O jogo de ida entre Estudiantes e Flamengo pela semifinal da Libertadores já tem data e horário, mas ainda não tem estádio oficialmente confirmado pela Conmebol.
Nos bastidores, porém, a situação avançou.
Flamengo e Estudiantes já abriram conversas para tentar viabilizar a realização da partida no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata. A principal questão está na carga de ingressos destinada à torcida visitante. A proposta colocada na mesa pelo clube argentino prevê aproximadamente 2 mil entradas para os rubro-negros e a mesma quantidade para torcedores do Estudiantes no jogo de volta, no Maracanã.
O entendimento ainda não está fechado, mas já existe uma negociação concreta entre as diretorias.
A Conmebol confirmou nesta segunda-feira que Estudiantes x Flamengo será disputado no dia 15 de outubro, quinta-feira, às 21h30. O local da partida, entretanto, permanece oficialmente como “estádio a confirmar”. A volta será no dia 22 de outubro, também às 21h30, no Maracanã.
Estudiantes quer jogar no UNO
A prioridade da diretoria argentina é manter a partida no Jorge Luis Hirschi, conhecido como UNO.
O estádio atende à capacidade geral exigida para receber uma semifinal da Libertadores, mas existe um problema específico: o setor destinado à torcida visitante não comporta as 4 mil pessoas previstas no regulamento da competição para essa fase.
A regra da Conmebol estabelece mínimo de 2 mil ingressos para visitantes até as quartas de final.
Nas semifinais, o número sobe para 4 mil.
O setor visitante atualmente utilizado pelo Estudiantes oferece aproximadamente 2 mil lugares.
Por isso, a diretoria argentina iniciou conversas diretamente com Flamengo e Conmebol para tentar encontrar uma solução.
Proposta prevê reciprocidade no Maracanã
A ideia discutida entre os clubes é relativamente simples.
O Estudiantes disponibilizaria aproximadamente 2 mil ingressos para a torcida do Flamengo em La Plata.
No jogo de volta, o Flamengo faria o mesmo e limitaria a presença da torcida argentina no Maracanã a uma carga semelhante.
Segundo o jornal argentino El Día, a diretoria comandada por Juan Sebastián Verón mantém as conversas abertas justamente para tentar formalizar esse modelo.
Do lado do Flamengo, também há disposição para negociar.
Informações divulgadas pelo jornalista Venê Casagrande indicam que o clube carioca não descarta o acordo e trabalha para encontrar as melhores condições possíveis para sua torcida. O bom relacionamento entre Flamengo, Estudiantes e Conmebol tem ajudado nas tratativas.
Ou seja: a discussão já passou da fase de hipótese.
Os clubes conversam.
Existe uma proposta concreta.
O que ainda falta é chegar ao entendimento final.
Flamengo não é obrigado a aceitar
A posição do Flamengo é importante porque o regulamento está ao seu lado.
A Conmebol determina que, nas semifinais da Libertadores, o clube mandante disponibilize pelo menos 4 mil ingressos para a torcida visitante.
Uma quantidade menor só pode ser adotada se existir acordo formal entre os dois clubes.
Esse entendimento precisa ser assinado pelos presidentes ou representantes legais das equipes e enviado à Conmebol antes da reunião de segurança da partida.
Portanto, o Flamengo pode aceitar a proposta argentina.
Mas também pode exigir a carga integral de 4 mil ingressos.
É justamente essa possibilidade que mantém a negociação aberta.
Estudiantes já prepara um plano B dentro do próprio estádio
Enquanto conversa com o Flamengo, o Estudiantes também estuda mudanças estruturais no Jorge Luis Hirschi.
Segundo o El Día, uma das alternativas seria retirar assentos de um setor do estádio para ampliar o espaço destinado aos visitantes.
Outra possibilidade analisada é instalar arquibancadas tubulares em áreas específicas para compensar a redução de lugares disponíveis aos torcedores argentinos.
Isso mostra o tamanho do esforço do Estudiantes para não abrir mão de sua casa.
A diretoria trata o UNO como prioridade absoluta para a semifinal.
Verón já deixou posição clara
O presidente do Estudiantes, Juan Sebastián Verón, já admitiu publicamente que a definição passa diretamente pelo Flamengo.
Em entrevista à ESPN Argentina, o dirigente afirmou que o clube fará tudo o que estiver ao alcance para disputar a partida no próprio estádio, mas reconheceu que a situação depende do entendimento com o Rubro-Negro.
Caso não exista acordo e as adaptações no UNO não sejam suficientes, outros estádios argentinos aparecem como alternativas.
Entre as opções estudadas estão o El Cilindro, do Racing, e o estádio do Lanús.
Por enquanto, entretanto, nenhuma dessas alternativas é tratada como prioridade.
Negociação interessa também ao Flamengo
O possível acordo não envolve apenas uma concessão do Flamengo.
A reciprocidade no Maracanã também teria impacto direto no segundo jogo.
Caso sejam aproximadamente 2 mil rubro-negros em La Plata, o Estudiantes receberia carga semelhante no Rio de Janeiro.
Isso reduziria a presença argentina no Maracanã e ampliaria proporcionalmente o espaço disponível para a torcida do Flamengo.
É exatamente por isso que a conversa precisa ser analisada pelos dois lados.
O Flamengo abre mão de parte dos 4 mil ingressos aos quais teria direito na Argentina, mas recebe contrapartida no jogo decisivo da semifinal.
Conmebol ainda não confirma o estádio
Apesar do avanço das tratativas, oficialmente nada mudou.
A Conmebol mantém o jogo marcado para 15 de outubro, às 21h30, com estádio ainda a confirmar.
A definição dependerá agora do resultado das conversas entre os clubes e da avaliação das condições do Jorge Luis Hirschi.
O Estudiantes quer jogar em casa.
O Flamengo está disposto a conversar.
E existe uma proposta concreta de reciprocidade entre as torcidas.
A negociação já começou.
Falta transformá-la em acordo.




