O Flamengo terá dois personagens com ligação especial com o Independiente del Valle no duelo desta quinta-feira, em Quito, pelas quartas de final da Libertadores.

Anthony Valencia e Gonzalo Plata fazem parte da delegação rubro-negra no Equador e têm algo importante em comum: os dois passaram pela formação do Del Valle antes de seguirem caminhos diferentes no futebol internacional.

Agora, anos depois, retornam ao país vestindo outra camisa e justamente em um confronto eliminatório contra o clube que ajudou a moldar suas carreiras.

A coincidência ganha ainda mais peso porque Valencia e Plata não foram apenas jogadores que passaram pelo Independiente del Valle em momentos isolados.

Os dois compartilharam parte do processo de formação no Equador.

O próprio Valencia confirmou recentemente essa relação ao falar sobre Plata após chegar ao Flamengo.

Segundo o atacante, ambos fizeram juntos o processo de formação no país e no Independiente del Valle, e mantêm uma boa relação desde aquela época.

Plata chegou muito jovem ao Del Valle

A história de Gonzalo Plata com o Independiente del Valle começou ainda na infância.

O atacante deixou Guayaquil muito jovem para integrar a estrutura do clube de Sangolquí e passou vários anos dentro do projeto de formação que transformou o Del Valle em uma das principais referências de base da América do Sul.

Plata passou pelas categorias inferiores até chegar ao profissional em 2018.

Naquela temporada, ainda com 17 anos, disputou 13 partidas pelo time principal e marcou um gol. O desempenho rapidamente chamou atenção de clubes europeus.

Em janeiro de 2019, o Sporting, de Portugal, avançou por sua contratação.

Na época, Plata já era tratado como uma das grandes promessas produzidas pelo Independiente del Valle e vinha também de destaque nas seleções de base do Equador.

A partir daí, construiu trajetória por Sporting, Valladolid, Al-Sadd e, posteriormente, Flamengo.

Valencia também saiu da fábrica equatoriana

Anthony Valencia trilhou um caminho semelhante.

Nascido em Guayaquil, o atacante passou inicialmente pelo Deportivo Azogues antes de chegar ao Independiente del Valle.

Entre 16 e 17 anos, começou a atuar pelo Independiente Juniors, equipe utilizada pelo clube justamente para fazer a transição de jovens da base para o futebol profissional.

Um momento importante de sua formação aconteceu em 2020.

Naquele ano, o Independiente del Valle conquistou a Libertadores Sub-20.

Valencia participou da campanha, marcou gols contra Colo-Colo e Jorge Wilstermann e fez parte do elenco que terminou com o título continental. Curiosamente, no caminho até a decisão, o Del Valle eliminou justamente o Flamengo na semifinal.

Dois anos depois, Valencia chegou ao time profissional.

Em 2022, fez três partidas pela equipe principal antes de ser negociado com o Royal Antwerp, da Bélgica.

No futebol europeu, ganhou experiência e permaneceu no clube belga até 2026.

O Flamengo o contratou nesta janela por 5 milhões de euros, com vínculo até 2031. O atacante recebeu a camisa 14 e já está integrado ao elenco de Leonardo Jardim.

Dois caminhos que voltaram a se cruzar

A presença de Valencia e Plata no mesmo elenco do Flamengo também tem um componente curioso.

Quando a contratação de Anthony começou a ser encaminhada, Gonzalo Plata estava perto de deixar o clube para o Dínamo Moscou.

O negócio acabou cancelado depois dos exames médicos realizados na Rússia, e Plata retornou ao Flamengo.

Leonardo Jardim reintegrou o equatoriano ao grupo e voltou a tratá-lo como opção para a sequência da temporada.

Poucos dias depois, o cenário produziu uma situação que inicialmente parecia improvável: Plata e Valencia passaram a dividir novamente o mesmo ambiente, agora no Flamengo.

E o reencontro acontece justamente às vésperas de uma viagem ao lugar onde os dois deram passos importantes na formação.

Plata retorna após semana turbulenta

Para Gonzalo Plata, a partida ainda carrega outro componente.

O atacante retorna ao Equador depois de uma sequência movimentada fora de campo.

Sua transferência para o Dínamo Moscou parecia encaminhada, mas o clube russo desistiu do negócio após os exames médicos. Plata ficou vários dias afastado da rotina do Flamengo e depois se reapresentou em Belém antes de seguir com a delegação para Quito.

Nesta terça-feira, participou normalmente do primeiro treinamento rubro-negro em solo equatoriano.

Leonardo Jardim ainda avaliará como utilizar o jogador depois do período sem atividades regulares.

Mesmo que comece no banco, sua presença diante do Independiente del Valle tem um peso simbólico evidente.

Valencia pode viver primeiros minutos importantes

Para Anthony Valencia, o contexto é quase o oposto.

Enquanto Plata retorna depois de uma possível saída, Valencia está apenas começando sua trajetória no Flamengo.

O atacante chegou ao clube há poucos dias, foi integrado ao grupo e está à disposição para a sequência de partidas.

Sua primeira grande experiência continental pelo Flamengo pode acontecer justamente contra a equipe onde cresceu.

O próprio Independiente del Valle ainda mantém pessoas que acompanharam de perto sua evolução.

Santiago Morales, dirigente histórico do projeto esportivo do clube, destacou recentemente o crescimento de Valencia e lembrou sua passagem pela estrutura de formação.

Del Valle transformou formação em identidade

A presença dos dois equatorianos também ajuda a explicar por que o Independiente del Valle se tornou um adversário tão particular no futebol sul-americano.

O clube construiu parte de sua força investindo em formação de jogadores.

Plata e Valencia fazem parte de uma lista que inclui nomes como Moisés Caicedo, William Pacho e outros atletas que deixaram o Equador para ganhar espaço em ligas importantes.

O Flamengo encontrará, portanto, não apenas uma equipe acostumada a competir em torneios continentais.

Encontrará também um clube que conhece profundamente dois atletas que hoje fazem parte de seu próprio elenco.