reta final do Campeonato Brasileiro: suspensão.
Lucas Paquetá, Erick Pulgar e Samuel Lino estão fora pelo terceiro cartão amarelo. Evertton Araújo também desfalca o time, mas por lesão. Segundo o ge, o cenário abre espaço para mudanças importantes, com Saúl podendo substituir Pulgar e Bruno Henrique surgindo como alternativa pelo lado esquerdo do ataque.
Três suspensos na mesma rodada não representam apenas uma alteração de escalação.
Representam o momento em que os cartões deixam de ser detalhe estatístico e começam a interferir diretamente na gestão de um time que disputa a liderança ponto a ponto.
O elenco é grande, mas a conta chega
A construção do elenco rubro-negro permite que Jardim encontre soluções.
Sai Pulgar, entra Saúl.
Sem Samuel Lino, Bruno Henrique pode mudar de lado.
Paquetá não joga, mas Arrascaeta volta a aparecer entre os prováveis titulares.
Essa capacidade de reposição é uma das forças do Flamengo.
Mas existe uma diferença entre conseguir substituir e não sentir a ausência.
Pulgar oferece características específicas no meio-campo. Samuel Lino acrescenta profundidade e velocidade pela esquerda. Paquetá permite diferentes desenhos no setor central.
Quando três jogadores desse nível desaparecem da mesma escalação por suspensão, o treinador precisa reorganizar mais do que nomes.
Precisa reorganizar funções.
E isso acontece justamente em uma partida que pode definir quem atravessa a Data Fifa na liderança do Brasileirão.
Cinco jogadores entram pendurados
O problema também não termina neste domingo.
Arrascaeta, Carrascal, Luiz Araújo, Plata e Vitão estão pendurados contra o Bragantino. Um novo cartão amarelo tira qualquer um deles da próxima rodada.
E a sequência aumenta o peso dessa situação.
Depois da paralisação para a Data Fifa, o Flamengo volta ao Campeonato Brasileiro fora de casa contra o Santos, em 8 de outubro, na Vila Belmiro. Três dias depois recebe o Fluminense no Maracanã. A tabela foi detalhada pela CBF.
Ou seja: os cartões acumulados hoje podem atingir diretamente a retomada do campeonato.
Arrascaeta e Plata, por exemplo, aparecem na provável formação inicial contra o Bragantino. Carrascal e Luiz Araújo também fazem parte das opções ofensivas utilizadas durante a temporada.
Não se trata de entrar em campo pensando em evitar divididas.
Mas o risco existe.
Suspensão também vira gestão de elenco
Durante boa parte de uma temporada, falar em jogador pendurado costuma parecer assunto secundário.
Na reta final, deixa de ser.
Quando a diferença entre Flamengo e Palmeiras é mínima, perder um titular por suspensão pode alterar completamente a preparação para a rodada seguinte.
Lesão é imprevisível.
Suspensão, não.
É possível saber quem está perto do limite, quais jogos aparecem na sequência e onde determinadas ausências podem causar mais impacto.
Isso transforma os cartões em mais uma variável para Leonardo Jardim administrar.
O treinador já trabalha com controle físico de jogadores, rodízio em determinados setores e utilização de um elenco extenso.
Agora entra também a disciplina.
Não necessariamente porque o Flamengo esteja cometendo cartões em excesso, mas porque o acúmulo natural de uma competição longa começa a produzir consequências.
Um problema que chega num momento delicado
O momento torna tudo mais sensível.
O Flamengo iniciou a rodada na liderança com 57 pontos, apenas um acima do Palmeiras. A equipe paulista joga antes, contra o Grêmio, e o Rubro-Negro pode entrar no Maracanã já sabendo se precisa vencer para recuperar ou preservar a primeira posição.
Nesse contexto, perder três jogadores por suspensão ganha outra dimensão.
Uma ausência isolada pode ser absorvida.
Três simultâneas obrigam o treinador a mexer em diferentes setores.
E cinco pendurados mantêm o alerta ligado para aquilo que vem depois.
O Flamengo construiu um elenco justamente para sobreviver a cenários como esse.
Agora precisa provar isso em campo.
O próximo cartão pode custar mais
Existe ainda uma diferença importante entre o começo e o fim do campeonato.
Na primeira metade da competição, uma suspensão geralmente significa perder uma rodada entre muitas.
Na reta final, cada jogo passa a ter peso maior.
A tabela encurta.
Os confrontos diretos se aproximam.
E a possibilidade de recuperar pontos diminui.
O Flamengo ainda terá pela frente jogos importantes, incluindo um confronto contra o próprio Palmeiras na 36ª rodada.
Por isso, a administração do elenco não envolve apenas escolher quem descansa.
Também envolve chegar aos jogos decisivos com o maior número possível de jogadores disponíveis.




